Toalhas de banho: aquele abraço

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Um presente maravilhoso para bebês é uma boa toalha de banho de algodão orgânico. O símbolo perfeito de um abraço aconchegante. A Dora tem duas toalhas de algodão orgânico que existem para vender no Brasil e que vou comparar aqui para conhecerem melhor.

A primeira que ela ganhou foi a da Nature Purest, marca inglesa que tem lojas próprias em shoppings brasileiros. Bem felpuda, marrom mais escuro, tem orelhas de cachorrinho na toca. É do modelo Cuddle Robe, da coleção Little Leaves.

No começo, não curtia muito secar a Dora recém-nascida com ela, porque, apesar de macia, soltava felpas que grudavam em sua pele, principalmente entre os dedinhos dos pés (como algumas meias). Eu notava quando passava hidratante nela. Não era descamação da pele. Aí, certa vez, deixei a toalha suja no fundo do balde de roupa suja por mais de três dias. Ela umedeceu e mofou um pouquinho. Nós fervemos num panelão apenas com água para tirar o mofo. A recomendação do fabricante é não lavar em temperatura superior a 40ºC. Problemas corrigidos: o mofo se foi, e a tolha parou de soltar pêlos. Uma amiga me contou que nunca teve esse problema com a do filho dela, mas conosco foi assim.

A segunda a Dora ganhou no aniversário de um ano. Pois é, depois de um ano, ainda vale a pena ganhar toalhas boas assim! É brasileira, da Cotton Cloud, revendida em lojinhas de roupas orgânicas para bebês em todo o Brasil. Ela é bem macia também, mas mais fininha, penugem mais rala. De um lado, algodão estampado; atoalhada na parte interna. Cor creme, clarinha. Há desenhos fofos de coelhinhos e, na touca, orelhas de coelho – modelo já fora de catálogo, mas semelhante aos da nova coleção.

As vantagens da nova toalha em relação à primeira é que, além de não termos passado por nenhuma experiência negativa com ela, é brasileira e parece um pouco mais larga. Então facilita a vida dos pais ou cuidadores para secar a criança quando cresce. Quando a toalha é muito estreita, precisamos de uma para tirar a criança do banho e outra para enxugá-la. Mesmo já mais independente, a Dora ama essa toalha.

O que faz a diferença é a disposição, o tamanho é uma ilusão. A da Nature Purest tem formato de losango e touca pequena – essa seria a mesma posição do cueiro para fazer o wrap e enrolar o bebê, mas falta pano nas laterais à medida que a criança cresce. A da Cotton Cloud tem touca maior e formato retangular.

Medidas:
Nature Purest: 94cm x 1m, com 13cm de capuz
Cotton Cloud: 98cm x 66cm, com 22cm de capuz

Sempre usei diretamente, sem precisar de cueiros. No caso da primeira toalha, se tivesse um cueiro bem macio, poderia ter usado com ela e então as felpas não “grudariam” na pele da minha filha. Se você já tem outras toalhas infantis, mas quer o toque macio do algodão orgânico na pele do seu bebê, recomendo investir num cueiro de algodão orgânico, como o da Green is Great, marca brasileira que trabalha com matéria-prima brasileira. O cueiro desta marca não tem capuz, então pode ser usado como uma manta leve nos passeios, na saída de banho com a toalha ou para enrolar o corpo do recém-nascido e começar o banho do bebê.

Saiba mais:
Como dar banho no bebê
Por que usar algodão orgânico
Como escolher o enxoval do bebê
Dispensáveis e indispensáveis

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Brinquedos ecológicos

Há tempos estou para escrever sobre brinquedos. Já havia falado sobre consciência do consumo e como a boneca é importante para meninos e meninas. Quem acompanha o Instagram da Mamãe Sustentável pode ver que a Dora ama brincar com elementos da natureza, mas também com minha antiga boneca. Sobre brinquedos ecológicos, não falei muito. Até então, não tinha me aprofundado no tema.

Quando chegou perto de um ano e do primeiro Natal (aos 8 meses), a Dora começou a ganhar muito brinquedo. Por isso resisti à tentação de entrar em lojinhas. Afinal, ela já teria bastante atividade com o que ganhou. Não importava se eram os que a mamãe compraria. O importante seria aproveitá-los bem.

Levando em conta a importância do brincar, antes de adquirir novos brinquedos, o que devemos ter em mente?

