Bem-vinda, primavera

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Setembro foi o mês de redescobrir as ruas, curtir andar a pé, sair para observar os ipês e colher amoras. Descobrimos também que alguns dos caminhos mais bonitos de São Paulo estão nas ciclovias – pelo menos nessas abençoadas pelas árvores! Tanto que a mocinha minha filha pegou o gosto de andar na bici dela por aí. Três coisas para contar.

Das amoras
Esses tempos tentaram cortar nosso barato. Estávamos descendo as escadas para seguir em direção ao metrô e paramos para comer amoras. Eis que um senhor de terno parou atrás de nós só esperando para falar comigo.
A árvore era dele, fiquei pensando? Ele estava fumando e queria me alertar para não oferecer amoras para minha filha pois o ar é muito poluído, passam carros e ônibus na rua. Eu retruquei que essa sujeira também entra pela minha janela, inclusive da cozinha, e que eu preferia isso a comprar frutas com agrotóxicos e que, além disso, ele estava contribuindo para aquela poluição fumando.
Tenho amigos saudáveis, inteligentes, queridos e crescidos que cresceram se pendurando em amoreiras nas calçadas e praças em Porto Alegre, onde também passam ônibus. Por que ele, com aquele cigarro apontado, teria que se meter na criação da minha filha? Me tirou do sério, escutou muito.
Infelizmente, quando passamos de novo nesse mesmo caminho, realmente cortaram nosso barato: podaram os galhos mais acessíveis dessa amoreira, levaram embora mesmo. Menos mal que ainda existem muitas amoreiras por aí (perto do asfalto) para manter esse delicioso sabor de infância.

A bici
Já havia contado das balance bikes, bicicletas de equilíbrio. Minha filha tem uma de madeira, que, na época dos posts, era ainda triciclo. Ela usou por muito tempo como um andador, empurrando, mal sentava. Sempre dizia pra ela dar um impulso e soltar os pés, andar mais rápido, mas nada. Não estava acreditando muito que ela fosse se aventurar a usar.
Quando parei de falar, aos 3 anos e 4 meses, ela mesma pediu para andar e começou a experimentar. Sentiu o gostinho da velocidade, aprendeu a descer (e gostar de descer) rampas. Experimentou a autonomia, como se a bici fosse o “carro” dela. Já andou até em ciclovias.
Assim, para alguns caminhos a pé pudemos abandonar o carrinho. Conseguimos ir de casa ao metrô ou ao supermercado (mais próximo) com ela “dirigindo”. Nossa ciclista pede diariamente por um passeio de bike agora.

O carrinho
Adoro os amiguinhos da minha filha. Um dia desses, um deles fez a ela uma pergunta que nenhum amigo meu ousou fazer pra mim quando eu era pequena. Por que ela não tinha levado um carrinho pra eles brincarem no parque?
Esse é desses meninos que também brincam de boneca, leva um bonequinho pra tomar banho no balde, brincadeira de criança, ora. Tem um outro menino que já se fantasiou de princesa, de príncipe, de fantasma, sim, de princesa, enquanto brincavam com panos no Sesc.
Ela até tem alguns carrinhos. Não pensei em levar para o parque porque um deles pode enferrujar e os outros dois são de madeira, também não podem ser molhados. Mas minha filha fez outra interpretação da pergunta e teve a brilhante ideia de levar carrinho de boneca ao parque. Passou uma semana inteira pedindo. Até que foi numa tarde de sexta empurrando seu carrinho. Meia hora (nos seus passinhos) sem pedir colo. Parou apenas para tomar um gole d’água ou colocar/tirar casaco.
Depois dessa experiência, estava pronta para fazer o mesmo trajeto de bicicleta! Deu certo. Foi e voltou, mas com um intervalo maior para descansar.

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Leituras primaveris

Passeio: Projeto Tamar

Tartarugas marinhas no Projeto Tamar Praia do Forte * foto: acervo pessoal / todos os direitos reservados

Tartarugas marinhas no Projeto Tamar Praia do Forte * foto: acervo pessoal / direitos reservados

Ao contrário do que se pensa, no inverno praia também é uma boa pedida. Viajar fora de época é uma escolha sustentável para fugir dos destinos em alta temporada. Para as férias de julho ou para qualquer momento, inclusive dias frios ou nublados, minha sugestão é um passeio a um dos centros de visitantes do Projeto Tamar. Presente em 25 endereços no Brasil, a instituição que preserva as tartarugas marinhas brasileiras (além de outros animais como raias, tubarões e da vida marinha como um todo), através da pesquisa, proteção e manejo das espécies, todas ameaçadas de extinção, tem oito centros de visitação: Fernando de Noronha, PE; Oceanário de Aracaju, SE; Praia do Forte, BA; Arembepe, BA; Regência, ES; Vitória, ES; Ubatuba, SP; Florianópolis, SC. Todos em regiões litorâneas turísticas, unindo lazer com educação ambiental.

