De mãe pra filha

Recentemente, falamos como reformar o carrinho de bebê. Neste mês das mães, vamos falar sobre brinquedos que passam de mãe pra filha: restauração de boneca. Tão legal poder dar vida a uma boneca que estava abandonada e permitir que o(s) filho(s) brinquem com um brinquedo que marcou a sua infância! Meninos também, por que não?

Assim como para arrumar carrinhos de bebê, existem lugares especializados que podem ajudar no restauro. Levar a boneca num “hospital de brinquedo”, entretanto, pode custar um pouco caro e nem sempre arrumam tudo como a gente quer. Vale esclarecer antes de deixar para fazer o serviço. Alguns ajustes podemos fazer em casa. 

Minha amiga Juliana levou sua Bebezinho, da Estrela, para restaurar no Centro Técnica de Brinquedo, em Porto Alegre/RS. Ela já queria encaixar a cabeça da Baby Alive da filha, decidiu aproveitar a viagem para consertar também sua boneca antiga. Só para a bebê de estimação foram “meros” R$ 180 para arrumar seu corpinho. A colocação da cabeça na outra boneca custou R$ 20,00.

A questão é que a “cirurgia plástica” não incluiu um banho na boneca nem mesmo um retoque no seu “batom”, o que faria toda a diferença pra deixá-la com cara de nova. (Eu adoro quando meu computador volta da assistência bem branquinho, o que nem imaginava que fariam… Para uma boneca, a limpeza é o mínimo esperado, não?) O que eles fizeram: trocaram o tecido e o enchimento do corpo. Existia também a possibilidade de aumentarem seus cílios (era dessas bebês que fecham os olhos), mas para isso teriam que trocar os olhos da boneca, que hoje só vendem azuis (além de sair literalmente “o olho da cara”, cerca de R$ 80). A Ju também achou que o corpo ficou um pouco diferente, sobrando um pouco de pano nos braços – nada comprometedor, ela é um pouco perfeccionista e também é artesã.

O que podemos fazer em casa
Para recolocar a cabeça de uma boneca, dessas cabeças de borracha, quando não conseguimos encaixar facilmente, basta aquecê-la. Ela dilata e encaixa no pescoço. Como fazemos para abrir a tampa do pote de geleia! Claro, é preciso tomar alguns cuidados. Você pode tentar de três formas: aquecer a água e molhar a base da cabeça na água morna (e secar antes de recolocar); deixá-la próxima ao fogo (cuidando para não encostar, muito menos os cabelos!); ou tentar aquecer com o secador de cabelo (mais seguro que fogo).

O banho de cabelo (para as bonecas de cabelo comprido – a não ser as de cabelo de lã) pode ser uma grande diversão “mãe e filha”. Para pentear mais fácil, é preciso molhar. Ela também tem direito a shampoo, condicionador e penteado.

Para o corpo e rosto, lá em casa a gente costuma lavar as bebezinhas da minha filha com escova de dentes velha e sabão de coco em barra. Para as bonecas da mamãe, isso pode não ser suficiente. O segredo são aquelas esponjas mágicas branquinhas. Já existe no Brasil uma da 3M que, além de limpar as bonecas tira riscos de giz de cera na parede! Foi assim que a Ju limpou a boneca dela na volta do conserto – e só assim ficou com ares de nova.

O vídeo abaixo mostra como uma menina limpou sua boneca. Ela também usou a esponja mágica, mas de outro fabricante. E se divertiu arrumando o cabelo. Até alisou e refez os cachos.

Alguns endereços de lugares especializados em restauração de bonecas:

Centro Técnica de Brinquedos
Av. Plínio Brasil Milano, 2224 – Higienópolis, Porto Alegre/RS
51 3062-6455

Hospital das Bonecas Brinquedos e Games
R. João Cachoeira, 301 – Itaim Bibi, São Paulo/SP – e vários outros endereços
11 2643-2630 / 11 2642-1800

Pronto Socorro das Bonecas
Turiassu, 2209 – Pompeia, São Paulo/SP
11 3865-6357


Leia também:
Hospitais de Brinquedo: o S.O.S. da Diversão – em Vejinha São Paulo
Bonecas para meninos e meninas
Como reformar o carrinho de bebê

Sol no Carnaval

sol
Eis que minha filha decidiu se fantasiar de Sol no Carnaval. Antes de saber que faria sua própria fantasia em aula para o “desfile da escola”, a ansiedade foi maior e quis criar seu figurino em casa. Isso que inicialmente estava pensando em pular de bailarina e, “para o ano que vem”, ela disse, iria de Sol. Imagina, esperar até o ano que vem!