Três questões entram na roda quando se pensa em consumo consciente de brinquedos:

1. De onde vem?
É fabricado no seu país, estado, cidade, bairro? É artesanal, feito com carinho? (Valorizo muito energia da criação manual, com atenção, diferente da produção em massa.) Você conhece quem faz e está adquirindo direto do produtor? Ou é uma indústria que investe em design, escolhe a matéria-prima, estuda e incentiva o aprendizado das crianças, faz comércio justo, valoriza seus funcionários, etc.?

Ou, ainda, é emprestado, doado, trocado, alugado?

2. De que é feito?
Qual o impacto desse material no meio ambiente? Ele é seguro para a criança? Nem toda madeira é reflorestada. Ainda assim, a madeira é um material natural. Pode ser feito de plástico ou borracha, mas ser livre de BPA, ter origem vegetal e ser biodegradável – ou pelo menos parte do material vem de reciclagem. A tinta é atóxica? É de pano? Melhor ainda, pode ser de algodão orgânico. Ele precisa de pilha para funcionar?

3. Para que serve?
É adequado à fase da criança? Permite que a criança use sua criatividade? Não basta interagir com o brinquedo, ele permite a criança socializar? Vai acrescentar alguma coisa ao desenvolvimento da criança em relação aos que já tem em casa?

Impossível não falar de materiais
Quando bebês, vale a pena tomar mais cuidado. Há opções macias e com pouco ou nenhum tingimento. A delicadeza dos produtos de algodão orgânico combina com esse momento.

Observem que muitos dos brinquedos para o banho não são identificados como BPA free, costumam ser indicados a partir dos 10 meses (quando o bebê fica mais ativo no banho), mas pode ser que você ou o seu bebê queira brincar antes disso. Pensando nisso, trouxemos de viagem para uma amiga da Dora recém-nascida (cuja mamãe estava louca para brincar na água) um patinho espanhol feito de látex natural que não foi colorido.

O problema do plástico, apesar de reciclável, é a origem dele (mas existem brinquedos plásticos que não são oriundos do petróleo), se contém substâncias tóxicas para a criança, se é um brinquedo que pode ser perdido num parque, na areia ou no mar e não é biodegradável ou, mais preocupante, se não é quebrável (alguns racham e realmente podem machucar, outros não têm bom acabamento).

Um dos brinquedos mais vendidos do mundo e que tem mais de 50 anos é a girafa Sofie. Ela existe em vários materiais, de pelúcia ou com tinta comestível. Eu tinha uma quando criança, que era bem maior e certamente não era tão segura (não sei se é a original) e adorava. A Dora ganhou do papai uma apeluciada que fazia um barulho bem suave e a de borracha. Confesso que a Dora curtiu mais a versão brasileira amarelinha, que era um misto das outras duas – tem um sininho dentro, mas é de borracha, anatômica para pegar e boa de morder.

Essa girafinha é um chocalho e mordedor, um brinquedo indicado a partir dos 3 meses, da série Pescoçudos, da linha BDA (Brincar, Divertir e Aprender, brinquedos para bebês) da Toyster. Esse fabricante brasileiro se diz, pelo menos na embalagem, preocupado com os materiais. Além de atóxicos e sem ftalatos, boa parte da matéria-prima dos mordedores é de origem reciclada.

Educativo não é sinônimo de ecológico
Quase todo brinquedo é educativo. Uns permitem a criança criar mais, outros menos.

Há várias linhas educativas de brinquedos. Algumas lojas as identificam:

Waldorf
Brinquedos inspirados na pedagogia Waldorf procuram atender as necessidades da criança respeitando o seu desenvolvimento em cada faixa etária. Os bonecos para bebês e crianças pequenas, por exemplo, são minimalistas, sem rosto definido, estimulando a imaginação. Além de artesanais, os brinquedos dessa linha costumam ser de materiais naturais, como os feltrados.

Montessori
Maria Montessori ensinou a explorar texturas e objetos da casa. Li um texto muito interessante sobre brinquedo ser coisa séria e se poder dizer que não existe um brinquedo “Montessori”.

