Como dar banho no bebê

Como dar banho no nenê?

Dora ensina como dar banho na boneca

Dar banho era possivelmente minha maior inquietação antes de ser mãe. Trocar fralda, amamentar, pegar no colo, não temia nada disso. Já o banho… Tanto que deixei o papai se encarregar dele nas primeiras vezes, e aproveitamos todas as dicas das enfermeiras no hospital.

Como mãe de primeira viagem, fiz um curso numa maternidade sobre os cuidados básicos do bebê. Fiquei bastante apegada àquele passo-a-passo. Agora que já não seguimos os passos e a Dora já sabe (na teoria) como tomar (e dar) banho, vou repassar os pontos para vocês, comentando como pode ser mais sustentável.

Primeiro: lavar a cabeça
Mesmo o banho de hoje começa pela cabeça, principalmente se usamos shampoo e sabonete no lugar do sabão líquido da cabeça aos pés. Assim não irrita os olhos, pois a água da banheira ainda não tem espuma.

Rosto e região dos olhos: apenas água morna
Esta etapa você pode fazer ainda no trocador, antes de despir o bebê. Se esquecer, não tem problema deixar para o final, quando for colocar a fralda.

Prefira usar a água quentinha da térmica de limpar o bebê (da troca de fraldas) e não a da banheira, onde há resíduos de sujeira ou sabão e pode infeccionar os olhos – recomendação de um oftalmologista. Na aula do hospital, indicavam algodão. Em casa, você pode usar lencinhos de fralda de pano, dessas fraldinhas de boca, limpas e passadas a ferro.

Atenção: (quando removemos a maquiagem, muitas vezes nos confundimos) a forma correta é limpar as pálpebras de fora pra dentro. Ou seja, se há alguma sujeirinha, ela será descartada pelo cantinho interno do olho, próximo do nariz.

Orelhas
A recomendação oficial é limpar a área mais externa da orelha com cotonete, cuidando para não empurrar a sujeira para dentro. Esta é a etapa menos sustentável, visto que no Brasil não se encontra cotonetes biodegradáveis. Tanto faz se é infantil ou adulto. À medida que o bebê cresce, não vejo necessidade de limpar a orelha diariamente, a não ser que tenha enfrentado muito vento ou se brincou na areia da praia ou da pracinha.

Primeiro passa cotonete com água morna. Depois passa a outra ponta seca para secar a orelha. Por dentro e por fora. Cotonetes diferentes para esquerda e direita. Dois cotonetes ao dia… O ideal seria usar um cotonete de haste biodegradável e algodão orgânico.

O problema maior das hastes flexíveis comercializadas (mesmo as infantis) não é o fato do plástico da haste não decompor, mas a composição do algodão. Além de sofrer processo de branqueamento, há outros químicos bactericidas anti-mofo que podem ser prejudiciais à nossa saúde. Em vez de usar o mimikaki (haste japonesa de bambu para remover a cera do ouvido), já que o correto é não remover a cera, uma sugestão é simplesmente limpar as orelhas com o paninho ou com a própria toalha de banho. A cera pode derreter sozinha e voltar ao ouvido naturalmente, sem que você perceba. (Quando notava que minha filha estava “entupida” e queria “sugar” a umidade do ouvido, usava a técnica da cebola.)

Como enrolar o bebê?

Baixa o bracinho e enrola, baixa o outro bracinho e enrola. Pode ser com um cueiro, uma fralda de pano, um cueiro moderno ou mesmo com uma toalha de banho infantil. Fazia isso já sem fralda

Cabelos
Antes de lavar os cabelos ou para toda essa primeira etapa do banho, você pode enrolar o bebê num cueiro (swaddle), prendendo seus bracinhos. Apóie o bebê no antebraço esquerdo (se for destro) e com a mesma mão segure a cabecinha do bebê. Se conseguir, tampe os ouvidos do bebê com o polegar e um dedo da outra extremidade (dedo médio), para não entrar água. A mão oposta (direita) fica livre para manusear o shampoo e passar água na cabecinha do bebê.

