Sol no Carnaval

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Eis que minha filha decidiu se fantasiar de Sol no Carnaval. Antes de saber que faria sua própria fantasia em aula para o “desfile da escola”, a ansiedade foi maior e quis criar seu figurino em casa. Isso que inicialmente estava pensando em pular de bailarina e, “para o ano que vem”, ela disse, iria de Sol. Imagina, esperar até o ano que vem!

Eu mesma não estava visualizando como ela imaginava esse Sol, precisava de tempo, me inspirar para separar ou comprar os materiais necessários. Nada disso. Sábado passado, uma semana antes do feriadão, o limite foi o almoço. “Preciso ir pra casa preparar minha fantasia!”, exigiu. Então a família toda entrou na roda, tio, tia, vó, mãe.

Dei uma saída, quando voltei, ela já estava no chão da cozinha, com vários potinhos de tinta têmpera que a vovó alcançou, pintando (sobre o forro que a gente sempre usa para atividades) um pedaço de papelão que eu tinha separado. Era um lado de uma caixa de brinquedos, já com um círculo recortado no meio, que ela pediu que o tio Carlão recortasse do tamanho que passasse na sua cabeça. Já não era mais uma máscara, era a fantasia que ela estava imaginando. E continuou pintando somente o lado pardo, não o impresso.

Precisamos negociar para recortar os raios de sol, que ela já estava pintando. Tia Tata, engenheira, calculou para que mantivesse o desenho redondo. Para preencher os espaços vazios, a pequena usou rolinho de pintura e fez uma mistura “quente” de amarelo, laranja, vermelho e cor de rosa. Puxou mais para o laranja escuro – era o sol do fim da tarde do verão (ela mesma justificou). Para finalizar, assim que a tinta secou um pouco, pintou com pincel seus raios de sol amarelos. Ela adora sobrepor tintas e cores, assim algumas das pinceladas antigas da primeira camada aparecem discretamente por baixo da cobertura de cores bem quentes.

E agora, comprar malha e sapatilhas amarelas que ela nunca mais usaria para compor o look? Essas sapatilhas de tecido, perigosas de usar na rua? Quem sabe um pano, um lenço… Lembrei de uma echarpe amarela que ganhei e quase nunca usei (talvez para torcer pelo Brasil, no máximo)! Ela viu o pano e já imaginou um vestido. A vovó cortou bem no meio uma passagem para a cabeça e costurou. Com os fios na parte de baixo, ficou um pouco comprida, vai precisar usar um cinto ou ajustaremos na cintura com elástico. É transparente, mas ficou uma túnica que pode ser usada sobre qualquer roupa.

fantasia

Faltou a foto dela vestindo o figurino, eu sei… Para entenderem: ela usa com o lado de trás dos raios para o alto e a parte da frente para baixo – abaixo do pescoço. Tem os movimentos bem livres e consegue se vestir sozinha.

Então, faça chuva ou faça sol (a previsão infelizmente é de chuva para as bandas paulistanas, Capital e Litoral), teremos nosso sol particular nesse Carnaval 🙂 Agora é só escolher um bloquinho infantil ou sair sambando fantasiada por aí. Pois no bailinho da escola já não poderá ir brilhar de Sol, vai seguir o bloco da turma.

 

Para completar a folia:

tambor_ok
Fizemos em casa um tamborzinho reciclado. O ideal é fazer com uma latinha. Na falta, usamos um copo de plástico de Requeisoy (o requeijão vegano), um retalho de balão (ou “bexiga”, casualmente combinando com o figurino, laranja) que tínhamos guardado, um atilho (elástico desses de banco, pra quem não entende português gauchês – pra mim elástico e atilho são coisas completamente diferentes) e finalizamos com uma fita adesiva, dessas coloridinhas de base de papel, mas podia ser uma tira de retalho de tecido, qualquer coisa.

Não chegamos a colocar nada dentro. Podíamos ter aproveitado que é transparente para colocar pompons no recheio ou papéis coloridos… Ou grãos de feijão, alguma coisa que fizesse ainda mais barulho como chocalho, como neste brinquedo caseiro do link.

Em anos anteriores, fizemos chocalhos com embalagens reaproveitadas e cereais ou sementes.

E pra dar mais cara de Carnaval ainda, mas não poluir tanto a cidade, nosso confete vai ser de folhas secas que pegamos no parque. Fizemos furinhos nelas com furador de bolinhas e furador de estrelinhas. O que sobrou, picotamos com tesoura. Nem precisa ser tão pequeno pra jogar. Ainda vira adubo natural onde cair!