Antroposófica
A pedagogia Waldorf surgiu da antroposofia, criada pelo austríaco Rudolf Steiner. Ela é voltada para a formação do indivíduo. Segundo uma vendedora de brinquedos educativos que me apresentou brevemente a teoria, nessa linha os brinquedos não têm faixa etária. A idade certa é quando despertar a atenção da criança, que sinaliza quando está interessada em brincar com eles. Alguns exigem a supervisão dos responsáveis por questão de segurança, outros podem requerer a interação de um adulto para ganhar vida, como um fantoche. Perto de um ano, por exemplo, o bebê está explorando os volumes, descobrindo o que é dentro ou fora, por exemplo, e assim alguns elementos lhe chamam mais a atenção.

Teoricamente, grande parte dos brinquedos “faz de conta”, que reproduzem o mundo real, são recomendados a partir dos 3 anos – de acordo com a classificação “oficial”. A Dora está com 1 ano e 5 meses e já faz tempo que pediu para brincar de carrinho de boneca, panelinha, vassoura, telefone, bolsa. Não vou impedir, só tomo cuidado com algumas peças que podem ser perigosas.

Eletrônicos
Com moderação, não sou contra brinquedos eletrônicos. Principalmente aqueles que simulam o que os pais fazem, por exemplo. Tem momentos que é melhor a criança ter a versão dela do objeto em brinquedo do que estragar as de verdade, às vezes tuas ferramentas de trabalho – pais que trabalham em casa devem me entender. Basta equilibrar o eletrônico com outros brinquedos e brincadeiras.

No entanto, brinquedo que tem bateria (gasta energia, gera lixo) não pode ser considerado “sustentável”, concorda? Para alguns brinquedos a pilha é complemento, a criança ainda consegue brincar no modo desligado. Outros ficam totalmente rejeitados sem energia. Geralmente, esses dão poucas asas à imaginação.

Vamos assumir um novo olhar ao comprar brinquedos para o Dia das Crianças?

Leia mais:
Brincadeira de boneca para meninos e meninas
Objetos montessorianos: brinquedo e material
Os brinquedos mudam conforme a idade
Os benefícios dos brinquedos ecológicos
Post pelo Dia das Crianças em 2013

Presente para o papai

Três sugestões de presentes sustentáveis para o Dia dos Pais:

Camiseta Greentee

Greentee & Esforçado

Greentee & Esforçado

As camisetas Greentee são feitas de malha ecológica, de algodão orgânico ou de garrafa PET, e têm uma proposta social. Cada camiseta vendida gera uma gêmea, que é doada a uma criança de uma instituição cadastrada. Há estampas descoladas como esta, diretamente dos muros de São Paulo: Você Praça Acho Graça – uma campanha criada por Dafne Sampaio, o Esforçado, por mais espaços públicos. As camisetas (pelo menos quando compramos para o papai no ano passado) vêm embaladas em saquinhos de algodão feitos com sobras da malha, que podem ser aproveitados em viagens.

Flores, por que não?

rosa de pedra

rosa de pedra *foto: Anderson S. Silva

Flores não são presentes exclusivamente femininos. Alguns arranjos podem ficar lindos e masculinos. Para ficar ecologicamente correto, seria bacana manter a flor ou planta no vaso com terra. Você pode escolher plantas de sombra. Uma suculenta, por exemplo, como a flor de pedra. Ou iniciar uma horta de temperos, com um pé de pimenta.

Carregador de bebê

wrap BabySlings

wrap xadrez marrom BabySlings

Um sling bem masculino, como um wrap liso ou estampado ou MeiTai (ah, queria essa promoção no ano passado!), para abraçar a paternidade. Porque colo de papai também é muito gostoso. Bom presente para futuros papais também!

Certifique-se antes da compra se o carregador é indicado ao tamanho do papai. Wrap costuma dar certo, porque são cerca de 5m de tecido que se amarra de várias formas. Já outros carregadores podem ser mais práticos de usar, desde que compridos o suficiente.

Leia mais:
Por que usar tecidos ecológicos?
Presente original: plantinhas
Sem limite de colo – nossa experiência com sling de argola e MeiTai

Roupinhas duráveis: casacos

Casaco é uma peça difícil de colocar e que por isso, assim como alguns sapatos, dura pouco no guarda-roupas do bebê. Isso, dependendo do modelo e, principalmente, do material. Se for mais maleável e macio, veste como uma luva, ou melhor, como uma meia. Assim, pode ser um casaco que cresce com o bebê. Foi o caso de casacos da Dora que sobreviveram a dois invernos.

casaco tamanho 3 meses aos 14 meses

O de lã colorido tamanho 3 meses está com as mangas curtas, de resto está servindo bem, justo sem apertar. Ele é perfeito para usar em casa em dias frios, para comer ou brincar e não se sujar. É bem feminino, mas com cores vivas que combinam com várias roupas. Ele já tinha sido de outra menina e foi bem adotado por aqui.