Observe que nesta etapa o bebê não fica submerso na água, está no colo, apenas sua cabecinha é lavada. Esta técnica pode ser usada com qualquer tipo de banheira, mesmo antes de entrar no ofurô. Você não precisa dela, entretanto, se preferir dar banho na ducha, no seu colo – neste caso, apenas segure o bebê diretamente no seu colo, em contato com sua pele, e molhe-o delicadamente com o auxílio de uma das mãos.

Corpo
Desenrole o bebê e coloque-o na água, cuidando para que tenha apoio no bumbum e na cabeça. Enquanto o bebê não senta, a redinha dá bastante segurança aos pais. Para não escorregar da banheira (mesmo depois que senta), você pode colocar uma fralda de pano grande no fundo. Esta pode ser a etapa mais temida para pais e bebês! Para o bebê curtir esta parte do banho, certifique-se de que a água esteja morna (35 a 37 graus) e que tenha bastante água para cobrir o bebê. Por isso recomendo o ofurô: pouca água é suficiente para cobrir o bebê até a altura dos ombros.

Você pode dar banhos de aveia para hidratar a pele sensível e delicada do bebê.

Coto
Nas primeiras semanas do recém-nascido, é preciso limpar o coto. É a parte final do banho, depois que já saiu da água. Diferente do que costuma ser ensinado (passar cotonete), um dos primeiros pediatras que atendeu nossa filha receitava aplicar as gotinhas de álcool 70% diretamente no coto, mesmo que parecesse ficar “encharcado”, pois isso auxilia e acelera a secagem do coto e evita infecções que um cotonete pode causar.
 

Esse procedimento completo pode ser seguido até não termos mais força no antebraço ou o bebê sentar sozinho. Perto dos 10 meses, o bebê fica mais inquieto, podendo ser distraído com brinquedinhos ou livros para banho. Aproveite para ensinar as partes do corpo enquanto dá banho no seu filhote desde bebezinho!

Saiba mais:
Banho sustentável é no ofurô
Como dar banho de aveia
Três marcas de sabonete líquido “da cabeça aos pés”
A tal da redinha
Um vídeo que ilustra a lavagem da cabecinha
Detalhes que fazem diferença para menos desperdício

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Sem limite de colo

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Colo e carinho em excesso não têm efeito colateral – a não ser criar uma criança feliz e segura (e ocupar os braços e forçar a coluna da mãe). A psicoterapeuta Laura Gutman explica que os filhotes de outros animais prontamente nascem independentes, com a habilidade de se locomover. Já os bebês humanos passam por mais 9 meses de gestação extrauterina.

“(…) quando o bebê tem suas necessidades respeitadas, logo cresce e evolui. Se sua segurança interior for forte, terá mais coragem e vontade de explorar o mundo exterior.

Lembremos que ninguém pede aquilo que não precisa.”

Laura Gutman – A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p. 130

Por isso, sou muito fã dos carregadores de tecido, especialmente o babysling e o Mei Tai, que são os que já experimentamos. Afinal, um bebê tão pequeno não aprendeu a fazer manha. Muitas vezes precisa de colo extra, sim. E você vai agradecer por poder ficar juntinho do bebê e ter as mão livres.

O sling ou ring babysling, que é o carregador de argola, é muito prático e pode ser usado desde o nascimento. Há uma variedade de posições para colocar o bebê – que você pode conferir neste manual. É como uma redinha, um ninho bem aconchegante, onde ele pode ficar na posição que estava no útero. Bem pequeninho, ele pode ficar deitado, na altura do peito. E você pode deixar de prontidão, encaixado, e ajustar o tecido ao colocar o bebê – puxa embaixo, de um lado, afasta um pouco o nó… Há várias posições para adotar, mais ou menos de acordo com os diferentes colos (hoje uso mais o apoio lateral, sentadinha).

