Primeiro show: Badi Assad

Badi Assad
Levamos a Dora pela primeira vez ao teatro para assistir a um show infantil. Lançamento do CD Cantos de Casa, da Badi Assad. Conhecíamos o disco e estávamos ansiosos pelo espetáculo. Já tinha assistido um espetáculo adulto da Badi Assad e voltei a ficar encantada com sua desenvoltura em cena. O álbum foi criado após sua experiência como mãe da Sofia, que está com 7 anos.

No palco, muita sucata reciclada, instrumentos de garrafa PET. O show começa fazendo música limpando a casa. No disco, a limpeza também é do corpinho: incentiva a escovar os dentes, tomar banho e afinar os sons, fazendo percussão com o corpo. Educativo, mas nem tão politicamente correto – remete a cola na escola, respostas atravessadas, tudo em tom de piada.

Cantos de Casa

O show foi no Sesc Consolação, em São Paulo. Não sei dizer se a Dora ficou mais encantada com a iluminação ou com os nenês na plateia! Ela se comportou muito bem aos seus 14 meses e meio, mesmo sendo num horário do sono do final da manhã.

Começou mais tímida, observando quietinha, parada no colo, mas sabia que estava lá para ouvir música. A cada intervalo, ela não queria saber de teatro nem palhaço. Virava as palmas das mãos pra cima lamentando, “ca’bô”, e dançava, “qué”, como quem diz “por que parou, quero mais música”. No meio, pediu para mamar, mas não dormiu. Perto do final, quis descer as escadas para dançar lá na frente com outras crianças. Só voltou para o lugar para tentar alcançar o balão gigante que flutua sobre o público no fim do espetáculo – ops, estraguei a surpresa, mas não contem para os pequenos!

Escute também
Quem curtir o CD infantil da Badi pode gostar das Fadas Magrinhas, outro álbum bem brasileiro de uma banda pernambucana para crianças. Pra chacoalhar o chocalho!

Leia mais:
Cinco discos para bebês
Músicas infantis desde a barriga

Cinco discos

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Tentei escolher três, mas vou precisar falar dos cinco discos que não saem do nosso CD player. Qualquer um deles é um bom antídoto para choro de bebê. Pelo menos quando o choro não é de fome, nem de fralda suja, nem de colo, e carinho, careta, brinquedo, nada resolve – coloque o disco pra tocar e dance com o bebê. Alegria imediata!

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A Arca de Noé, de Vinícius de Moraes
Voltei a escutar desde a gravidez. É impressionante como a memória musical nos faz voltar à infância, a refletir como foi nossa educação, nos traz as boas lembranças que quero transmitir para minha filha. Tinha um LP em casa, cuja capa terminou bem rasgada, eu arrancava os bichinhos colados nela… Foi um disco tão marcante da minha infância, que tenho quase uma relação de amor e ódio com ele. Tem dias que não consigo escutar algumas faixas, outros que escutamos com prazer o disco inteiro. Por isso acabo preferindo a última, talvez a primeira (mais incidentais, menos enjoativas) e a nove, A Casa. A Dora adora essa música. Aos quatro meses e meio, quando escuta o começo já abre um sorriso e mal pode esperar o final bem alegre, quando dá gritinhos de felicidade.

O CD da edição original pode ser encontrado baratinho nas lojas, por cerca de R$ 10,00. Em outubro, o disco ganhará nova edição, gravado com vários artistas contemporâneos, sob coordenação de Adriana Calcanhotto, integrando os eventos pelo centenário do nascimento do Vinícius. Está em produção também um longa-metragem em animação do álbum, com roteiro de Sérgio Machado. A vantagem da produção de uma animação ser um processo longo é que, até o filme ficar pronto, a Dora vai entender e curtir mais – só torço para que não demore muito.

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Partimpim 3, de Adriana Calcanhotto
Algumas faixas remetem ao Arca de Noé, ótimas canções de bichinhos (Criança Crionça e O Pato – um pato que não acaba na panela), outras são fofíssimas (Salada Russa e Por que os peixes falam francês). A maior parte do disco é de regravações (Taj Mahal, Lindo Lago do Amor, Passaredo, De Onde Vem o Baião, etc.). Aqui em casa, geralmente as duas últimas faixas, 10 e 11, ficam no modo repeat. Escutamos mais à noite, principalmente quando a Dora não quer pegar no sono. A partir da faixa 9 estão as canções de ninar do disco. A penúltima é a Também Vocês, que aqui é mesmo um mantra que escutamos sem parar até ela dormir. E é mesmo quase uma oração. A letra é um poema lindo. Ela começa com “hora de quietinho”, mas confesso que entendia “ora-te quietinho”. Vou reproduzir aqui:

Também Vocês (Adriana Partimpim)
Hora de quietinho
De se cobrir com a noite lá fora
E de deixar-se ir
Monstros sob a cama, também vocês
Hora de dormir

Nunca dizer nunca
Cair levantar
Ver com olhos novos
Se maravilhar

Nunca dizer nunca
Cair levantar
Gostar do presente
Gostar de gostar

Hora de quietinho
De se cobrir com a noite lá fora
E de deixar-se ir
Monstros sob a cama, também vocês
Hora de dormir

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MPBaby U2, por Reginaldo Franzatto Jr.
Ganhamos de uma grande amiga Gabi, que já veio nos visitar em São Paulo só pra ir em show do U2! Escutei muito na gravidez, selecionei uma música para o set list do parto – que estava tocando quando estava na banheira e a médica chegou – e agora costuma ser o calmante a qualquer momento do dia. Como outros discos do gênero, é apenas violão. Até o papai, que não é grande fã do U2 e tem preconceito com covers e versões no geral, concorda que esse disco é bem legal e funciona com o bebê. A seleção de músicas foi ótima.