Em agosto/2013 e em julho/2014

Em agosto/2013 e em julho/2014

O da Nature Purest era tamanho 3 a 6 meses. Não era muito comprido, mas cobria o bumbum e tinha as mangas dobradas, para mostrar a estampa do lado interno (é reversível). Aos 12 meses, incrivelmente, ainda era uma jaquetinha, que mesmo usada sem dobrar as mangas continuava bonita e confortável. Fora que é neutro, vai com tudo e é unissex. Tão fofinho e macio, de algodão orgânico, dá gosto continuar a usar. Aproveitamos bem nos dias frios de outono, mas agora que mudou a estação está ficando um pouquinho curto nas mangas – a Dora é bem comprida.

Em março, mangas dobradas. Em junho, certinho.

Em março, mangas dobradas. Em junho, certinho.

Na última compra de casaco pra ela, fomos muito bem orientados pela vendedora da Benetton a escolher um tamanho maior, pois é um modelo que não parece grande no corpo e é possível dobrar as mangas. Nosso medo era comprar um casaco para as férias de final de inverno europeu em março e não conseguir usar no frio do Brasil. Apesar da variedade tentadora de cores, escolhi o azul marinho que entra bem com todas as roupas. Ele é quentinho, impermeável e perfeito para viajar, pois é guardado dentro de um saquinho, ocupando pouco espaço na mala – perfeito para visitar a família no frio. Certamente durará todo inverno, mas não tenho certeza se poderá ser usado no próximo ano, porque a mocinha é muito alta e cresce rápido. Talvez pudéssemos até ter escolhido o número seguinte.

Tinha a impressão que mangas que partem do pescoço e não do ombro, bem diagonais, sem marcar a largura das costas, duravam mais. Se for de um tecido pesado, de nada adianta esse corte, pois ficará grande demais antes da fase indicada e logo ficará pequeno ou difícil de vestir. De fato, não marca a largura dos ombros. Se tiver uma boa abertura nos braços e não apertar as axilas, a roupa pode ser usada como manga 3/4.

Leia mais:
Como escolher as roupinhas do bebê

Lavagens especiais

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Algumas roupinhas dos bebês merecem cuidado especial. Principalmente as de tecido orgânico. Afinal, de nada adianta usar algodão orgânico se ele ficar impregnado de produtos químicos após lavado. E antes da chegada do bebê, suas roupinhas (e todo enxoval, kit berço, toalhas, lençóis, fraldas) já devem ser lavadas com sabão neutro sem uso de amaciante (nem mesmo amaciante “infantil”).

Pode lavar quase tudo junto, exceto algumas peças especiais. Não misturo:
– toalhas e paninhos atoalhados;
– roupas de algodão orgânico;
– roupas muito coloridas ou escuras (que podem manchar – de muitas continua saindo tinta após a primeira lavagem).

É importante usar um sabão natural ou orgânico para as roupas de tecido orgânico. Dê preferência sabão de glicerina em pequena quantidade. Se possível, faça um segundo enxágue para evitar que o sabão impregne no tecido. Apenas assim o tecido continuará evitando alergias e respeitando a sensibilidade do bebê.

Fora isso, misturo tudo. Mesmo as fraldas de pano. Sendo que as fraldas de boca, de ombro, as tradicionais e alguns babeiros só são usados depois de passados a ferro.

Prefiro lavar com água fria. Precisei lavar uma vez a toalha de banho de algodão orgânico da Dora em água fervente (porque estava com princípio de mofo, ficou muito tempo num balde molhado), e ela sobreviveu, mas as recomendações da marca era usar no máximo água morna. Cuidado se sua máquina for moderna e tiver um programa de lavagem “bebê”: geralmente esse modo é com água quente, que pode distorcer fibras sintéticas e derreter borrachas de mordedores, caso você lave algum brinquedo.

Outra dica é comprar um balde exclusivo para as roupas do bebê. Nós usamos dois baldes para a Dora e às vezes o ofurô quebra um galho como terceiro. Na casa da vovó também tem um balde só pra ela.