Na rua, você pode proteger o bebê (do sol, da fumaça, dos olhares e até da garoa) com o que sobrar de tecido do outro lado da argola. Alguns modelos vêm com bolso nesse restante de tecido. Seu tamanho, quando comprado sob encomenda, pode ser ajustado de acordo com a altura da mãe, como já havia comentado. E pode facilitar a amamentação em lugares públicos – além de discreto, é um apoio para segurar o nenê em posição confortável.

As argolas podem atrapalhar em duas situações. Se for fazer longas caminhadas, descer ladeiras, o sling vai escorregando e você sentirá a pressão da argola no seu ombro, no ossinho. Ao passar em detectores de metal, no banco ou no aeroporto, pode apitar o alarme. No aeroporto costumam pedir para você passar no detector segurando a criança afastada do seu corpo, então não vai poder usar o carregador nesse momento. Além das argolas de inox, como eu uso, existem as argolas de nylon, injetadas especificamente para este fim, que são seguras e podem ser uma alternativa nessas situações.

O Mei Tai é o que mais se aproxima do canguru (para quem não conhece, é o desta foto). Foi nosso presente do Dia dos Pais e é um bom recurso de participação paterna. Mesmo que o a papai tenha usado com sucesso (fotos acima para comprovar), é o meu recurso favorito para os colinhos do final da tarde, quando preciso resolver algumas coisas e a Dora já está cansada.

Ainda que seu uso seja lógico (sem precisar quebrar a cabeça com o que fazer com o pano, um impasse para iniciantes no wrap, por exemplo), tive uma preguicinha inicial pra começar a usar. Até assistir ao vídeo abaixo e ficar segura de que poderia amarrar sozinha o Mei Tai em mim. Mas é importante aguardar o bebê estar com o pescoço bem firme e poder afastar as perninhas no seu colo para começar a usar.

Diferente de alguns modelos de canguru, o contato com a criança é direto, com o calorzinho do peito, sem material intermediário. Eu duvidava que o bebê pudesse dormir no colinho de Mei Tai, mas é totalmente possível. Na posição barriga-com-barriga, como demonstra o vídeo, minha filha encosta a cabecinha no meu peito e, já nos primeiros dias de uso, dormiu confortavelmente ali. No colo do papai, também.

Estou quase tão fã do Mei Tai quanto do babysling. Já me deu mais segurança para usar em transporte público ou mesmo em táxi. Com o crescimento do bebê, sua coluna vai agradecer por distribuir melhor o peso. Uso como uma mochila na frente – se preciso tirá-la dali, abaixo as alças e pego por cima, conseguindo posicioná-la novamente sem ter que amarrar tudo do zero.

Aliás, esse modo de carregar (barriga-com-barriga) e sua forma de fechar é bem parecida com a do wrap – que é literalmente um pedaço comprido de pano. Se for escolher um wrap, a dica da brasileira que mora na Croácia é preferir os modelos que têm uma estampa diferente no centro, indicando onde você deve posicionar o bebê.

Apesar de quase todos eles poderem ser usados como mochila, nas costas, acho que só terei coragem de usar dessa forma com criança maior. Até mochila ou bolsa precisamos carregar na frente do corpo no Brasil! Mas no mundo todo, esse é um dos modos mais comuns de carregar o bebê.

Veja como usar o Mei Tai e como amamentar usando o babysling:

amamentar

mudar de lado
(esse sling do vídeo não tem argola, mas no meu, com argola, sentia mais segurança em posicionar a cabecinha no lado da argola, o que ficava mais parecido com a posição que ela demonstra)

Mei Tai

Saiba mais:
Sobre carregadores em passeios
Outro vídeo sobre amamentar com sling

PS.: já aconteceu de eu estar na rua, usando o Mei Tai, e vazar xixi da fralda – ele absorveu e não deixou que me molhasse, ufa!