Eu mesma não estava visualizando como ela imaginava esse Sol, precisava de tempo, me inspirar para separar ou comprar os materiais necessários. Nada disso. Sábado passado, uma semana antes do feriadão, o limite foi o almoço. “Preciso ir pra casa preparar minha fantasia!”, exigiu. Então a família toda entrou na roda, tio, tia, vó, mãe.

Dei uma saída, quando voltei, ela já estava no chão da cozinha, com vários potinhos de tinta têmpera que a vovó alcançou, pintando (sobre o forro que a gente sempre usa para atividades) um pedaço de papelão que eu tinha separado. Era um lado de uma caixa de brinquedos, já com um círculo recortado no meio, que ela pediu que o tio Carlão recortasse do tamanho que passasse na sua cabeça. Já não era mais uma máscara, era a fantasia que ela estava imaginando. E continuou pintando somente o lado pardo, não o impresso.

Precisamos negociar para recortar os raios de sol, que ela já estava pintando. Tia Tata, engenheira, calculou para que mantivesse o desenho redondo. Para preencher os espaços vazios, a pequena usou rolinho de pintura e fez uma mistura “quente” de amarelo, laranja, vermelho e cor de rosa. Puxou mais para o laranja escuro – era o sol do fim da tarde do verão (ela mesma justificou). Para finalizar, assim que a tinta secou um pouco, pintou com pincel seus raios de sol amarelos. Ela adora sobrepor tintas e cores, assim algumas das pinceladas antigas da primeira camada aparecem discretamente por baixo da cobertura de cores bem quentes.

E agora, comprar malha e sapatilhas amarelas que ela nunca mais usaria para compor o look? Essas sapatilhas de tecido, perigosas de usar na rua? Quem sabe um pano, um lenço… Lembrei de uma echarpe amarela que ganhei e quase nunca usei (talvez para torcer pelo Brasil, no máximo)! Ela viu o pano e já imaginou um vestido. A vovó cortou bem no meio uma passagem para a cabeça e costurou. Com os fios na parte de baixo, ficou um pouco comprida, vai precisar usar um cinto ou ajustaremos na cintura com elástico. É transparente, mas ficou uma túnica que pode ser usada sobre qualquer roupa.

fantasia

Faltou a foto dela vestindo o figurino, eu sei… Para entenderem: ela usa com o lado de trás dos raios para o alto e a parte da frente para baixo – abaixo do pescoço. Tem os movimentos bem livres e consegue se vestir sozinha.

Então, faça chuva ou faça sol (a previsão infelizmente é de chuva para as bandas paulistanas, Capital e Litoral), teremos nosso sol particular nesse Carnaval 🙂 Agora é só escolher um bloquinho infantil ou sair sambando fantasiada por aí. Pois no bailinho da escola já não poderá ir brilhar de Sol, vai seguir o bloco da turma.

 

Para completar a folia:

tambor_ok
Fizemos em casa um tamborzinho reciclado. O ideal é fazer com uma latinha. Na falta, usamos um copo de plástico de Requeisoy (o requeijão vegano), um retalho de balão (ou “bexiga”, casualmente combinando com o figurino, laranja) que tínhamos guardado, um atilho (elástico desses de banco, pra quem não entende português gauchês – pra mim elástico e atilho são coisas completamente diferentes) e finalizamos com uma fita adesiva, dessas coloridinhas de base de papel, mas podia ser uma tira de retalho de tecido, qualquer coisa.

Não chegamos a colocar nada dentro. Podíamos ter aproveitado que é transparente para colocar pompons no recheio ou papéis coloridos… Ou grãos de feijão, alguma coisa que fizesse ainda mais barulho como chocalho, como neste brinquedo caseiro do link.

Em anos anteriores, fizemos chocalhos com embalagens reaproveitadas e cereais ou sementes.

E pra dar mais cara de Carnaval ainda, mas não poluir tanto a cidade, nosso confete vai ser de folhas secas que pegamos no parque. Fizemos furinhos nelas com furador de bolinhas e furador de estrelinhas. O que sobrou, picotamos com tesoura. Nem precisa ser tão pequeno pra jogar. Ainda vira adubo natural onde cair!