Orientação do Projeto Tamar Ubatuba em relação aos demais *foto: acervo pessoal

Orientação do Projeto Tamar Ubatuba em relação aos demais *foto: acervo pessoal

Os centros do Tamar apresentam tanques e aquários com tartarugas marinhas ou outros animais, painéis informativos, réplicas de tartarugas em tamanho real, salas de vídeo, lojinha e proporcionam atividades com interação, visitas guiadas e, eventualmente, até shows. O legal é se informar sobre as atividades dos locais antes de visitar. As tartarugas se alimentam apenas uma vez ao dia. No Projeto Tamar, você pode ver elas se alimentarem e dar comida (peixe fresco) para as tartarugas. A refeição costuma ser por volta das 15h30 ou 16h.

Os personagens da Galera da Praia, que ilustram souvenirs e ganharam esculturas para a garotada abraçar e tirar fotos, são muito simpáticos. Só as animações podem ser um pouco impressionantes para crianças pequenas, então avalie antes de entrar acompanhados de bebês ou crianças menores de 5 anos nas salas escuras. Minha filha, com quase 3 anos na época, nunca esqueceu a cena de um afogamento (seguido de salvamento por uma sereia, com ajuda das tartaruguinhas) de um curtinha que vimos no cineminha do Projeto Tamar da Praia do Forte. Não precisa insistir se a criança não quiser entrar no cinema, lá fora há tanto o que ver!

Na loja, que é irresistível, todos os produtos são confeccionados pelo próprio Projeto Tamar, o que está ligado a seu trabalho com as comunidades. Há vários produtos artesanais e são todos com um apelo ecológico. Preste atenção nos joguinhos ou atividades para crianças – compramos, por exemplo, um kit para brincar com colagem de areias coloridas, bem legal.

Vale muito a pena conhecer mais de um centro de visitantes. Fomos visitar alguns centros do Projeto Tamar e convidamos a Juliana Rosinha, outra mamãe e fundadora da Maria Joaquina Criancices, confecção de lacinhos e acessórios para crianças, pra contar mais sobre o Projeto Tamar de Floripa.

O passeio agrada a todas as idades! Aproveite para ir com as crianças pequenas – até 1,20m de altura, elas não pagam. A regra me parece estranha (minha filha é alta), mas, no fim, o valor do ingresso, apesar de não ser padronizado para todas as unidades, é justo. Fiquem atentos à programação de férias, o horário é diferenciado e há atividades recreativas.

Praia do Forte – BA
Também endereço da sede nacional do Projeto Tamar, este centro de visitação fundado em 1982 está situado no Centro da Praia do Forte, no município de Mata de São João, na Bahia, a 75km do Centro de Salvador, capital bahiana. É maravilhoso! Preste atenção: entre setembro em março, se pode ver áreas protegidas na areia das praias onde estão os ovos das tartarugas – inclusive na praia em frente ao hotel Iberostar Bahia, onde há também uma réplica da desova das tartarugas.

  • Valor do integral ingresso: R$ 22,00
  • Destaque para: túnel para visualizar os animais debaixo d’água; poder fazer carinho nos tubarões-lixa (guiado por monitores em horário pré-estabelecido); alimentar as raias.
  • Para completar o passeio: Tomar banho nas piscinas naturais da Praia do Forte, com muitos peixinhos. Excelente para bebês!

Ubatuba – SP
Localizado no litoral norte de São Paulo, cerca de 4h de viagem da Capital paulista, no meio do caminho para o Rio de Janeiro. Quase 80% do território do município integra o Parque Estadual da Serra do Mar e é cercado de 73 praias.

  • Valor integral do ingresso: R$ 18,00
  • Destaque para: Parquinho infantil (quase perdemos de vista a nossa pequena, que correu para brincar assim que o enxergou de longe, então atenção); presença de jabutis; Museu Caiçara, que conta a origem de Ubatuba e sua antiga relação com as canoas de pesca; atividades de férias.
  • Para completar o passeio: Visitar o Aquário de Ubatuba, onde há também um museu que orienta os visitantes sobre o lixo no mar.

Floripa – SC
Situado na Barra da Lagoa, na costa leste, na ilha da Capital catarinense, cerca de 9km do centrinho da Lagoa da Conceição. Não há vista para a praia e fica afastado de pontos de táxi e comércio (mas a equipe pode chamar um táxi para você, que demora um pouco mais de 15 minutos para chegar). A estrutura não é muito grande, então o passeio pode ser rápido ou render mais* se coincidir com o horário de uma visita guiada.