Saiba mais:
Algumas dicas sobre lavagem e por que uso um óleo essencial no enxágue
Dicas sobre lavagem das fraldas de pano
Outras dicas sobre lavagem de tecidos orgânicos ou especiais

Por que usar tecidos ecológicos?

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touca orgânica da Green is Great

Nosso cotidiano está “contaminado” de produtos químicos: o ar que respiramos, os alimentos, água, cosméticos… Há toxinas da cabeça aos pés, no ambiente em que vivemos. Quanto mais conseguirmos reduzir o uso desses químicos, optando por produtos mais naturais, alimentos orgânicos, mais saúde poderemos ter.

Escolhendo o enxoval orgânico para os bebês, proporcionamos aos pequenos um ambiente mais natural, sem componentes químicos que podem causar alergias. Pelo efeito cumulativo dessas toxinas, há até possibilidade de desenvolvimento de algumas doenças ao longos dos anos. É uma forma de cercar de carinho e segurança essas crianças.

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O processo de produção do algodão orgânico respeita o meio-ambiente em todas as etapas, desde a plantação até a fabricação do tecido. Na plantação não se usa adubos nem fertilizantes químicos tóxicos e a água é usada racionalmente (sem desperdício). Na fabricação do fio e do tecido há o cuidado com resíduos e a água também. Os trabalhadores em todo o processo têm seus direitos respeitados, sob o acordo do “Comércio Justo” (não há trabalho escravo, nem infantil e as condições de trabalho não podem ser ruins para os trabalhadores). E apoiando o comércio de produtos sem agrotóxicos, estamos colaborando com um processo que prioriza a saúde em toda a cadeia produtiva, como já comentamos anteriormente no blog.

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saco de dormir de tecido reciclado

Tecidos reciclados – Além do algodão orgânico, há tecidos feitos de fio proveniente da reciclagem, como os famosos “feitos de garrafa PET”. São ecológicos por (1) diminuírem a pressão sobre a matéria-prima original (algodão, petróleo, bambu, etc), já que reaproveita material já fabricado, e (2) reduzirem a quantidade de lixo existente, ou seja, em vez de amontoar no lixo, as garrafas, os restos de tecidos e outros materiais, são recicladas e viram tecido novamente. No caso dos tecidos a partir da reciclagem de outros tecidos, a produção não tem consumo (ou muito pouco) de água, é livre de tingimento, não produz resíduos tóxicos e reduz o volume de lixo no ambiente – nesse processo, o tecido original é selecionado, limpo e desfeito e reaproveitado.

Aproveite para concorrer a um conjunto de babeiro e protetor de punho de material orgânico para manter o ambiente natural na hora da papinha. Inscrições até 22/12.

Post feito em colaboração da bióloga Beatriz Kats, fundadora da Green is Great

Como escolher as roupinhas do bebê

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Algumas características e práticas tornam o guarda-roupa do bebê mais sustentável.

Três princípios para aumentar o ciclo das roupas:
Trocar
Em vez de comprar, você pode pegar emprestado, ir ou fazer feiras de trocas, comprar em brechós ou alugar roupinhas. Faça a roupa circular, pois roupinhas de crianças são usadas por pouco tempo. Mesmo que sujem rápido e sejam lavadas seguido, continuam com aspecto de novas.

Reaproveitar
Algumas cores e estampas mais neutras tornam o produto mais resistentes a modas e duráveis para futuros bebês, independente do sexo.
A matéria-prima também pode ser reaproveitada. Existem tecidos de material reciclado, feitos de garrafas PET. Se você costura as próprias roupas ou tem uma costureira, pode reutilizar um tecido – quem não lembra do filme A Noviça Rebelde? As cortinas da casa foram transformadas em roupas chiques para as crianças.

Cuidar
Procure usar o mínimo de sabão possível (três vezes menos do que o indicado pelo fabricante costuma ser o suficiente), dispense o amaciante para evitar alergias no bebê. As roupas ficam macias e duráveis.
Se a roupinha não sujou, procure utilizar mais vezes antes de lavar – deixe arejar antes de guardar. Se quiser deixar um cheirinho gostoso, guarde na gaveta ou num saquinho com um sabonete em barra infantil. Prefira saquinhos de TNT aos plásticos, pois conservam melhor, enquanto o plástico não deixa o tecido respirar e atrai mofo.
Conserte a costura e os botões caso desgastem de tanto abrir para trocar fraldas, vale a pena insistir no uso.