Minha filha recém aprendeu com outra menina num bailinho a jogar confetes para o alto. Não botei muita fé, mas decidi fazer um “confetti popper” ou lançador de confete pra ficar mais divertido com: meio balão (de preferência furado ou abandonado), copo de papel sem a base (recortar) OU rolo de papel higiênico OU topo de uma garrafa PET recortado, atilho ou borrachinha (elástico) e fita adesiva ou laço. Como a gente não usa rolo de papel com rolinho no meio e eu tenho pena de desperdiçar nossos copinhos de papel descartáveis de festa, aproveitei que tínhamos uma garrafa PET e a cortamos no meio, quase 1/3, aproveitando apenas o “funil”, a ponta da tampa. Não tinha certeza se ia funcionar, até porque o pedaço de balão que usamos estava meio rasgado. Não tem problema. Deu tão certo que, quando eu estava testando, a vovó entrou na sala e levou um susto! Salta muito alto! Diversão na certa, mesmo com poucos confetes ou picotes.

 

Leia mais:
Carnaval é percussão @ blog da mamãe sustentável

Piquenique de aniversário

piquenique

Cada ano que passa, estamos ficando mais minimalistas em relação ao aniversário. E vocês?

Atualmente a melhor festa, ao meu ver, é um piquenique. O custo-benefício é ótimo, como coincidentemente destaca o pai do blog Paizinho, Vírgula, que fez um vídeo bacana sobre essas festinhas. É uma festa mais simples de organizar, que nem pode ter muita decoração ou atrativos (ou a administração do parque pode até impedir sua realização), nem precisa de muito (o entorno já costuma ser perfeito, ao ar livre, no meio do verde), a duração pode ser até mais curta (principalmente entre montagem e desmontagem) e, com certeza, cada minuto será muito bem aproveitado.

Simplificando a festa
Primeiro aninho é aquela festa tão esperada, quando queremos apresentar o bebê pra todo mundo, um grande evento, mesmo que seja em grandes ou pequenas proporções. Nós escolhemos comemorar na casa dos avós, fizemos boa parte da decoração à mão, uma função, mas foi delicioso e bem aproveitado. No segundo ano foi a vez de realizar tudo o que não foi possível fazer na festa de um ano, mas para um grupo menor de pessoas, salão pequeno, fazendo grande parte da festa nós mesmos, exceto detalhes da decoração (estrelinhas de origami) que deixamos para artesãs mais experientes. Era pra ser menor, mas parece que deu mais trabalho que o primeiro aniversário. No terceiro, estávamos já exaustos, hehe. Com passagens caras, nem tivemos a chance de pensar em organizar uma grande festa com a família no Sul. Aqui em SP, não pensamos em outra coisa senão um piquenique! Ou seja, o mais simples possível.

No primeiro ano a gente também fez piquenique aqui, só que não foi a festa oficial. Foi bem informal, para um grupo de amigos próximos. Cada um naturalmente levou uma coisa, nós trouxemos “docinhos” da festa de Porto Alegre, mais algumas coisinhas, e assim foi.

Dessa vez, era a festa oficial, então avisamos que ninguém precisava levar nada. Mas reduzimos as opções do cardápio para conseguirmos preparar tudo em tempo. Fiquei na dúvida se iam gostar do que levamos, pois era no geral tudo natural, caseiro, orgânico, vegano ou sem lactose. Imagina, sucesso principalmente com as crianças!

Festa ecológica
Num parque, temos que ter ainda mais cuidados com a festa do que num ambiente fechado, pois você vai querer deixá-lo exatamente como estava. Ou seja, zero lixo. Isso quer dizer: zero copinhos plásticos, zero colheres plásticas, zero balões. Tenho pavor de encontrar em caixas de areia traços de festinhas, vocês não têm?

O ideal é saber se o parque tem coleta de lixo seletivo e lixeiras separadas para lixo reciclável. Na dúvida (ou mesmo na dúvida se o destino do lixo reciclável é a reciclagem), evite gerar lixo. Você pode levar pra casa seu lixo, mas imagino que já terá outras coisas para carregar.

Por isso, melhor evitar coisas prontas com muita embalagem, preferir levar coisas reutilizáveis que voltem pra casa (como pratos, sousplats, copos, talheres) ou biodegradáveis (utensílios de papel, bambu, madeira).

Decoração
Balões de látex são biodegradáveis, mas eles não desaparecem de um dia para o outro se estourados na grama ou na areia. Aqueles metalizados podem ser reutilizados, entretanto ainda provocam lixo e podem voar longe… No primeiro ano, abolimos balões, só de papel. No segundo, decoramos com balões de látex transparentes recheados com as tais estrelinhas de origami de papel, mas em ambiente privado. No parque, defini que decoração = lembrancinha, de preferência algo bem lúdico, tradicional e ecologicamente correto.