  • Valor integral do ingresso: R$ 12,00
  • Destaques para o programa educativo: as crianças adoraram as caixinhas com curiosidades; há um espaço para desenhar e colorir papeis em formato de tartaruga, caranguejo, estrelas, entre outros (um por criança) – pontos altos tanto para a Catarina, de 1 ano e 10 meses, quanto para a Dora, aos 3 anos e 2 meses.
  • Para completar o passeio: Visitar o Parque Ecológico do Córrego Grande (Horto), o jardim botânico de Floripa. Lá vocês podem fazer a comparação com os jabutis e ver muitos macaquinhos saguis numa grande área verde, com um grande parquinho. Como quase tudo em Floripa, não é perto do Tamar, mas é possível fazer os dois passeios no mesmo dia.

Um adendo: As visitas guiadas são bacanas para aprendermos mais sobre a vida marinha e sua conservação, tirar dúvidas sobre o tamanho, a idade, a espécie, o gênero ou os hábitos das tartarugas marinhas. Por exemplo: por que no desenho do Bob Esponja não aparecem tartarugas? Porque as tartarugas pente gostam de comer esponjas. Mesmo fora do horário oficial de visitação, adoramos ter a sorte de acompanhar a visita de uma escola. Já a filha da Ju se assustou com o guia falando alto para um grupo grande, apesar de ter gostado de ver as tartarugas.

Assim como a gente, a Juliana também visitou o Projeto Tamar Floripa em dia nublado, até com chuviscos. Foi uma maneira ótima para aproveitar bem aquela manhã, pelo menos pra gente. Elas ficaram decepcionadas por não ter visto a soltura de tartarugas para o mar – o que nós não chegamos a ver em nenhuma das três visitas. Sempre há razão para voltar.

Cada vez que visito o Projeto Tamar lembro daqueles que me perguntam por que eu não como peixe… Já que a pesca é uma das principais ameaças para a extinção de tantas espécies marinhas.

Leia mais:
Tudo sobre as tartarugas marinhas e o Projeto Tamar
Viagem com bebê – pelo Blog da Mamãe Sustentável

Passeio: GramadoZoo

GramadoZoo / acervo pessoal

GramadoZoo / acervo pessoal

Há muitos posts atrás, me questionei sobre levar ou não levar a criança a zoológicos e parques com animais. Afinal, eles têm que conhecer os animais fora dos livros, preferencialmente de uma forma respeitosa.

Aproveitamos um feriado para visitar o GramadoZoo, localizado na Serra Gaúcha, na cidade de Gramado/RS. Classificado pelo público do Trip Advisor como o melhor do Brasil e um dos melhores da América Latina, o zoológico de Gramado é um passeio bem divertido para as crianças. Excelente para vermos ao vivo os bichos do Brasil. 

Curtimos muito! Estivemos lá pela manhã, quando havia um público bem tranquilo. Na saída, encontramos mais movimento, uma pequena fila na bilheteria. Fiquei curiosa pelo Zoo Noturno, visita à noite pelo zoológico, já que boa parte dos animais têm hábitos noturnos.

A onça-pintada é um dos animais de hábitos noturnos

A onça-pintada é um dos animais de hábitos noturnos * foto: zoológico de Gramado / acervo pessoal

Em funcionamento desde setembro de 2008, o GramadoZoo é enquadrado na categoria “A” do IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Ali, os bichinhos são bem tratados, considerando que são animais de cativeiro que ganharam um espaço razoável para circularem. Espaço limitado, muitos deles ficam isolados do público, mas dentro de uma área maior do que uma pequena jaula e em situação certamente melhor do que a de quando encontrados. Alguns têm até aquecedor para suportar o inverno frio de Gramado.

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foto: Gramado Zoo / acervo pessoal

É um zoológico de animais nativos do nosso país. Apesar de abrigar cerca de 1.500 animais de diferentes espécies, não vi uma variedade de aves como se vê voando livres por Porto Alegre – pelo menos na época que fomos, na chegada da primavera. Não é uma fazendinha, com cavalo, galinha, pintinho, galo, vaca, cachorro ou gatinho. Também não tem elefante, girafa, leão. Mas tem jacaré, cobra, onça pintada, onça preta, furão, ema, anta, capivara, cuati, macacos, cisnes, guarás-rubra (aves tão lindas, parecem flamingos). Ótima oportunidade de apresentar a fauna brasileira para as crianças.

