Amamentar até os dois anos, sim

Selfie da Hora do Mamaço 2014

Selfie da Hora do Mamaço 2014

A recomendação da OMS – Organização Mundial de Saúde é que o bebê seja amamentado até pelo menos os dois anos. A amamentação garante a boa nutrição, que está ligada ao crescimento físico da criança, mas também é tão rica em nutrientes que beneficia o desenvolvimento da criança em outros aspectos também – como o DHA, que permite que o cérebro alcance seu maior potencial cognitivo. Sem contar no vínculo afetivo mãe e bebê, que proporcionará segurança ao filho.

Surgem os dentes, a criança começa a falar e, na minha experiência, tudo vai ficando mais prático. Depois dos 10 meses e meio da Dora, preocupada com a introdução de alimentos e certa que amamentar não tira a fome nem a vontade de comer, parei de anotar as mamadas. Pra ser bem sincera, ainda anoto as últimas da noite para lembrar que horas pegou no sono (bem que gostaria saber fazer dormir à noite sem amamentar).

Aos 15 meses (um ano e três), ela pede pra mamar (“mamá, mamãí”). Avisa quando tem que mudar de lado. Já quase abre sozinha as blusas e os sutiãs. Mama em qualquer posição.

Nos primeiros meses, evitava que mamasse deitada pra ficar com a cabecinha mais alta e depois arrotar direitinho. Agora temos manhãs e algumas madrugadas preguiçosas, em que ela mama deitada de ladinho e já emenda num sono gostoso na cama de casal. Quando o pescoço não era firme, achava difícil experimentar a tal “posição do cavalinho”, ainda mais que nasceu bem comprida. Agora mama sentada de frente pra mim e pega no sono no meu colo na maior facilidade. Com uns 12kg, ainda consigo amamentar com ela amarradinha em mim, no MeiTai.

Não tive problemas com mordidas. Se fechava a boca e quase enfiava os dentes é porque continuava pendurada no peito dormindo, aí é só colocar o dedo mínimo e tirar a boca dali. Mas começou com o péssimo hábito de procurar o outro bico do seio pra beliscar enquanto mama, como se quisesse garantir bastante leite. Às vezes, busca o absorvente de seio e se agarra nele, e a roupa fica com aquela mancha de leite materno… Já fiquei sabendo que não sou a única mãe beliscada, outras mães que amamentam dos dois lados já se solidarizaram. Tentei substituir o outro bico do seio ou o disco absorvente pelo paninho de ombro (hoje bem menos utilizado) pra ela segurar ou se esconder, mas não funcionou ainda tão bem.

Mamar é sobremesa do almoço. Mamar é sonífero. Mamar é aconchego e consolo. Mamar é uma das primeiras refeições do dia, mas já não é café da manhã. Ela participa das refeições da família, mas também papa primeiro e mama enquanto a mamãe come. E desse tamanho, tão pequeninha, aponta e mostra que prefere mamar na poltrona de amamentação!

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Amamentação: pulando obstáculos

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Amamentação: primeiro aparelho ortodôntico

Mídia Ninja

Hora do Mamaço 2013 – Brasília/DF * Foto: Mídia Ninja / flickr

Como amanhã inicia a Semana Mundial do Aleitamento Materno, convidei a Drª Andreia, odontopediatra, para escrever sobre os benefícios da amamentação para a arcada dentária do bebê.

Amamentação x maloclusão dentária

A amamentação, por pelo menos seis meses de vida, além de trazer benefícios nutricionais, imunológicos e emocionais, fortalecendo o elo entre a mãe e o bebê, pode refletir na fala, na respiração, na deglutição e na dentição da criança.

Quando o bebê puxa o leite diretamente do seio da mãe (movimento de ordenha), fortalece a musculatura labial e ainda estimula o crescimento facial, a formação das arcadas dentárias e o correto posicionamento da língua. Durante a mamada, o bebê é obrigado a utilizar exclusivamente o nariz para respirar, o que evita a respiração bucal, responsável pela maioria das alterações nas arcadas dentárias. Ao mamar, a criança aprende a respirar, mastigar e deglutir de maneira adequada.