Comércio sustentável:
Como ter segurança de que estamos contribuindo para um comércio justo e que não existe trabalho escravo ou exploração de mão de obra infantil na fabricação dos produtos? Uma escolha consciente também é adquirir diretamente de produtores em feiras, certamente uma solução mais econômica do que as lojas de roupas orgânicas importadas. Incentiva o comércio local e não polui com frete. São escolhas.

Características a observar ao escolher as peças:

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este é um “wrap top” que pode ser usado como blusa ou casaquinho – tamanho 0 a 6 meses

Tamanho durável – Alguns modelos permitem que a roupa do bebê seja aproveitada por mais tempo. Geralmente esses tamanhos são indicados como 0 a 6 meses, não apenas P, M, G. Numeração RN costuma ser pouco usada, dificilmente poderá ser aproveitada além dos 28 dias – a não ser, de repente, em caso de prematuros.

como é uma peça transpassada, o laço permite ajustar de acordo com o tamanho da criança

Blusas e casaquinhos ajustáveis, como esse amarrado com fita, crescem com a criança.

Calças mais largas no bumbum geralmente duram mais e são melhores para usar com as fraldas laváveis; calças sem pé também podem durar mais se não for muito apertada na cintura. Minha filha já veste tamanho M aos dois meses, mas ainda veste esta calça P (0 a 3 meses), que é larguinha no quadril e justinha no calcanhar – assim o pé não fica “solto” se ela dobra a perna, e a calça não fica comprida nos primeiros dias:

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algodão orgânico colorido 0 a 3 meses

Camisetas duram mais que bodies e são mais praticas para usar com as fraldas (o body logo fica curto para fechar com a fralda de pano moderna), mas verifique se a passagem da cabeça é confortável e ampla.

Alças de vestidos e macacões ajustáveis também ampliam o uso.

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neste macacão, o botão fica na alça; poderia ser invertido

Jardineiras são usadas fofinhas e largas no quadril, também resistem mais ao crescimento da criança.

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jardineira orgânica adquirida no site de compras coletivas norte-americano Zulily

Tecidos macios e flexíveis expandem mais e são mais fáceis de colocar, mesmo quando a criança cresce. Uma jaquetinha jeans, por exemplo, pode ser linda, combinar com várias peças e parecer que ainda está no tamanho da criança, mas como o tecido é mais duro, talvez seja impossível de vestir.

Tecido e tinta – por que cuidar?

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Algodão orgânico e tingimento natural deixam a roupa macia e são hipoalergênicos, protegendo a pele do bebê. Roupas muito coloridas, dependendo da tintura, gastam mais água e são menos práticas, pois precisam ser lavadas separadamente. Acreditem, há roupinhas infantis com cheiro forte de tinta. Além disso, o processo de fabricação do tecido natural é menos prejudicial ao meio ambiente, sem utilização de substâncias tóxicas.

O algodão ocupa cerca de 55% das terras cultivadas do planeta. Para seu cultivo, utiliza-se 75% dos inseticidas do mundo. Sem utilizar agrotóxicos, contribuímos para a saúde do solo e das pessoas, desde os agricultores até os consumidores.

Além da consciência ecológica, tem a questão prática:
– roupinhas que fecham nas costas são difíceis de fechar;
– bodies que fecham na frente são mais fáceis de colocar do que os que passam pela cabeça;
– no geral, golas que não tem botão do lado são mais anatômicas e tranquilas de colocar;
– macacões que fecham com zíper são os mais práticos, mas, ainda que sejam de algodão, devem ser usados com um body por baixo, pois a cada troca de fralda o corpinho todo fica exposto ao frio.


Leia mais

Sobre algodão orgânico colorido brasileiro
Um guia interessante para o enxoval do bebê – lembrando que é difícil calcular a quantidade e o modelo das peças do bebê por estação pelos seguintes motivos (ao menos no Sul e Sudeste do Brasil): mesmo que você saiba o mês que o bebê vai nascer, não se pode adivinhar com que rapidez ele vai crescer; não existe norma para a numeração de roupas no Brasil, então há bastante diferença nos tamanhos; as estações do ano estão cada vez menos definidas, infelizmente. Assim, mamães de primeira viagem, não se empolguem muito com as compras, até porque se ganha muito presente e os filhotes crescem rápido e pouco usam as roupas.