Tucanos, papagaios e araras nos recebem aos gritos e com rasantes no GramadoZoo * foto: acervo pessoal

Tucanos, papagaios e araras nos recebem aos gritos e com rasantes no GramadoZoo * foto: acervo pessoal

Por já terem sido domesticados, alguns bichinhos são estrelas. Logo na entrada, fomos recebidos por uma arara que assobiava pra minha filha. Tentei fazer um vídeo, mas assim que a criança saiu dali, quem disse que ela faria um assobio para a câmera? O começo é a melhor parte do passeio: entramos num viveiro cercado no teto, onde tucanos, papagaios e araras voam no meio da gente, se exibindo e dando rasantes.

No final, uma estranheza, assim como no Aquário de Santos, no litoral de São Paulo. Não sabemos bem o que os pinguins estão fazendo ali. São pinguins-de-magalhaes resgatados no litoral de Santa Catarina que estavam intoxicados por um derramamento de óleo e, por isso, não puderam voltar ao seu habitat.

A estrutura para os visitantes é simples. A lanchonete é uma oca e não tinha muita oferta de comida quando fomos, mas o passeio dura o tempo ideal para segurar a fome. Há ração para os animais à venda por R$ 4 em alguns pontos do parque.

Como todo museu, terminamos a volta na lojinha, cheia de lindos bichos de pelúcia bem brasileiros. Se quiser adquirir alguma coisa, se prepare, não são lembrancinhas. Difícil encontrar algo interessante por menos de R$ 50. A camiseta infantil (feita de PET) custa R$ 45, a média de preço dos bichinhos é de R$ 80 ou mais.

A entrada não é uma pechincha também. Pelo menos criança só paga a partir dos 3 anos. Atualmente, custa R$ 54 por adulto, R$ 27 a criança, R$ 27 terceira idade. Por R$ 1,00 a mais, você pode seguir passeando no Parque Gaúcho, que não tivemos tempo de visitar.

Leia mais
Dica de leitura
Principalmente para for ao passeio noturno, recomendo quem leiam antes “O Leão Filósofo, Serafim e Outros Bichos”, de Marlene de Castro Correia, editado pela Pequena Zahar. É uma ficção infantojuvenil sobre alguns animais do zoológico do Rio de Janeiro que lutam para bater um papo livremente à noite, fora do “horário de trabalho”, e vão atrás desse e de outros direitos. Interessante a comparação com um zoo que tem até aquecedor para os bichinhos.

Links
GramadoZoo – site oficial
Como conscientizar as crianças sobre os animais?

Desfralde noturno

Socorro bem-vindo: trio da Fralda Bonita

Socorro bem-vindo: trio da Fralda Bonita

Não imaginava que minha filha desfraldaria à noite também. Mas pouco depois de desfraldar, passou a pedir para não colocar fraldas para dormir. Acordava sequinha mesmo. E assim passamos meses sem xixi na cama em casa.

Se a gente morasse um pouquinho mais ao Sul, não teria feito o desfralde noturno ainda este ano. No frio, com umidade ou depois de passar um pouco de frio durante o dia (acostumada a tirar sapatos e casaco dentro de casa), os acidentes podem ser mais frequentes à noite. Pelo menos foi a nossa experiência neste inverno, visitando a família em Porto Alegre e passeando na Serra Gaúcha, em Gramado.

Confesso que estava com saudades de ver aquele bumbum fofinho protegido por uma fralda de pano linda. Tanto tempo sem usar, que já tinha esquecido de colocar fraldas na mala. E é sempre assim, não é? Esquece um item na mala, é desse que a gente mais precisa.

Na verdade dessa vez eu tinha levado. Uma. Só uma capa, mas nenhum absorvente extra para o bolso da fralda.

Que desespero! Nem lembro exatamente como fiz pra me virar nos dias seguintes. Passei praticamente a não dormir mais à noite. Estávamos dividindo quarto, então eu ficava esperta. A qualquer movimento dela para acordar e querer vir para minha cama, eu a chamaria para ir ao banheiro. E ela ía, bem zumbi. Se bem me recordo, a noite do acidente foi intercalada com uma noite seca e talvez mais uma noite molhada, algo assim.

Quem nos salvou foi a Bettina, da Fralda Bonita. Na manhã seguinte ao acidente, um sábado, liguei pra ela. Por sorte, minha sobrinha, que já não é mais bebê (temos 8 anos de diferença), estava em Gramado. Seria difícil pronta-entrega de tamanho grande, muito menos já lavada (temos que lavar cinco vezes pra tirar a goma do tecido antes de começar a usar). Casualmente, ela tinha algumas fraldinhas usadas e fez a gentileza de nos dar.

Como se não bastasse nos socorrer em pleno final de semana, ainda nos mandou um mimo. Um pinguim de pano fofíssimo, que a Dora amou, não largou e dormiu agarrada já naquela noite. Muita gratidão, Bettina!