A amamentação ajuda bastante a prevenir problemas de maloclusão dentária. São as famosas mordidas abertas, mordidas cruzadas – mal posicionamento dos dentes e das arcadas dentárias. Assim, pode-se dizer que a amamentação funciona como o primeiro aparelho ortodôntico preventivo da criança.

Outro benefício da amamentação para a saúde bucal vem da isenção de produtos cariogênicos, como a sacarose. Dessa forma, surgindo os dentinhos na cavidade bucal, estão protegidos de cáries.

Dra. Andreia Ziliotto Berlitz
Especialista em Odontopediatria-CRO/RS7536
Porto Alegre-RS
Email: deiaberlitz@terra.com.br

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Hora do Mamaço 2014: dia 2 de agosto, às 10h
Hora do Mamaço 2013

 

Como adaptar looks para gravidez e amamentação

Tanta roupa boa que deixa de ser usada na gravidez e na amamentação, não é mesmo? Não precisa ser assim. Com alguns acessórios, nenhuma barriga de gestante ou pós-parto precisa passar frio. É só incluir no guarda-roupa uma faixa para as barrigudinhas ou uma camiseta base para as mamães.

Sabe aquela vontade de abrir o botão das calças jeans pra encaixar a barriga? Na gestação não é um capricho depois do almoço, é uma necessidade por bem mais tempo. Com o Mammybelt, é possível abrir o botão com estilo e protegendo a barriga. Nesta loja online, eles vendem nas cores básicas e também faixas avulsas coloridas ou com detalhes charmosos, como rendinhas.

como usar o mammybelt

como usar o mammybelt

Não enfrentei o inverno grávida, então não precisei usar roupas de frio com o barrigão e não conhecia o acessório na época, digo sem experimentar. Deve funcionar melhor com calças que já são de cintura baixa. Mais para o final da gravidez, além do barrigão enorme, o quadril naturalmente fica mais largo para preparar o corpo para o parto – aí certamente roupas mais apropriadas para gestante ou leggings e calças de cotton ou de tecidos mais maleáveis devem ser mais confortáveis e indicados. Mesmo assim, a faixa economiza gastos desnecessários no começo da gravidez, quando a gente nem tem total noção do tamanho que a barriga vai ficar.

E depois, para amamentar, acabamos nos limitando a cardigans, camisas e blusas que abrem na frente. Com uma camiseta base, como o modelo da Samba Calcinha, as blusas cacharel, os blusões de lã e as camisetas podem continuar em uso. É só levantar a blusa sem vergonha, que ali está a segunda pele já com a abertura para o sutiã de amamentação. Prático e quentinho. Aproveitem que a Samba Calcinha está liquidando esta semana!

camiseta base para amamentação

 

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Sem limite de colo

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Colo e carinho em excesso não têm efeito colateral – a não ser criar uma criança feliz e segura (e ocupar os braços e forçar a coluna da mãe). A psicoterapeuta Laura Gutman explica que os filhotes de outros animais prontamente nascem independentes, com a habilidade de se locomover. Já os bebês humanos passam por mais 9 meses de gestação extrauterina.

“(…) quando o bebê tem suas necessidades respeitadas, logo cresce e evolui. Se sua segurança interior for forte, terá mais coragem e vontade de explorar o mundo exterior.

Lembremos que ninguém pede aquilo que não precisa.”

Laura Gutman – A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p. 130

Por isso, sou muito fã dos carregadores de tecido, especialmente o babysling e o Mei Tai, que são os que já experimentamos. Afinal, um bebê tão pequeno não aprendeu a fazer manha. Muitas vezes precisa de colo extra, sim. E você vai agradecer por poder ficar juntinho do bebê e ter as mão livres.