Do que lembramos? Cataventos! Lindos, artesanais, feitos com papel e palito de bambu. Pode até fazer você mesmo, mas preferi procurar no Elo7 um fornecedor próximo que fizesse como eu queria (materiais e cores) e com perfeição. O frete não sai caro, pois são leves e chegaram bem inteiros!

catavento

Se você não puder fazer ou não conhecer quem faça, em sites como Elo7 sempre tem gente talentosa

Toalhas e guardanapos reaproveitamos (do nosso casamento). Alguns pratos e copinhos levamos de casa. Outros comprei numa lojinha de bairro de festas. Impressionante como os produtos de papel e madeira estão se popularizando finalmente! Essa lojinha da Vila Mariana, em São Paulo, localizada na rua José Antônio Coelho, vende, por exemplo, garfinhos de madeira importados com um preço realmente acessível.

No mais, levamos alguns brinquedos para dividir e decorar, como uma cestinha de piquenique de faz-de-conta. E a diversão estava garantida com os brinquedos públicos do parquinho!

Cardápio
Sabe o que as crianças mais amaram? Morangos orgânicos e mix de castanhas e frutas secas! Além de potinhos com essas frutas e castanhas, preparamos:

  • Pão “sem queijo” vegano (receita já divulgada aqui);
  • Varinhas de frutas (palitos de bambu com uvas sem sementes, morangos, cubinhos de abacaxi ou melancia, blueberry e carambola, não exatamente nessa ordem, mas quando finalizamos com estrelinhas de carambola ou frutas cortadas em formato de estrela, parece uma varinha mágica, como a da Holly, do desenho do estúdio da Peppa, Ben & Holly);
  • Bolo preguiçoso de maçã, bem caseiro, preparado pela titia, que fica baixinho na forma, então decoramos com os cataventos;
  • Brigadeiros de grão de bico (em função da possível alergia à proteína do leite de vaca ou intolerância, nossa filha ainda não provou um brigadeiro tradicional e este foi seu primeiro aniversário com brigadeiro!), ficam bem gostosos e foram bem aceitos – passo a receita em breve (tenho que pedir ao maridão, sim, foi o papai que fez!).

Pra beber, água, chá gelado de erva cidreira ou suco integral de uva orgânico. Basta!

potinho

Reaproveitando o potinho, você pode servir porções individuais da salada e cobrir a tampa com um guardanapo de tecido

Se fosse uma festa ainda mais minimalista e comemorássemos só com a família ou meia dúzia de pessoas no total, sugiro um almoço piquenique – como já fizemos num final de semana de “hanami”, festival das cerejeiras. Em potinhos de geléia individuais, montei uma salada estilo Rita Lobo, com camadas de molho, macarrão frio, legumes raladinhos e verduras. Nesse caso, se for aniversário, bolo de sobremesa, claro. Que delícia!

Acessório indispensável
Ganhei de uma amiga no meu aniversário e pude aproveitar no aniver da minha filha esta esteira dobrável impermeável, própria pra piquenique. Vem com alça para carregar, muito prática. A estampa é linda, mas, com pena de sujar, cobri com as toalhas.

Ano que vem
Diferente do primeiro ano, que mal terminou a festa eu estava planejando o ano seguinte, agora é a pequeninha que já está tendo ideias para seu aniversário de 4 anos. Ela tem ideias sobre um tema (viu numa padaria um bolo que a encantou), o que comer, sobre o parque… Pois curtiu muito a comemoração singela deste ano, cada detalhe. Por ela, repetiria os cataventos, mas de outras cores!

Vamos ver como vai ser. Adorei ler este artigo sobre o aniversário das crianças na Alemanha! Realmente não precisa de muito, o legal é celebrar, deixar o dia especial.

 

Saiba mais:
Artigo muito interessante sobre a comemoração dos aniversários na Alemanha
Receitinhas saudáveis para aniversário
Como fazer uma festa ecológica

Mural vivo

mural_antesdepois

Alguns pregos, um barbante, um martelo, uma tesoura. Precisamos apenas disso para montar um mural vivo para exibir as artes das crianças. Nunca mais vai usar fita crepe ou durex para prender um desenho na parede. E ainda decora a casa.

Não precisa nem de prendedores! Dependendo de como for fixado, o próprio barbante segura o papel, só passar por trás. Como os prendedores podem ser bonitinhos (de madeira decorados ou bem pequeninhos), são irresistíveis – e exercitam a articulação e a força das mãozinhas.

materiais

Usei esses pregos simples que já tínhamos em casa. E descobri o seguinte: se ao martelar ele começar a entortar, não insista. Pode ter encanamento atrás ou ser uma parede mais complicada. Nesse caso, prefira outro cantinho da casa.