Foi só voltar pra São Paulo, que ela já voltou a dormir sem fraldas. Para uma visita à família no RS em outubro, quando ainda tem feito frio (depois de um inverno quente lá também), estamos levando mais algumas fraldinhas de pano. E o presente da Bettina (exceto o brinquedo) está nos esperando na casa da vovó, por garantia!

Leia mais:
Os primeiros passeios sem fralda
Como lavar as fraldas de pano
Fraldas impermeabilizadas ou vazando? Veja o que fazer

Desfralde: primeiros passeios sem fraldas

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agora o saquinho de troca de fralda virou o saco de roupa suja (sempre levando uma troca de roupa e calcinhas)

Estou aprendendo (começando a aprender), finalmente, a andar com menos peso. Já conseguimos fazer passeios sem a bolsa do bebê: sem fraldas para trocar! Agora algumas calcinhas e pelo menos uma troca de roupa completa ocupam o lugar das fraldas na bolsa.

Nas primeiras semanas, saía com fraldas e levava fraldas comigo. Depois ainda deixei pelo menos uma fralda na bolsa. Logo a substituí pelo redutor de assento, que carrego às vezes no cesto do carrinho. Ultimamente até cocô em banheiro público já saiu sem levar o redutor!

Achava que o processo de desfralde de meninas era mais difícil na rua, ao ver tantos pais de menino oferecendo qualquer lugar público para fazer xixi. Depois muitas mães me contaram que acham o desfralde dos meninos mais difícil. Por enquanto, estou agradecendo que tenho uma filha menina e por hora não precisei pensar sobre incentivar o xixi em espaços abertos urbanos – pensando um pouco, talvez seja por essa tradição que nossas cidades latinas fedem a mijo.

Pelo menos aprendi que todo lugar tem banheiro. Não são todos os estabelecimentos que têm banheiro público, mas grande parte abre as portas para um bebê em desfralde. Principalmente quando o vendedor tem criança na família na mesma fase! Pelo menos nós tivemos essa sorte.

Alguns lugares, como no aeroporto de Congonhas, há vaso sanitário para estatura reduzida. Em outros lugares mais voltados para a família, como no Sesc Belenzinho ou alguns shoppings, há banheiro infantil. E podemos levar na bolsa um óleo de tea tree, álcool gel, lenços umedecidos ou usar o papel para assento ou forrar o assento de papel higiênico. Em parques sem banheiro, mesmo as meninas podem ter direito a fazer xixi na grama – só cuidem com os formigueiros e se atentem a não incentivar muito essa prática pensando se não querem que isso seja um hábito.

Tivemos um “acidente” numa pracinha na primeira semana sem fraldas. Outra vez, numa tarde, ela acordou da soneca no carrinho e não me viu na loja – catástrofe! Com dois anos e poucos dias (ou até antes), ela já conseguia realmente esperar para ir ao banheiro. Se lá em dezembro eu observava um intervalo de até 1h30 entre xixis em casa, desde desfraldada (já em abril), ela fica mais de 3h sem precisar ir ao banheiro.


Leia mais:

Nossa experiência com o desfralde
Tudo já publicado sobre fraldas
Mais usos do oléo essencial de malaleuca e dos saquinhos de roupa suja

 

Mobilidade em SP

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Esta semana começou muito bem – e não podia terminá-la sem dividir a experiência com vocês. Na terça-feira, 3 de março, foi inaugurada uma nova travessia para pedestres num dos principais cruzamentos de São Paulo, na Consolação com a Caio Prado (pertinho daquele projeto de parque, o Parque Augusta, que infelizmente tem cada vez menos chances de ser público e real). É uma faixa diagonal para pedestres! Até uma semana atrás, quando passávamos por ali, tínhamos que esperar pelo menos dois demorados sinais para atravessar todo o caminho. Agora podemos ir seguros de uma vez só.

Na segunda-feira, ainda em fase de teste, tive o privilégio de atravessá-la com carrinho de bebê. Um rapaz da CET nos acompanhou no trajeto para garantir que a faixa de pedestre era oficial e segura. Adorei! Espero que siga funcionando bem e que mais cruzamentos assim sejam feitos pela cidade, respeitando o pedestre.

A iniciativa integra o projeto Centro Aberto e segue o modelo de cruzamentos para pedestres em Tóquio, no Japão. Há um “X” pintado de azul com as faixas brancas entre as esquinas com guias rebaixadas. As rampas para caldeirantes nas faixas antigas de pedestre deste cruzamento também foram ampliadas, assim como os sinais ficaram mais longos e sincronizados!