Minha filha recém aprendeu com outra menina num bailinho a jogar confetes para o alto. Não botei muita fé, mas decidi fazer um “confetti popper” ou lançador de confete pra ficar mais divertido com: meio balão (de preferência furado ou abandonado), copo de papel sem a base (recortar) OU rolo de papel higiênico OU topo de uma garrafa PET recortado, atilho ou borrachinha (elástico) e fita adesiva ou laço. Como a gente não usa rolo de papel com rolinho no meio e eu tenho pena de desperdiçar nossos copinhos de papel descartáveis de festa, aproveitei que tínhamos uma garrafa PET e a cortamos no meio, quase 1/3, aproveitando apenas o “funil”, a ponta da tampa. Não tinha certeza se ia funcionar, até porque o pedaço de balão que usamos estava meio rasgado. Não tem problema. Deu tão certo que, quando eu estava testando, a vovó entrou na sala e levou um susto! Salta muito alto! Diversão na certa, mesmo com poucos confetes ou picotes.

 

Leia mais:
Carnaval é percussão @ blog da mamãe sustentável

Brinquedos ecológicos

Há tempos estou para escrever sobre brinquedos. Já havia falado sobre consciência do consumo e como a boneca é importante para meninos e meninas. Quem acompanha o Instagram da Mamãe Sustentável pode ver que a Dora ama brincar com elementos da natureza, mas também com minha antiga boneca. Sobre brinquedos ecológicos, não falei muito. Até então, não tinha me aprofundado no tema.

Quando chegou perto de um ano e do primeiro Natal (aos 8 meses), a Dora começou a ganhar muito brinquedo. Por isso resisti à tentação de entrar em lojinhas. Afinal, ela já teria bastante atividade com o que ganhou. Não importava se eram os que a mamãe compraria. O importante seria aproveitá-los bem.

Levando em conta a importância do brincar, antes de adquirir novos brinquedos, o que devemos ter em mente?

Três questões entram na roda quando se pensa em consumo consciente de brinquedos:

1. De onde vem?
É fabricado no seu país, estado, cidade, bairro? É artesanal, feito com carinho? (Valorizo muito energia da criação manual, com atenção, diferente da produção em massa.) Você conhece quem faz e está adquirindo direto do produtor? Ou é uma indústria que investe em design, escolhe a matéria-prima, estuda e incentiva o aprendizado das crianças, faz comércio justo, valoriza seus funcionários, etc.?

Ou, ainda, é emprestado, doado, trocado, alugado?

2. De que é feito?
Qual o impacto desse material no meio ambiente? Ele é seguro para a criança? Nem toda madeira é reflorestada. Ainda assim, a madeira é um material natural. Pode ser feito de plástico ou borracha, mas ser livre de BPA, ter origem vegetal e ser biodegradável – ou pelo menos parte do material vem de reciclagem. A tinta é atóxica? É de pano? Melhor ainda, pode ser de algodão orgânico. Ele precisa de pilha para funcionar?

3. Para que serve?
É adequado à fase da criança? Permite que a criança use sua criatividade? Não basta interagir com o brinquedo, ele permite a criança socializar? Vai acrescentar alguma coisa ao desenvolvimento da criança em relação aos que já tem em casa?

Impossível não falar de materiais
Quando bebês, vale a pena tomar mais cuidado. Há opções macias e com pouco ou nenhum tingimento. A delicadeza dos produtos de algodão orgânico combina com esse momento.

Observem que muitos dos brinquedos para o banho não são identificados como BPA free, costumam ser indicados a partir dos 10 meses (quando o bebê fica mais ativo no banho), mas pode ser que você ou o seu bebê queira brincar antes disso. Pensando nisso, trouxemos de viagem para uma amiga da Dora recém-nascida (cuja mamãe estava louca para brincar na água) um patinho espanhol feito de látex natural que não foi colorido.

O problema do plástico, apesar de reciclável, é a origem dele (mas existem brinquedos plásticos que não são oriundos do petróleo), se contém substâncias tóxicas para a criança, se é um brinquedo que pode ser perdido num parque, na areia ou no mar e não é biodegradável ou, mais preocupante, se não é quebrável (alguns racham e realmente podem machucar, outros não têm bom acabamento).

Um dos brinquedos mais vendidos do mundo e que tem mais de 50 anos é a girafa Sofie. Ela existe em vários materiais, de pelúcia ou com tinta comestível. Eu tinha uma quando criança, que era bem maior e certamente não era tão segura (não sei se é a original) e adorava. A Dora ganhou do papai uma apeluciada que fazia um barulho bem suave e a de borracha. Confesso que a Dora curtiu mais a versão brasileira amarelinha, que era um misto das outras duas – tem um sininho dentro, mas é de borracha, anatômica para pegar e boa de morder.