O sling ou ring babysling, que é o carregador de argola, é muito prático e pode ser usado desde o nascimento. Há uma variedade de posições para colocar o bebê – que você pode conferir neste manual. É como uma redinha, um ninho bem aconchegante, onde ele pode ficar na posição que estava no útero. Bem pequeninho, ele pode ficar deitado, na altura do peito. E você pode deixar de prontidão, encaixado, e ajustar o tecido ao colocar o bebê – puxa embaixo, de um lado, afasta um pouco o nó… Há várias posições para adotar, mais ou menos de acordo com os diferentes colos (hoje uso mais o apoio lateral, sentadinha).

Na rua, você pode proteger o bebê (do sol, da fumaça, dos olhares e até da garoa) com o que sobrar de tecido do outro lado da argola. Alguns modelos vêm com bolso nesse restante de tecido. Seu tamanho, quando comprado sob encomenda, pode ser ajustado de acordo com a altura da mãe, como já havia comentado. E pode facilitar a amamentação em lugares públicos – além de discreto, é um apoio para segurar o nenê em posição confortável.

As argolas podem atrapalhar em duas situações. Se for fazer longas caminhadas, descer ladeiras, o sling vai escorregando e você sentirá a pressão da argola no seu ombro, no ossinho. Ao passar em detectores de metal, no banco ou no aeroporto, pode apitar o alarme. No aeroporto costumam pedir para você passar no detector segurando a criança afastada do seu corpo, então não vai poder usar o carregador nesse momento. Além das argolas de inox, como eu uso, existem as argolas de nylon, injetadas especificamente para este fim, que são seguras e podem ser uma alternativa nessas situações.

O Mei Tai é o que mais se aproxima do canguru (para quem não conhece, é o desta foto). Foi nosso presente do Dia dos Pais e é um bom recurso de participação paterna. Mesmo que o a papai tenha usado com sucesso (fotos acima para comprovar), é o meu recurso favorito para os colinhos do final da tarde, quando preciso resolver algumas coisas e a Dora já está cansada.

Ainda que seu uso seja lógico (sem precisar quebrar a cabeça com o que fazer com o pano, um impasse para iniciantes no wrap, por exemplo), tive uma preguicinha inicial pra começar a usar. Até assistir ao vídeo abaixo e ficar segura de que poderia amarrar sozinha o Mei Tai em mim. Mas é importante aguardar o bebê estar com o pescoço bem firme e poder afastar as perninhas no seu colo para começar a usar.

Diferente de alguns modelos de canguru, o contato com a criança é direto, com o calorzinho do peito, sem material intermediário. Eu duvidava que o bebê pudesse dormir no colinho de Mei Tai, mas é totalmente possível. Na posição barriga-com-barriga, como demonstra o vídeo, minha filha encosta a cabecinha no meu peito e, já nos primeiros dias de uso, dormiu confortavelmente ali. No colo do papai, também.

Estou quase tão fã do Mei Tai quanto do babysling. Já me deu mais segurança para usar em transporte público ou mesmo em táxi. Com o crescimento do bebê, sua coluna vai agradecer por distribuir melhor o peso. Uso como uma mochila na frente – se preciso tirá-la dali, abaixo as alças e pego por cima, conseguindo posicioná-la novamente sem ter que amarrar tudo do zero.

Aliás, esse modo de carregar (barriga-com-barriga) e sua forma de fechar é bem parecida com a do wrap – que é literalmente um pedaço comprido de pano. Se for escolher um wrap, a dica da brasileira que mora na Croácia é preferir os modelos que têm uma estampa diferente no centro, indicando onde você deve posicionar o bebê.

Apesar de quase todos eles poderem ser usados como mochila, nas costas, acho que só terei coragem de usar dessa forma com criança maior. Até mochila ou bolsa precisamos carregar na frente do corpo no Brasil! Mas no mundo todo, esse é um dos modos mais comuns de carregar o bebê.