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Música de Brinquedo, do Pato Fu
Esse ganhamos da Paula, colega de pilates. O disco todo é excelente, difícil preferir uma faixa. Desde bem pequeninha a Dora já prestava bastante atenção e até agora curte as músicas. Para quem nunca escutou, o álbum foi gravado apenas com instrumentos de brinquedo, mas traz regravações com resultado profissional. Talvez minhas preferidas sejam Ovelha Negra, Primavera (Vai Chuva), Ska e Live and Let Die (yes, Paul McCartney cantado por crianças). Para tardes animadas.

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Feito pra Acabar, do Marcelo Jeneci
Não é infantil, mas é delicioso. Bom até para as tardes de chuva, nos faz lembrar que o sol está lá. “Felicidade é só questão de ser/ Quando chover deixar molhar/ Pra receber o sol quando voltar” (Felicidade). Algumas vezes a Dora se assusta com o começo de Copo D’Água. Além de tudo é um álbum que merece a versão palpável, gostoso de manusear as páginas de polaroides com as letras. Pelo menos na versão que conheço o material é impresso em papel reciclado e muito bonito.

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Saiba mais:
Mais motivo para dançar com seu filho ou simplesmente dançar no pós-parto, por A Vida Quer

A chegada da Cecília

CD de lembrança
Hoje aprendi que o melhor parto é o parto possível, mas que é possível o melhor parto. Esta semana chegou a Ceci,  filha dos meus amigos Cláudia e Cayube. A Ceci nasceu de parto normal (com anestesia) numa sala LDR (labor delivery room), preparada para partos humanizados, no ProMatre, em São Paulo.

Vejo que todas as mamães que experimentam o parto natural se tornam ativistas pela causa, porque deve ser um momento lindo. Por outro lado, é tão bom saber que ainda é possível não ser radical (cesárea ou natural) e ter um ótimo resultado. A maioria dos relatos que havia escutado até então eram de defensoras da cesárea ou de parto natural ou, ainda e na maioria, de mães que queriam ter o parto normal, mas por uma razão ou outra tiveram cesárea e não recomendam.

Como diz minha médica, a melhor preparação para o parto vem antes do trabalho de parto. Por isso sou fã de pilates, yoga para gestantes, antiginástica. Nada melhor do que se mexer bastante e se informar. Mal comecei a ler e não posso deixar de recomendar um livro indicado pela Lis, instrutora de antiginástica da Nasce Mother Care, em Porto Alegre: “Quando o Corpo Consente”, escrito por uma mãe (Thérèse Bertherart, criadora do método antiginástica), sua filha gestante e uma parteira – está esgotado, mas foi disponibilizado em PDF neste link. O método de Thérèse mexe com músculos que nem imaginamos que existem, fazendo movimentar queixo, joelho e até dedinhos dos pés, vale experimentar. Também estou curiosa para ler “Parto com Amor”, indicado pelos pais da Ceci, que inclui relatos sobre diferentes experiências de parto.

A chegada da Ceci foi em grande estilo. Sua lembrancinha de visita à maternidade (vejam a foto) foi muito original e inspiradora: “a trilha sonora do dia em que a Cecília transformou o mundo em um lugar melhor”, com uma seleção maravilhosa de 20 músicas de vários artistas como Gil, Caetano, Chico, Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Bobby McFerrin. Seja muito bem-vinda, Cecília!

Trilha Sonora: Noctiluca

Mais uma canção que certamente entrará para minha trilha para a hora do parto (leia o penúltimo post): “Noctiluca”, de Jorge Drexler. É a 10ª faixa do álbum Amar La Trama, escrita para seu segundo filho, Luca Drexler, que nasceu em 2009. No vídeo, veja a participação do seu filho mais velho, Pablo Drexler, tocando uma caixinha de música.

Nesses dois artigos, você pode ler e escutar outras músicas compostas para os filhos: na Superinteressante e neste blog. As listas incluem “Isn’t she lovely”, do Stevie Wonder, “Beautiful Boy (Darling Boy)”, de John Lennon, “Kooks”, do David Bowie, “Lullaby (Goodnight, My Angel)”, do Billy Joel.

Trilha sonora: tomorrow has to wait

tomorrow has to wait

“I don’t think that you are sorry for what you did
I know you need it and you just don’t know how to quit

It’s too late but tomorrow has to wait
It’s the time of your life so tomorrow has to wait
Tonight’s the night and tomorrow is a million miles away (…)”

Apenas um parêntese nesse papo ecológico: a música “Tomorrow has to wait”, da banda sueca Peter Bjorn and John, resume o raciocínio sobre ignorar o futuro e nossa responsabilidade no presente. Vocês podem assistir a um vídeo oficial com a música neste link: http://youtu.be/8ZcVS9cpzHM

Esta é uma boa pedida para incluir na trilha sonora da véspera do parto. A música pode ajudar da gestação ao pós parto. Escolhida com carinho, ajuda a mãe relaxar durante o trabalho de parto (dependendo da maternidade, até para evitar escutar outras mamães e bebês do hospital, uma dica preciosa da minha amiga brasileira-croata). Leia mais sobre músicas para a gestante relaxar neste blog.

De acordo com “A Bíblia da Gravidez”, meu livro de cabeceira dos últimos meses, editado pela CMS, o bebê começa a reagir aos sons a partir da 24ª semana. Experimente colocar fones de ouvido na barriga para ele poder “dançar”.