E o melhor: é muito fácil para um adulto fazer em casa. Não precisa ter medo de martelo, nem ter furadeira. Esses preguinhos simples funcionam. Até eu consegui fazer sozinha 😉

Usei esse barbante que a vovó comprou e eu adorei, bem coloridinho e ecológico:

barbante

Você pode escolher o desenho ou só fazer um varal em vez de mural. Optamos por um ziguezague irregular na medida do móvel dos brinquedos. Mas poderia ter feito bem maior, mais horizontal e até ter usado menos barbante. Calcule o espaço que você tem e veja quantas folhas de ofício consegue pendurar para ter uma noção de tamanho.

Minha referência foi este mural que minha amiga Renata fez para as filhas dela:

Rê

Mãos à obra! Muita arte pra vocês!

 

Leia também:
Solução para os ouvidos – outra dica valiosa que aprendi com a Rê

Feijãozinho

feijao_marilia

foto: Marília – Uma brasileira na Croácia

Convidei a mamãe sustentável Marília, uma brasileira na Croácia, para nos contar sobre as lembrancinhas do aniversário da sua filha Maíra. Ela plantou feijão em lâmpadas incandescentes. Uma ótima ideia de lembrança também para chá de bebê, por exemplo, principalmente quando não se revelou ainda o sexo do bebê – que ainda é um “feijãozinho”.

Acho lindo decorar uma festa com lâmpadas pendentes recheadas com flores. A ideia da Marília, com o pezinho de feijão germinando, me surpreendeu pela graça, simbologia e originalidade. Não deixa de ser uma atividade Montessori para fazer com as crianças e permitir que acompanhem o desenvolvimento da plantinha – Marília aplica o método de Maria Montessori na educação de sua filha (e já me deu dicas valiosas, pelas quais sou muito grata).

Veja como fizeram:

Lembrancinha da Maíra: Feijão plantado na lâmpada!

Desde que vi as diferentes utilidades de uma lâmpada vazia no Pinterest da minha amiga Luísa, deste blog, fiquei encantada! Ano passado, usamos uma para fazer um arranjo de flores para o aniversário. Este ano procurei várias lembrancinhas ecológicas para fazer em casa para o aniversário da minha filha de 2 anos, mas não encontrei nada como eu queria. Aí me veio a ideia de plantar um feijão e colocar na lâmpada! A ideia era algo que ela pudesse acompanhar desde pequena, perceber a importância de cuidar todos os dias da plantinha e ver o seu crescimento. Funcionou direitinho!

Primeiro, assisti a uns vídeos no Youtube para ver como plantar, pois a última vez que plantei feijão foi num potinho de danoninho no jardim de infância! Tudo muito fácil e rápido, o famoso algodão embebido em água e no meio o feijão. Depois, plantamos em um pratinho de vidro, regando todos os dias e sempre deixando o algodão úmido e em local iluminado. Em três dias, começou a brotar, pois estava super quente. A cada dia, acompanhamos o crescimento, que é visível a olho nu! A Maíra ficou super entusiasmada e eu, mais ainda! Quando o broto tinha saído da semente, replantamos na lâmpada usando uma pinça. Colocamos 2/3 de terra e bem no meio, num buraquinho, o feijão brotado.

Hoje o feijão está em flor! A foto é de uma semana atrás. Fiquei super feliz com o resultado da experiência e continuamos diariamente regando e cuidando do nosso feijão! As crianças e as mães adoraram a lembrancinha e foi uma ótima oportunidade de reciclar e reaproveitar de uma forma criativa e bonita as lâmpadas usadas!

Muito lindo, né? Pode entregar a muda ainda no algodão também.


Saiba mais:
O passo a passo detalhado de como plantar feijão no algodão
Passo a passo com fotos de como trabalhar a lâmpada incandescente
O que Maria Montessori dizia sobre o contato com a natureza
Como a gente fazia na escola
Outras ideias de lembrancinhas
O blog da Marília
Pinterest da Mamãe Sustentável

Lembrancinha feita em casa

lembrancinhasNeste segundo aniversário, não resistimos às lembrancinhas, mesmo fazendo a festa num salão para 25 pessoas (talvez mais empolgados por isso). A Dora ama desenhar e pintar, o tema da festa era “gato” (e “estrelas”), e ela também ama sacolas e bolsas. Pronto! Nossa lembrancinha para crianças pequenas e grandes foram mini-sacolas ecológicas feitas em casa, com uma máscara de gatinho para pintar desenhada e recortada pela mamãe e um pacote de giz de cera coloridos.

mascaras

Minha ideia inicial era desenhar o gatinho também nas sacolas, mas nem foi preciso. A vovó encontrou apliques de gatinhos e estrelinhas, desses que basta passar a ferro para colar. Se a Dora já estivesse numa fase mais adiantada nos desenhos, certamente pediria para ela mesma decorar as sacolas.