Veja como usar o Mei Tai e como amamentar usando o babysling:

amamentar

mudar de lado
(esse sling do vídeo não tem argola, mas no meu, com argola, sentia mais segurança em posicionar a cabecinha no lado da argola, o que ficava mais parecido com a posição que ela demonstra)

Mei Tai

Saiba mais:
Sobre carregadores em passeios
Outro vídeo sobre amamentar com sling

PS.: já aconteceu de eu estar na rua, usando o Mei Tai, e vazar xixi da fralda – ele absorveu e não deixou que me molhasse, ufa!

Alimentação para a nutriz

Mãe que amamenta tem tanta ou mais fome do que na gestação. Principalmente nos primeiros dias, pode chegar a ter desejos! Tive mais desejos quando comecei a amamentar do que grávida.

brocolis

saudade de brócolis
Foto: Frédéric Voisin-Demery

No geral, mudei bastante o cardápio em relação à gravidez. Não existe alimento proibido, o importante é se alimentar bem, mas você pode observar como o bebê reage. Não como mais brócolis, couve-flor ou vagem nem tempero com muito alho – dão cólica na minha filha. Diferente da gestação, diminuí o leite e a salsinha. Cortei quase totalmente (a não ser em algumas recaídas) leite de vaca e derivados em função do refluxo do bebê. Já couve e espinafre, por exemplo, posso comer à vontade.

No pós-parto, estava preferindo frutas e alimentos laxantes. Passados os primeiros 30 dias, pude voltar a comer feijão. As propriedades do feijão que provocam cólica no bebê (ou gases em geral) desaparecem se os grãos forem bem lavados. Isso significa deixar 12h de molho e não reaproveitar essa água, lavar mais vezes até o líquido não ficar mais escuro (no caso do feijão preto).

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feijão preto sem medo
Foto: Paul Goyette

As frutas continuam boas aliadas. Até porque, por mais que procure criar uma rotina no bebê, já virou rotina não manter as refeições em horários pré-estabelecidos e não consigo ficar tanto tempo sem comer. No inverno, por exemplo, vale aproveitar, pra quem gosta, a safra da bergamota (lá no Sul chamamos assim), muito prática para descascar (preguiça não é desculpa). Morangos orgânicos são fáceis de lavar e nem são descascados. Na primavera as opções aumentam e vale se puxar mais e preparar uma saladinha de frutas.

O tempo para se alimentar é escasso. Então – eu, pelo menos – me acostumei a comer com o bebê no colo e até a me alimentar usando a mão esquerda (sou destra). Por isso tenho ficado cada vez mais interessada em superalimentos.

Três passinhas de goji berry, por exemplo, uma frutinha vermelha do Tibet, suprem a quantidade diária de vitamina C de uma pessoa – como a vitamina C ajuda na absorção do ferro, sou vegetariana e estou amamentando, aumentei essa quantidade para umas cinco passinhas. Elas são muito pequeninhas e vermelhas, têm sabor levemente azedinho e podem ser misturadas na salada ou na vitamina/smoothie. Para sua eficácia, devem ser reidratadas, consumidas com líquido. Estão na moda porque ajudam a perder peso, por estimularem o metabolismo. Elas vêm de tão longe, o que é pouco “sustentável”, mas é a mãe “saudável” que fala mais alto – que está louca para ir a pé até a Zona Cerealista de São Paulo comprar mais.

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goji berries
Foto: Miriam Wilcox

Leia mais:
Um artigo da Mamãe na Ponta Verde sobre os “alimentos proibidos” na fase de amamentação
Chás para mamães – recomendados para a produção do leite
Bebida de mãe – duas receitas deliciosas
Apoio para amamentação – tudo o que deve estar ao lado da mãe que amamenta

Amamentação: pulando obstáculos

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Foto: HoboMama

Não gosto de ressaltar o lado negativo das coisas, parece mais difícil do que de fato é. Muitas mães têm dificuldade em amamentar, principalmente no comecinho. Então resolvi dividir aqui minha experiência para vocês entenderem que são pequenos obstáculos que conseguimos superar.

A Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde do Brasil e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e o aleitamento materno complementado pelo menos até os dois anos – inicialmente complementado pela introdução de alimentos e, após, complementando a alimentação. Essa continuidade é importante, de acordo com os pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria, porque “protege contra doenças e contém nutrientes e calorias necessários para o bom crescimento e desenvolvimento” (pág. 194 do livro “Filhos – da gravidez aos dois anos de idade”). O leite materno previne obesidade, hipertensão, diabetes, alergias, infecções respiratórias e de ouvido (pág. 192) – segundo eles, o leite humano contém 250 substâncias de proteção para o bebê. É uma vacina poderosa que não se encontra em postos de saúde.

Sem contar sobre o vínculo mãe-bebê que o aleitamento materno proporciona… Além da facilidade em perder o peso acumulado na gravidez. E da amamentação fazer o útero se contrair e voltar ao tamanho anterior.

Leite fraco ou insuficiente não existe
Tá em todos os livros, mas vou repetir aqui: não existe leite fraco ou pouco leite. E o leite pode levar uns dias para “descer” – para quem fez parto normal, até três dias; parto cesárea, estima-se até cinco dias. E o bebê tem uma reserva calórica para esse comecinho. Nos primeiros dias pode parecer pouco leite, mas é suficiente para o bebê. Ainda citando o livro “Filhos”: “todo leite materno é forte e bom” (p. 195). Quanto mais amamentar, mais irá produzir.

Primeiro vem o colostro, altamente nutritivo. Ele é transparente e pode ser amarelado. Depois de alguns dias, o leite, off-white. No decorrer da mamada, varia a composição do leite materno, por isso é importante deixar o bebê mamar bastante, para receber todas as propriedades. Segundo o livro, se o bebê tomar apenas o leite do início da mamada, pode sentir fome mais vezes – um motivo para você não limitar o tempo de cada mamada.

Fissuras no bico
No hospital, as enfermeiras perguntavam “ainda não rachou?”, como se estivesse por vir esse momento. Alguns dias depois, em casa, numa madrugada dando de mamá, senti as fissuras nos dois bicos. Amamentar assim era como se sentisse um choque elétrico em cada mama. Foi uma única noite com essa dor. Na manhã seguinte, fui assim que possível para o sol.

Como já falei, o melhor remédio e a melhor prevenção é pegar sol direto no peito. Pelo menos desde a metade da gravidez e durante o primeiro mês do bebê. Se estiver nublado e com vento, pode expor que já ajuda a deixar os bicos mais resistentes. Não lavar com sabonete desde a gravidez também protege.

Para “remediar”, passe o próprio leite materno sobre os bicos. E deixe o bebê continuar a mamar. Experimente posições diferentes, como a posição invertida ou deitar na cama e deixar o bebê mamar de lado.

Produção em excesso
Quando a quantidade de leite não está regulada ainda, o que pode levar mais de um mês para ajustar, há produção em excesso. Por isso se aconselha doar. Com tanto leite, eu pelo menos não sabia quando a mama esvaziava. E ela pode entumecer e provocar mastite.

Nesse caso, recomenda-se não espaçar muito as mamadas. Pra tirar o excesso, fazer massagem e tirar manualmente o que restar logo após as mamadas. Se tiver em excesso, evitar deixar cair água morna ou quente do banho sobre o seio (vira de costas, coloca a cabeça bem pra trás, etc) – mas pode tomar sol. A concha de silicone ajuda também a tirar o excesso e a deixar o bico respirar, sem roçar no tecido e machucar.

Caso tenha febre, fale com seu médico. A princípio, a febre também não é empecilho para amamentar.