Agora está ainda melhor andar de carrinho por Higienópolis! Adoraria ver uma faixa dessas na Av. Angélica, em frente à Praça Buenos Aires.

Mais informações:
Sobre a faixa
Sobre o projeto Centro Aberto
Transporte público com bebê em SP
Manual de convivência com bebês

Experimentei: saquinhos para lanche

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Tive o prazer em testar dois tamanhos de saquinhos reutilizáveis da Candy Tree. São as reusable snack & everything bags Snack Happens, da Itzy Ritzy, nos tamanhos 17.78cm X 17.78cm (grande, de 7″) e 17.78cm X 8.9cm (kit de duas embalagens pequenas). Com fechamento em zíper, impermeáveis, laváveis, os estojinhos para comida e tudo mais são seguros para alimentos, livres de ftalatos, PVC ou chumbo.

MonkeyMania

As estampas são lindas. A Dora ficou encantada com os macaquinhos do estojo maior. O desenho se chama Monkey Mania. No Instagram da Candy Tree, vocês podem ver outras estampas adoráveis também!

banana

Aproveitei um final de semana de viagem para fazer o teste. O menor não é tão pequeno assim: pude colocar todos os biscoitos de banana que fiz (receita com quatro bananas, eram quase 20 biscoitinhos). Na peça gêmea, coloquei frutas secas. No saco maior, que pode comportar um sanduíche (em pão de sanduíche quadrado grande), resolvi levar muitos biscoitos de arroz, para não precisar levar o pacote inteiro.

Fiquei impressionada com o forro. É uma espécie de “korino”, couro sintético, muito fácil de limpar. Outros saquinhos que já improvisei para fins semelhantes, como os de fralda suja, absorventes de seio ou duas necèssaires que já separei para carregar talheres, babeiro ou frutas não eram tão práticos – mesmo os impermeáveis eu lavo na máquina. Os novos posso limpar com esponja e detergente!

forro

Como é fofinho e impermeável, você pode usar para guardar iPod, Kindle, maquiagem, acessórios do bebê e, por que não, comidinhas. No final da viagem, o copo anti-respingo da Dora vazou (pra variar) dentro da bolsa, no mesmo canto de um dos saquinhos, que resistiu sem molhar o conteúdo. Aprovado nesse quesito.

Todavia, recomendo mais para lanches do mesmo dia e frutas frescas com casca. O fechamento em zíper não é equivalente ao fechamento a vácuo, como o dos sacos zip. Enquanto os biscoitos que ficaram em casa na embalagem original aberta (tipo saco zip) continuaram crocantes, os que levamos murcharam em 24h, infelizmente.

Mesmo assim, fiquei muito feliz em ocupar bem menos espaço na bolsa com os saquinhos do que com os potes, que na volta carregaria vazios, tomando o mesmo espaço. Sigo usando com frutas secas e talheres.

O que fazer com os biscoitos de arroz?
Colocar um pouquinho no forno. Ficam até mais crocantes do que antes. Só não façam como eu, que deixei no timer e fui trocar uma fralda: queimaram.

Saquinhos gentilmente cedidos pela Candy Tree – muito obrigada, adoramos 🙂

Areia

pracinha em Porto Alegre
Perto de casa, temos poucas pracinhas infantis. Isso que moramos na região central da maior cidade do país, uma das maiores do mundo, São Paulo! Até publiquei sobre isso no Instagram recentemente… Quando há parquinho, raramente há brinquedos próprios para bebês ou, pelo menos, uma caixa de areia.

Na cidade onde nasci e cresci, Porto Alegre (onde há uma grande variedade de praças, parques e áreas verdes), a caixa ou tanque de areia geralmente é o centro da pracinha, onde desemboca o escorregador. Diferente das áreas de lazer em grandes metrópoles, em Porto Alegre, a área de lazer infantil dificilmente é cercada, com acesso barrado aos animais de estimação. Ou seja, a caixa de areia fica exposta aos cachorros e suas fezes. Mesmo assim, as crianças brincam com areia natural e crescem resistentes!

caixa de areia: natural ou sintética?

pracinha em Porto Alegre cercada (sem bichinhos de estimação), com caixa de areia

Finalmente encontrei uma pracinha com caixa de areia, numa distância razoável para ir a pé em São Paulo. Bem legal, com brinquedos inteiros, frequentada por muitas crianças e cercada, exclusiva para os pequenos. Selecionamos brinquedos para moldar e criar, colocamos no carrinho e aproveitamos um dia lindo de sol, ainda que frio. Chegando lá, para minha surpresa, tudo muito moderno: a areia era azul turquesa! Lindo, atrativo, mas artificial. Uma avó, que chegou em seguida com a netinha, comentou: “Dizem que é mais saudável para as crianças”!