Para a aniversariante, alguns convidados deixaram recadinhos ou desenhos feitos com os papeis coloridos da decoração e já usando os materiais de suas lembrancinhas.

sacolas

Para quem mora em São Paulo, onde encontramos nossos principais materiais:

_algodão cru: na Niazi, na região da 25 de março (dica da minha amiga Lia)
_rolo com a corda para as alças da bolsa em algodão cru no Rei do Armarinho, na região da 25 de março
_giz de cera Leo & Leo: nos Armarinhos Fernando, na região da 25
_máscaras de papel kraft (achei o papel cartão que tinha em casa muito difícil de furar): encontra-se rolos em qualquer papelaria

E precisa mesmo de lembrancinha? Precisar, não precisa. Tem muita gente que não dá ou esquece de entregar. Acho elegante dar uma lembrança como sinal de gratidão para todos os que foram e alegraram a festa. Nem que seja um pratinho de “doces”. Mais legal ainda se, nesse pequeno presente em agradecimento, pudermos transmitir ideias que defendemos, como incentivar o uso da sacola ecológica, estimular a criatividade das crianças ou literalmente distribuir sementes.

 

Mais ideias de lembrança:
Lembrancinhas do primeiro aniversário
Sementes de lembrancinha

Lembrancinha: esfoliantes

esfoliantes
Uma boa ideia de lembrancinha para um chá de bebê (ou “chá de fraldas”) é presentear a mulherada com um esfoliante feito por você. Eu fiz potinhos de esfoliante orgânico para os pés para as mulheres da família no último Natal. Testei antes e adorei, pois é uma receita simples, que também hidrata. Perfeita para o verão.

Para embalar, usei:
– potinhos de vidro pequenos de papinhas do meu sobrinho;
– retalhos de tecido que tinha em casa para cobrir a tampa;
– fita barbante para amarrar;
– etiqueta para identificar e deixar um recadinho.

Ingredientes:
– 3 xícaras de açúcar;
– 1 xícara e 2 colheres (sopa) de óleo de boa qualidade;
– 10 gotas de óleo essencial bem cheiroso.

Usei um açúcar cristal orgânico, o azeite de oliva Andorinha orgânico e o óleo essencial de hortelã mentha arvensis (ou hortelã-pimenta) da Herbia. Basta misturar todos os ingredientes e colocar nos potinhos. Não precisa guardar na geladeira, a não ser que você não consiga fechar bem a tampa e tenha muitas formigas em casa.

É uma receita segura para gestantes, por isso é legal como lembrancinha para o chá. Ou, a quem interessar, pode ser um projeto de brinde para o Dia das Mães! Se o barrigão não permitir alcançar o calcanhar, peça ajuda para alguém massagear seus pés.

Mais esfoliantes
Aprovado o esfoliante para os pés, experimente outros esfoliantes caseiros e naturais! O rosto é sempre mais delicado, por isso o peeling pode ser feito apenas uma vez por semana.

Pronto para o rosto
Se não quiser arriscar, o melhor e mais natural esfoliante para o rosto (industrializado) que testei foi o da Surya Brasil, da linha Sapien Women – a cor de argila pode assustar a quem não está acostumado com cosméticos naturais, mas o cheiro é incrível.

Sem desperdício
Você pode aproveitar um shampoo infantil que não esteja usando no seu bebê e lavar o rosto com ele e uma pequena quantidade de borra de café para fazer a esfoliação semanal.

Para o rosto e corpo
Essa receita não testei, mas é indicada para o rosto e corpo – só não é vegana: fazer uma mistura homogênea com farinha de milho (fubá) e mel, aplicar nas partes onde quer esfoliar. Pode ser com mel e açúcar. Recomenda-se lavar antes o rosto com água morna para abrir os poros. Depois, enxaguar com água fria para fechar.

Saiba mais:
Sementes de lembrancinha
Para as mamães relaxarem
Os rótulos dos cosméticos
Shampoo da cabeça aos pés

O bolo

bolo sem açúcar

foto: Liliane Callegari

Como já contei aqui, na festa de primeiro aniversário da Dora, oferecemos várias comidinhas saudáveis e sem açúcar pra ela e outros bebês. Inclusive o bolo do parabéns era para todos. A ideia era oferecer um naked cake, mas ele acabou não ficando tão “nu” assim com a cobertura de coco ralado fresco, que foi colocada soltinha sobre ele (nada de calda, geléia ou creme para grudar).