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Nursing Mother (Stephanie Gruenwald) 1917, Egon Schiele

Paciência
Passada a fase, podem surgir novos desafios. Em todas as etapas, é importante uma dose de tranquilidade e paciência da mãe. A criança cresce e presta mais atenção no mundo e se distrai com as coisas ao seu redor. Se muito bebê você tinha que fazer cosquinha no pé para combater o sono, agora o obstáculo pode ser a concentração. Barulho, visitas, objetos podem ser motivos de distração ou incômodo. É bom criar um ambiente calmo para o bebê mamar e, ainda mais importante, que a mãe esteja relaxada e descansada.

Quando minha filha parece que está “brigando” com o peito, aprendi que:
– ela estava esvaziando aquela mama e pedindo para mamar do outro lado;
– ela estava pedindo para fazer um rápido intervalo para arrotar e depois voltar a mamar;
– ela estava cansada e precisava mamar em um ambiente mais calmo, mais silencioso ou com menos luz;
– estava com sono, em pouco tempo dorme.

Já aconteceu também, mesmo que tenha trocado a fralda antes de mamar, ela pedir para parar de mamar por ter feito cocô. Nesse caso, não chego esperar os 30 minutos para arrotar, mas ainda tento esperar um pouco. Posiciono uma almofada no trocador para ela não ficar totalmente deitada – algumas mãe conseguem trocar com o bebê deitado de lado (menino parece mais fácil). Às vezes volta a mamar em seguida, muitas vezes vai fazer um intervalo normal, continuando na próxima mamada.

Se ela fica impaciente, geralmente experimentamos mudar de lado (mama), parar um pouco (em posição de arrotar), mudar de posição (posicionada invertida para mamar) ou dar uma voltinha no colo para acalmar. No auge do refluxo, aprendi a amamentar de pé, balançando para acalmá-la enquanto mamava – mas foi um dia só assim. No blog Amamentar é tudo de bom, há um artigo sobre esses “bebês brigões”.

Dentes
Com a vinda dos dentinhos, não precisam ter medo. Os únicos comentários assustadores que escutei eram de pessoas que nunca amamentaram, por que precisaria considerá-los? O bebê coloca a língua sobre os dentes, você nem sente a “serrinha”. Nesse período, o bebê pode ficar também mais irritadiço, entre outros sintomas. É natural que coincida com o aumento do interesse pelas coisas que você come ou toma e também aí o início da introdução de alimentos.

Se informe mais:
Recomendo muito os cursos específicos sobre amamentação a partir do sexto mês de gravidez.
Um vídeo do Amamentar é sobre a pega correta
Este livro que comentei também é muito bom na preparação para a chegada do bebê e traz o passo-a-passo da amamentação (a boca de peixe, o queixo quase encostando na mama… e muitos textos interessantes): Filhos: da gravidez aos dois anos de idade – dos pediatras da Associação Brasileira de Pediatria, da editora Manole, organizado por Fabio Ancona Lopez e Dioclécio Campos Jr.

Doação de leite

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Campanha nacional 2013 pela doação de leite materno

Dia 1º de outubro se comemora o Dia Nacional da Doação de Leite Humano. Neste ano, a Rede Brasileira de Bancos de Leite completa 70 anos de atividades. Ontem, Yaskara Delgado Randisek foi homenageada, entre outras mães, pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo por doar leite a uma maternidade da zona leste da capital.

Tirando o excesso de leite, Yaskara evitou dores e deixou muitas crianças saudáveis. Doou sozinha 26 litros de leite. “Eu teria de tirar o leite de qualquer maneira, porque, quando o seio está muito cheio, o aleitamento é dolorido e dificultoso”, declarou.

Quem está nessa fase de excesso de produção de leite pode aproveitar para fazer sua doação. Muitas vezes nem é preciso ir até o banco de leite, alguém vem até você receber o material. Foi o caso de Yaskara. Depois de coletar seu sangue, a equipe da maternidade Leonor Mendes de Barros passou a voltar semanalmente para retirar seus frascos com leite.