O tanque de areia era mesmo a principal atração e um sucesso entre bebês e crianças de idades diversas. Muitas delas, mesmo na sombra e no frio, brincavam descalças ou só de meias. Tudo isso é ainda muito novo pra mim, mãe de primeira viagem, nada acostumada com uma pracinha do lado de casa. (Ou com as de Porto Alegre, onde temos que cuidar, porque às vezes tem até cacos de vidro na grama ou na areia.)

A textura era interessante. As crianças peneiravam, passavam pelo funil, a Dora até provou uns grãozinhos assim que olhei alguns segundos para o lado engatando um papo com a simpática avó da garotinha. Moldar, criar castelos, deixar marcas ou desenhos na areia, no entanto, era um pouco difícil. Essa areia sintética, que parece as dos arranjos de floricultura, não pega forma, muito sem graça.

Se engoliu um grão ou outro, não sei, a Dora passou bem. Não conseguimos deixar marcas na areia, mas o corante marcou as roupas da Dora. Já passei pasta de bicarbonato de sódio e vinagre, os punhos de blusão quentinho e claro continuaram verdes! Estava frio, não tinha como arregaçar as mangas. Até as botas vermelhas – sim, galochas, de borracha, como as da Peppa, para chafurdar na lama (nem tinha barro) – ficaram esverdeadas.

Tudo bem, criança tem que se sujar. Roupa de parquinho pode manchar. Essas logo ficarão pequenas. Mas deixo aqui meu questionamento à afirmação da avó: será mesmo que a areia sintética é mais saudável? Talvez essa areia seja isenta de sílica e “livre de toxinas e bactérias”, mas qual o sentido se limitamos as habilidades motoras e a beleza das formas para brincar? O chão e a sujeira também trazem imunidade.

Leia mais:
Por que não mamãe? Tanque de areia no quintal
Pegadas na areia – sustentabilidade com as crianças na praia

Papinha pronta x comida de verdade: como alimentar o bebê nas viagens?

Lanchinho de fruta no parquinho em Milão

Viajando com bebê que está em fase de introdução de alimentos, hospedado em hotel ou sem tempo ou estrutura para cozinhar, vem a dúvida: como fazer com as refeições? As papinhas prontas nem sempre são a melhor solução. Esse desafio pode fazer parte do planejamento da viagem e não ser motivo de estresse. Preparar a comidinha é uma forma de conhecer a gastronomia local e os alimentos da época, assim como feiras, mercados e novos sabores podem entrar no roteiro da viagem.

Tudo bem atrasar mais uns dias a introdução alimentar se a viagem for muito curta. Quando é só peito ou frutas, fica ainda mais fácil. Papinha pronta de fruta costuma ter apenas ingredientes naturais, mas nada se compara com a fruta fresca, aberta na hora. Sentir o cheiro, a textura… Uma banana é simples de amassar, fácil de encontrar e de descascar.

Precisamos viajar logo no começo da introdução da papa salgada e quando já estávamos introduzindo sólidos. E agora?

Pais de primeira viagem
Na nossa primeira experiência, numa viagem para o Rio nas primeiras semanas de papa “salgada” (ainda sem sal), não precisamos de panela elétrica nem cozinha de amigo: levamos a comidinha congelada, bem armazenada (o pote de vidro protegido com plástico bolha dentro de bolsa térmica), guardamos no freezer do frigobar e descongelávamos e aquecíamos o potinho em banho maria na pia do quarto, que tinha água quente. Chegamos antes do horário de check-in e pedimos para a recepção do hotel guardar num freezer – e o potinho não foi para qualquer congelador, fez check-in no quarto primeiro que nós hóspedes. Ao sair, podíamos pedir para alguém do restaurante aquecer, mas não precisamos. Andávamos com um pote térmico.

Para os lanches e eventuais sucos, frutas locais. Levamos um espremedor manual e fazíamos suco em qualquer lugar. Numa viagem posterior, na Europa, aproveitamos o frio para oferecer bergamota sem semente (clementines) e moranguinhos silvestres orgânicos.

Quando já estava maior, quase com 11 meses, nos liberamos para oferecer comida de restaurante. Pedíamos um prato extra para separar o que ela comeria. Sempre tinham opções saudáveis nas nossas refeições e nem sempre isso encarecia a conta. Em alguns dias, alugamos apartamento pelo Air BnB – experiência maravilhosa (nesse caso, é bom se certificar se o apartamento ou casa é equipado com cozinha completa, com pia, panelas e utensílios que não sejam descartáveis). Adoro mergulhar na cultura local quando viajo, e alugar apartamento é uma oportunidade de intercâmbio, de sentir como as pessoas vivem, como dormem, comem, se deslocam, se organizam, etc. Nesses apartamentos, cozinhávamos comidinhas pra ela.