Ingredientes
4 bananas prata ou nanica bem maduras
1/2 xícara (chá) de passas de uva
3 ovos
1/3 xícara de óleo
2 xícaras de aveia
1 colher (chá) de canela
2 colheres (sopa) fermento
Opcional: adicionar maçã picada à massa antes de assar

Bater as bananas, as passas, os ovos e o óleo no liquidificador. Misturar em uma tigela a aveia, a canela e o fermento. Acrescentar o creme de banana, mexer bem e levar para assar por cerca de 20 minutos.

Essa receita é originalmente para forma pequena. Fizemos duas receitas dessa em forma grande (assando em duas fornadas), assim não cresceu muito e não precisamos cortar ao meio para rechear.

Recheio
Hidratei meia tigela de damascos secos. Quando tinham inflado bem, bati no liquidificador com duas colheres de sopa de coco ralado e suco de 1/2 laranja espremida para amolecer mais um pouco.

Cobertura
Cobertura e decoração a gosto. Como queríamos mantê-lo sem leite e sem açúcar, colocamos apenas coco ralado fresco sobre ele e na sua volta do prato e decoramos, no dia da festa, com cachinhos de groselha, a frutinha vermelha, além de palitinhos das corujas de papel. Na receita da foto, feita mais recentemente, picamos morangos orgânicos e separamos algumas uvas sem semente para decorar.

Em função do recheio e da cobertura, esse bolo deve ser feito no máximo na véspera. Conservado em geladeira. Consumido em poucos dias. O bolo sem recheio dura mais.

bolinho saudável para bebês

Fotos: Liliane Callegari

Saiba mais:
Um bolo com açúcar, mas sem fermento
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Festa de 1 ano, sim
Como fazer uma festa ecológica
Drinks sem álcool para o fim do ano

Aniversário saudável

receitas de docinhos sem açúcar para festa de criança

A mesinha dos bebês na festa foi aprovada pelos pequenos. Na foto, nossa priminha Luísa escolhendo um docinho sem açúcar

Para os primeiros aniversários das crianças, é possível oferecer na festa comidinhas saudáveis, sem contra-indicação para o bebê. Essa foi nossa escolha para comemorar 1 ano da Dora, como já havia contado. Foi um sucesso entre pequenos e grandes!

Inspire-se e experimente algumas das receitas que incluímos no cardápio da festinha:

Muffin de banana sem farinha
2 bananas nanicas pequenas e maduras
1 ovo caipira
50ml de leite de coco
canela para polvilhar

Bater todos os ingredientes no liquidificador, colocar em forminhas previamente untadas, polvilhar canela. Assar em forno médio até dourar (25 a 30 minutos). Servir na temperatura ambiente (fica mais doce).

Se fizer em casa e ainda amamentar, pode usar 50ml de leite materno em vez do leite de coco.

Receita original da nutri da Dora.

Cookies de banana (vegan)
1 banana madura
2 colheres de sopa de aveia (bem cheias, às vezes coloco 3 para uma banana média)
1 colherzinha de café de canela

Mistura tudo. Faz bolinhas. Leva ao forno em fogo baixo por 15 minutos. Para ficar mais doce ao paladar adulto, além da banana mais madura, pode acrescentar passas de uva. A prima da Dora já fez com cacau alcalino e aprovou.

Receita também da nutri.

Pão “sem queijo” funcional (vegan)
500g de mandioquinha cozida e amassada (sem casca)
500g de polvilho azedo
2 colheres de chá de sal
3 colheres de sopa de chia
150ml de azeite de oliva
água em temperatura ambiente (medida de olho, o suficiente)

Misture o polvilho com azeite, sal e chia. Forme uma farofa. Adicione a mandioquinha e amasse bem. Adicione aos poucos a água até a massa ficar gostosa de trabalhar e desgrudar das mãos. Fazer bolinhas e assar até dourar – fica com uma casquinha crocante (se assar demais, ressaca por dentro e lembra biscoito de polvilho, mas no ponto fica com uma textura deliciosa e “puxa” como pão de queijo).

Mais uma receita da nutri.

Cachorrinho de legumes
Os cachorrinhos de legumes são receita da vovó adaptada para a festa, mas os detalhes ela não anotou. A ideia é uma massinha de pão feita sem leite (substituiu por água morna) recheada com tirinhas legumes como abobrinha e cenoura. Enrola os legumes como se fosse um rocambole. Em cima do pãozinho vai gergelim. Pode ser pré-assado, congelado e aquecido na hora da festa. Há opção de fazer o recheio de maçã ou banana com canela, mas gosto mais da versão salgada.