Amamentando, não temos muita noção da quantidade que o bebê mama e, fazendo a ordenha, parece sair muito pouquinho. Não tem problema. Você pode congelar esse pouquinho em um recipiente de vidro esterilizado e, na próxima retirada, você utiliza outro frasco para a ordenha e armazena sobre aquele mesmo congelado. Anote no vidro a data da primeira ordenha, pois esse leite será válido para doação em até 15 dias no freezer. Veja os passos para doação de leite neste link.

O que me admira é o fato dos profissionais de muitas maternidades não incentivarem a doação de leite. Pelo menos quando tive princípio de mastite, perto do 30º dia da Dora, ninguém falou nada. Só não me incentivaram a retirar o leite com a máquina, mas pela ordenha manual, para não aumentar ainda mais a produção de leite. Falta informação acessível. Infelizmente, em São Paulo, é bem difícil falar com a Secretaria Municipal de Saúde e ninguém atendia nos telefones em muitas vezes que liguei. Mas procure a maternidade mais próxima no seu bairro ou cidade, pois certamente a comunicação deve ser mais rápida no contato direto.

Consulte a lista de postos de coleta de todo o Brasil neste linkAqui há uma lista de endereços só da cidade de São Paulo e região metropolitana. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo disponibiliza o seguinte telefone para doações no interior: (16) 3610-2649.

Chás para mamães

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Duas dicas de chás para mamães:

Anis estrelado
Por que tomar: Dica da minha amiga Sara, supermamãe do Davi e da recém-nascida Clara. Estimula a produção de leite materno e previne as cólicas do bebê (as propriedades são transmitidas através do leite materno). Veja este depoimento de outra mamãe que também aderiu ao chá.

Como faço: Fervo oito estrelas de anis em um litro d’água por cinco minutos e deixo até 15 minutos em infusão. Segundo a Sara, deve ser tomado quente e puro, quatro xícaras por dia (e fica mais gostoso ainda quente).

Onde encontrar: para quem mora em São Paulo, o melhor lugar são os armazéns da Zona Cerealista.

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Foto: BioÉ Orgânicos

Hortelã
Por que tomar: Dizem que inibe os gases, então é bom para o bebê que é amamentado (os benefícios se estendem através do leite materno), e para a mãe. As mudanças hormonais no período pós-parto são comparáveis à menopausa. Além do estresse das primeiras noites mal dormidas, há uma considerável diminuição de estrogênio – mesmo hormônio que deixa o cabelo das grávidas lindo e forte. Estimulando ou não a produção de estrogênio, esse chá não contém cafeína. Por essa razão e por ajudar na digestão, pode ser bom para gestantes. Recomendado na gestação também em função da retenção de líquidos, já que o hortelã é diurético e o chá ajuda no bom funcionamento dos rins. Atenção: este post sobre as propriedades do hortelã alerta para evitá-lo antes de dormir.

Como faço: Fervo um punhado de folhas de hortelã em um litro d’água e deixo em infusão por cinco minutos. Sirvo e consumo ainda quente, puro. (Muito mais gostoso com folhas frescas do que no saquinho!)

Onde encontrar: Em qualquer supermercado, em feiras (de preferência, orgânicas), mas você pode ter sempre em casa numa hortinha de temperos.

Para servir, nada mais belo do que uma xícara bem vintage da sua família ou garimpada em feirinhas de antiguidades. Na foto, uma banca da feira de San Telmo, de Buenos Aires. Num chá da tarde entre mamães (por que não?), separe algumas estrelinhas ou folhinhas para decorar o pires.