Essa girafinha é um chocalho e mordedor, um brinquedo indicado a partir dos 3 meses, da série Pescoçudos, da linha BDA (Brincar, Divertir e Aprender, brinquedos para bebês) da Toyster. Esse fabricante brasileiro se diz, pelo menos na embalagem, preocupado com os materiais. Além de atóxicos e sem ftalatos, boa parte da matéria-prima dos mordedores é de origem reciclada.

Educativo não é sinônimo de ecológico
Quase todo brinquedo é educativo. Uns permitem a criança criar mais, outros menos.

Há várias linhas educativas de brinquedos. Algumas lojas as identificam:

Waldorf
Brinquedos inspirados na pedagogia Waldorf procuram atender as necessidades da criança respeitando o seu desenvolvimento em cada faixa etária. Os bonecos para bebês e crianças pequenas, por exemplo, são minimalistas, sem rosto definido, estimulando a imaginação. Além de artesanais, os brinquedos dessa linha costumam ser de materiais naturais, como os feltrados.

Montessori
Maria Montessori ensinou a explorar texturas e objetos da casa. Li um texto muito interessante sobre brinquedo ser coisa séria e se poder dizer que não existe um brinquedo “Montessori”.

Antroposófica
A pedagogia Waldorf surgiu da antroposofia, criada pelo austríaco Rudolf Steiner. Ela é voltada para a formação do indivíduo. Segundo uma vendedora de brinquedos educativos que me apresentou brevemente a teoria, nessa linha os brinquedos não têm faixa etária. A idade certa é quando despertar a atenção da criança, que sinaliza quando está interessada em brincar com eles. Alguns exigem a supervisão dos responsáveis por questão de segurança, outros podem requerer a interação de um adulto para ganhar vida, como um fantoche. Perto de um ano, por exemplo, o bebê está explorando os volumes, descobrindo o que é dentro ou fora, por exemplo, e assim alguns elementos lhe chamam mais a atenção.

Teoricamente, grande parte dos brinquedos “faz de conta”, que reproduzem o mundo real, são recomendados a partir dos 3 anos – de acordo com a classificação “oficial”. A Dora está com 1 ano e 5 meses e já faz tempo que pediu para brincar de carrinho de boneca, panelinha, vassoura, telefone, bolsa. Não vou impedir, só tomo cuidado com algumas peças que podem ser perigosas.

Eletrônicos
Com moderação, não sou contra brinquedos eletrônicos. Principalmente aqueles que simulam o que os pais fazem, por exemplo. Tem momentos que é melhor a criança ter a versão dela do objeto em brinquedo do que estragar as de verdade, às vezes tuas ferramentas de trabalho – pais que trabalham em casa devem me entender. Basta equilibrar o eletrônico com outros brinquedos e brincadeiras.

No entanto, brinquedo que tem bateria (gasta energia, gera lixo) não pode ser considerado “sustentável”, concorda? Para alguns brinquedos a pilha é complemento, a criança ainda consegue brincar no modo desligado. Outros ficam totalmente rejeitados sem energia. Geralmente, esses dão poucas asas à imaginação.

Vamos assumir um novo olhar ao comprar brinquedos para o Dia das Crianças?

Leia mais:
Brincadeira de boneca para meninos e meninas
Objetos montessorianos: brinquedo e material
Os brinquedos mudam conforme a idade
Os benefícios dos brinquedos ecológicos
Post pelo Dia das Crianças em 2013

Carnaval é percussão

chocalhos com grãos

Coloque o bebê para fazer barulho nesse Carnaval! Vocês podem confeccionar juntos chocalhos e brincar de percussão.

Você vai precisar de:
– garrafinhas plásticas que tampem bem (potinhos de shampoo de hotel, porta temperos ou garrafinhas de soro fisiológico) – reaproveite;
– grãos (arroz, feijão, lentilha, etc.) ou sementes.

Limpe o potinho e elimine o que tiver de perigoso, como rótulos, restos de lacres. Depois de seco, mostre para o bebê o que você vai pôr ali, deixe a criança sentir a textura, colocar a mãozinha dentro do saco ou pote de feijão sob sua supervisão. Preencha cada potinho com grãos diferentes: um só de feijão, outro só de lentilha. Tampe bem e comecem a brincar.

Bom Carnaval!

Veja mais:
Vídeo sobre os instrumentos de percussão
Brincadeira de sucata