Na foto já publicada da mesinha das crianças, vocês podem ver que servimos também comidinhas de colher. Foram sagu de uva, feito sem adição de açúcar, com suco de uva natural – pode ser com o engarrafado, mas a vovó faz com uva preta mesmo, cozinha na panela. Ainda não aprendi a fazer esta receita! E também um mousse de cacau com banana sem açúcar, mas que não vou dividir aqui, porque a Dora não curtiu muito. Na mesinha colocamos, ainda, bolinhos pequenos do mesmo bolo principal (conto em breve a receita).

Saiba mais:
No blog da nutricionista da Dora, que é especializada em nutrição infantil, há mais receitas legais (gostosas, práticas e saudáveis) para crianças
Escrevi um post sobre nossa experiência com leites vegetais – quem tem bebê com APLV pode usá-los para substituir o leite nas receitas com leite de vaca
E também receitas de drinks sem álcool para mamães e gestantes

Leites vegetais

leite e farinha de amendoas

Leite de amêndoas congelado (depois de descongelado, é só sacudir que fica homogêneo de novo) e farinha de amêndoas

Dora continua reagindo ao leite de vaca e, como sigo amamentando, eu também não consumo leite e derivados. Não basta ter baixo teor de lactose, não pode ter leite, só se for leite de origem vegetal. Pra Dora, leite animal só o humano, o leite materno.

Não chegamos a fazer o exame de sangue para confirmar. A alergia à proteína do leite de vaca dela parece ser não mediada, mas não grave. As reações estão mais ligadas à maturidade do aparelho digestivo, mas podem seguir até os 3, 6 ou 9 anos (aos 10 meses e meio não desapareceu, reagia rapidamente). Regurgita, vomita, faz um barulho estranho na faringe como se o que engoliu voltasse pra cima, soluça, arrota, fica muito rouca como se estivesse gripada, fica chatinha – incomodada, como se estivesse com um mal-estar ou tivesse sono. E fica assim não só no dia que regurgita, os sintomas persistem por uns 15 dias depois da data que provei algo com leite (fiz o teste em mim).

Nos primeiros meses demos remédio supondo que ela tinha refluxo. Ao detectar e cortar o leite, cortamos também o remédio. Longe de leite, queijo, manteiga ou outros traços de lactose ela fica tão bem, que não tenho a mínima vontade de mudar a dieta.

Restringir o leite abriu um novo universo pra mim. Me fez enxergar os lacticínios de outra forma – ainda não li o Galactolatria, mas não acho mais natural consumirmos leite de vaca. Não sou vegana, mas quase – enjoei de quindim (gostei mais de cocada) e, de tanto cozinhar ovo de galinha caipira e passar por alguns “acidentes” (já cozinhou ovo com casca rachada dentro da chaleira?), criei um certo nojinho de ovos. Não consumir leite e derivados é um “detox” poderoso, ainda mais amamentando, emagrece.

Por outro lado, há tantos sabores a experimentar. Olha que eu chegava a dizer que meu alimento preferido era o leite condensado, e ele era o ingrediente central da maioria dos meus doces. Aprendi a não sentir falta.

No verão, necessidade zero de leite. Já indiquei aqui receitas só de frutas, vitaminas ou drinques. Tem sorbet até de chocolate. No inverno, principalmente nesses meses de mais frio, vem a vontade de bebidas mais quentes…

A Dora ainda mama, continuo tomando cuidado com o que tomo para não passar pra ela. O cuidado é redobrado agora que ela já come quase tudo o que a gente come – menos açúcar (e leite). Pra ela também experimentar e podermos explorar mais receitas, substituindo o leite, buscamos alternativas nos leites vegetais.

Duas maravilhosas descobertas recentes:

chocolate quente com leite de arroz e coco

Pronto e à venda no Brasil:
IsolaBio, um leite orgânico importado da Itália. Tem outros sabores, mas por enquanto só provei o de arroz com leite de coco. Não tem açúcar de nenhum tipo ou adoçante, é doce naturalmente, adoçado pelo coco.

Tanto que fiz chocolate quente com esse leite acrescentando apenas cacau alcalino (1 colher de chá generosa para uma caneca de leite aquecido) e ficou uma delícia. Um chocolate quente que a Dora poderia tomar!

Para fazer em casa:
Leite de amêndoas – encontrei a receita neste site. Amêndoas não são baratas, mas depois de fazer o leite é possível assar as amêndoas trituradas e fazer farinha de amêndoas. Essa farinha pode ser aproveitada em outras receitas!

Saiba mais:
Por que não oferecer soja às crianças
Uma receita de leite de arroz (quero testar!)