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Foto: Matraqueando

Saiba mais:
Sem cafeína na gestação
A queda de cabelo no pós-parto, segundo uma dermatologista
O estrogênio, segundo uma yogi e doula
A Feirinha de San Telmo, segundo uma viajante

Sem pudor: mamaço

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Existe algo mais auto-sustentável do que a amamentação? Apesar da recomendação da Organização Mundial de Saúde pela exclusividade do leite materno até os 6 meses do bebê, o Ministério da Saúde estima que apenas 41% dos menores de 6 meses são alimentados apenas no peito. Comemorada anualmente entre os dias 1º a 7 de agosto, a Semana Mundial da Amamentação visa conscientizar as pessoas sobre a importância do aleitamento materno.

No Brasil, 4 de agosto é dia de mamaço. Em diversas cidades, às 14h, mães vão se reunir contra o preconceito à amamentação em público. Será uma amamentação coletiva. No ano passado, o mamaço rendeu este vídeo.

É um absurdo que possa existir preconceito. Sou totalmente a favor da amamentação em qualquer lugar. Onde quer que você vá, o leite está ali, pronto e na temperatura perfeita para o bebê mamar, não precisa de mais nada. As mães devem literalmente peitar os preconceituosos – como essa mãe poetisa inglesa, Hollie McNish:

A natureza é tão perfeita, que a mulher tem nove meses para preparar o corpo para receber o bebê. São tantas as mudanças que a gestante tem que enfrentar. Faz parte delas o despudor. A barriga salta pra fora e se torna pública, todo mundo quer encostar, abençoar com as mãos. Não existem “borboletas na barriga” pela mão que toca, a sensibilidade é interna, dos movimentos suaves como um peixe ou rápidos como um trem do bebê que se forma.

Na gravidez, há um desprendimento, um certo desapego do corpo, e um processo de aceitação. A mulher fica “sem-vergonha” mesmo! Não é por acaso que são tantos os ensaios nus com gestantes. Na yoga pré-Natal, por exemplo, há uma redescoberta do prazer com os movimentos.

Um exercício de despudor que prepara o “forno” desse leitinho e a coragem da mãe é expor o peito ao sol. Seja por uma fresta da janela, na sacada, na área de serviço. Corpo de gestante pode tudo e merece muita luz e vitamina D. O sol é milagroso, ajuda na produção do colostro e na preparação das tetas para amamentar. Na falta ou no excesso de leite, em caso de fissuras: sol nas mamas. E a melhor “pomada” para o bico do seio é o próprio leite materno.

Perdi minha “tatuagem” do top do biquini tomando sol na gravidez. Não teria medo de conhecer uma praia de nudismo nesse período, seria um alívio. O resultado foi muito leite e o peito até esteticamente preparado pra ser posto pra fora.

Vamos peitar o preconceito e amamentar juntas nesse domingo? Confira a lista de cidades participantes aqui.

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Saiba mais:
Evento no Facebook
Artigo do Roteiro Baby sobre a Semana Mundial de Amamentação 2013

Nursing Log

Estou adorando este aplicativo para o celular que já havia comentado aqui, o Nursing Log:

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É possível incluir uma notinha sobre cada mamada:

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Clique uma vez sobre o registro e clique no post-it amarelo que diz “notes”.

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Para salvar o texto, aperte o botão “done” no canto superior à direita.

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Se acabou a bateria e você amamentou, você pode incluir uma mamada a qualquer momento na lista. Só clicar no sinal de mais:

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Você pode editar as informações e fazer correções, como editar a duração (veja a mesma imagem onde aparece o post-it “notes”). Funciona da mesma forma que o novo registro. Clique uma vez sobre a linha da mamada a editar e ajuste o tempo em cada peito arrastando para a direita ou esquerda o botão de duração. Corrija o horário ou data selecionando as informações no quadro inferior. Você pode marcar qual a mama do início e do fim da mamada apenas clicando sobre o botão de começo (à esquerda) ou final (botão à direita): selecione L (left para peito esquerdo) ou R (right para direito).

Se precisar, para apagar um registro, é só deslizar o dedo sobre aquela linha e apertar no botão delete:

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