E assim, até então, sobrevivemos sem papinha pronta. Se você observar no rótulo todos os ingredientes, quantidade de sódio ou açúcar (!), desistirá dela. Para não dizer que nunca experimentamos, compramos dois sabores de uma papinha orgânica bem fácil de encontrar na Europa.

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Papinha orgânica pronta
A Hipp é orgânica, não é cara, é fácil de achar, tem sabores vegetarianos e é isenta de sal. Em compensação, os sabores que provamos (batata com abobrinha ou abóbora com outros legumes), pelo menos, careciam de qualquer tempero. Se puder colocar um azeite de oliva e manjericão fresco por cima, pode melhorar – e virar patê pra colocar no pão ou nos biscoitos de arroz que levamos, porque a Dora não aprovou. (Talvez o sabor seja alterado de acordo com a indicação de idade, certamente são menos temperados para bebês menores, mas a Dora aprendeu a ver o que está comendo e nessa viagem, aos 10 meses, já queria pegar na mão o alimento e poder comer parte sozinha.)

Nossa escolha foi comida de verdade, com fibra, textura, fresca, saudável. Consumia um tempinho do nosso dia para cozinhar, esquentar, escolher o restaurante ou ler o cardápio, não posso negar. Não tem preço a dedicação por um filho. E essa característica da viagem marcou nossas férias e se tornou uma das melhores lembranças.

 

Finger food
Nas primeiras papinhas, amassávamos quase tudo com o garfo. Perto dos 10 meses, a Dora já começou a se interessar por pegar os alimentos e comer sozinha – o que o movimento baby weaning defende, deixando o bebê descobrir os alimentos com as mãos (finger food).

Comida congelada
Além de ser prático cozinhar em maior quantidade, é uma forma de evitar desperdício. Você pode oferecer o alimento fresco no mesmo dia e congelar em pequenos frascos para os próximos ou para quando não puder fazer na hora. Congelando ainda quente, o alimento passa por um processo de choque térmico, semelhante à pausterização, impedindo a proliferação de micro-organismos.

 

Confira a galeria de fotos da nossa última viagem:

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No skate com o bebê

longboard baby
Semana passada, quando estava nos visitando, meu sobrinho me surpreendeu andando bastante por São Paulo de uma forma bastante sustentável e inusitada. Pegou metrô e ônibus em alguns momentos, sim, ok. E desbravou a cidade de skate, como meio de transporte.

Ele já não é mais nem adolescente, tem praticamente a minha idade (são quase seis anos de diferença). Mas me deixou pensando como um pai ou mãe podem andar com os filhos sobre essas rodinhas.

Eis que está para ser lançado o seguinte:

Skate sob carrinho
A Quinny, conceituada marca de carrinhos de bebê, está desenvolvendo com a agência de design belga Studio Peter Van Riet um novo conceito em mobilidade urbana – carrinho para mães ou pais skatistas: o longboard stroller. Do mesmo modelo de skate do primo da Dora, long, bem urbano, para longas distâncias ou para andar à beira mar. Há um ano, em fase de teste.

longboard stroller, da Quinny

longboard stroller, da Quinny

 

Para o irmão mais velho
Quando chega o segundo filho e o carrinho passa para o novo bebê, o irmão (ou irmã) mais velho, se já for grandinho, pode “andar de skate” enquanto os pais empurram o carrinho. Já existem opções para adaptar uma plataforma nas rodinhas para a criança ficar de pé. Atenção ao material, há produtos de plástico à venda, mas a escolha mais resistente e ecologicamente correta são os de madeira. Como o Sidekick Stroller Board, da Orbit Baby, que funciona bem até para o terceiro filho (pode ser acoplado um skate em cada rodinha ao lado de quem estiver empurrando o carrinho):

Orbit Baby

Sidekick, da Orbit Baby

Ou como o PiggyBack, da Uppa Baby, que mais se assemelha aos de plástico, mas também é de material natural e eco-friendly, feito de madeira:

PiggyBack, da UPPABaby

PiggyBack, da UPPABaby

 

Em São Paulo
Skate é a cara da cidade. Passear de skate na metrópole é bem possível, sim. No Centro, onde há ruas, viadutos e passarelas de pedestre, não há dúvida e há trajetos interessantes, como da Sé à Luz via São Bento e Viaduto Santa Ifigênia ou no Vale do Anhangabaú. Também em parques – Diego recomenda andar de longboard no lindo Parque do Ipiranga.