Essenciais


Se existem dois itens essenciais que toda mãe deve ter em casa ou, se possível, na bolsa, são esses que vou recomendar agora. Óleo essencial de melaleuca e hidrolato de lavanda. Verdadeiros salva-vidas.

Já havia falado do óleo essencial de melaleuca antes. Eu usei e recomendo para pingar na lavagem das fraldas de pano – cinco gotinhas na máquina antes do segundo enxágue, e a limpeza está garantida. Confesso que fazia isso porque acreditava no que me vendiam do produto e tinha certeza de que as fraldinhas precisavam ser bem higienizadas. Também no desfralde é bom usar para desinfetar o assento sanitário de banheiros públicos e deixar a criança sentar sem medo. Mas até aí o que havia acontecido foi deixar o óleo essencial vazar na bolsa e nunca mais levei comigo – e para não vazar mais em viagens para Porto Alegre, deixei um frasquinho na casa da minha mãe.

No último ano, passei a acreditar mais nele, pois precisei pra mim. Foi um ano de mudança de casa, quando obrigatoriamente a gente mexe em tudo o que tem e fica arrasada quando encontra algo esquecido e em péssimo estado. Consegui tirar manchas de mofo de roupas que estavam há muito no armário (daquelas que a gente acha que “um dia vão voltar a caber”, quando a gente voltar pro corpinho de 17 anos, #queilusão #desapega). Deixei da noite pro dia de molho num balde com umas gotinhas do óleo essencial, depois só enxaguei e lavei normal (pra tirar o cheiro), saiu tudo.

E perto do último trimestre do ano, sob muito estresse, imunidade baixa, depois da primeira praia pós inverno, tive uma crise de coceira insuportável, que parecia candidíase, mas minha médica não tinha horário para me atender. Parti para o Dr. YouTube e fiz um banho do assento com apenas cinco gotinhas. Como melhorou muito, fiz mais um na quantidade recomendada. E já estava me sentindo curada!

Como se não bastasse, ele pode ser usado em outras funções. Inclusive para prevenir doenças. Se você passou muito tempo no meio de uma multidão, viajou de avião, foi ao aeroporto, pegou metrô ou foi ao cinema lotado, cheire um paninhos com umas gotinhas desse óleo essencial quando voltar pra casa.

Tea tree ou melaleuca tem cheiro forte, marcante. É pra desinfetar mesmo. Pelo menos eu acho mais suportável que o vinagre. Nunca imaginei que fosse escutar, mas outro dia minha filha pediu pra cheirar seu maiô que estava de molho na água com óleo essencial de malaleuca (e não tinha cheirinho de praia nem de piscina, não!) e disse, sem ironia: “Hmmm, que cheirinho bom! Eu gosto desse perfume”!

Há óleos essenciais de malaleuca de diversas marcas no Brasil, algumas inclusive orgânicas ou com certificado de produto natural

Lavanda
Bem mais agradável é o aroma desse hidrolato, que é um spray, basicamente de óleo essencial de lavanda diluído (geralmente com um pouquinho de óleo essencial de melaleuca também). Carrego sempre comigo como curativo. Crianças vivem caindo. Machucou, coloca o spray. Higieniza, é antisséptico, antibacteriano, não arde e acalma. Sim, por isso gosto também borrifar no travesseiro pra dar um soninho nas crianças. E também borrifar, várias vezes ao dia, no meu pulso para cheirar em período de TPM.

Aliás, como já contém melaleuca na fórmula, acabo carregando somente o hidrolato de lavanda na bolsa e, na urgência, chego a usar também para higienizar as mãos ou o que for necessário, como assentos sanitários. Também pode ajudar para aliviar picadas de insetos.

 

Para saber mais:
Propriedades e utilidades do óleo essencial de melaleuca
Dez utilidades do óleo essencial de lavanda

Onde encontrar: em lojas físicas de produtos naturais, como a Banana Verde, em Porto Alegre/RS, ou a Natural Flor, em São Paulo/SP; em sites como Use Orgânico, Lohas Store, Natue, entre outras 

Advertisements

Desacelerar

As merecidas férias, e a qualidade de vida que poderíamos ter

Mês passado levei um tombo de criança. Fui direto pro chão, caí de lado e de joelhos. Estava na calçada do ponto de ônibus, tinha recém descido pra levar minha filha para a escola, e o sinal de pedestre estava verde. Não consegui descobri o que me fez cair, estava de tênis de corrida e tenho a impressão que “eles frearam” com firmeza. Só sei que foi um dominó: eu empurrei a mochila e logo atrás de mim caiu minha filha, quase no meio da rua. Uma velhinha saiu me xingando porque a tampa da garrafinha da criança tinha arranhado o pé dela. Levantei rápido feito criança que logo levanta quando cai, me sentindo toda quebrada e ainda consegui atravessar a rua no mesmo sinal verde.

Uma semana depois, joelhos e quadril ainda roxos, “casquinha” do machucado desaparecendo, o episódio só me fez lembrar que é preciso desacelerar. Logo quando estava para tirar férias e queria correr com aqueles tênis na praia! Pelo menos os joelhos me permitiram caminhar.

Menos é mais
Assisti recentemente ao documentário Minimalismo, disponível no Netflix. O filme mostra muitos exemplos, inclusive mulheres (o que parece quase impossível) e famílias com crianças que optaram por viver com menos. Pouco mesmo, aceitaram o desafio de ter no máximo 33 peças de roupas (incluindo roupas íntimas) para vestir. E confessam: tem menina que tem dificuldade de desapegar de alguns objetos, ama todas as bonecas que tem (por aqui é bem assim).

[p a r ê n t e s i s]
Só fiquei me questionando se essa tendência a reduzir o guarda-roupa não seria uma forma de descartar as roupas mais rápido. Fazer circular e não deixar nada inútil parecem ideias boas. Mas nada adianta fazer isso sem desacelerar o consumismo, sem tentar manter suas coisas (no sentido de manutenção) e não se deve esquecer de questionar de onde vem o que consumimos. Nesse ponto, outro documentário (também no Netflix) me impactou um pouco mais, o No Impact Man.

Talvez a gente não precise ser tão radical, nem abrir mão da biblioteca, como comentam os protagonistas dessa campanha, a dupla minimalista Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus. Não ser impulsivo em relação à moda é fácil, ainda mais com criança em casa – o investimento vai todo para os pequenos. Mas podemos fazer melhor com menos. Consumir menos – carregar menos embalagens, levar nossos potinhos para comprar a granel é o que quero lembrar de fazer sempre. E podemos ir além, na essência do minimalismo, pensar menos e respirar menos.

Escutei essa frase “respirar menos” em outro filme, O Yoga Mais Importante, que pode ser assistido no YouTube (existe uma versão com legendas deles que não encontrei agora, sorry). Me causou um espanto imediato, mas é isso mesmo. Estar consciente até da própria respiração. Respirar mais pausadamente, profundamente, com mais qualidade. O mesmo com nossa mente. Não quer dizer deixar de usar o intelecto – a gente que publica em blog está sempre pensando no próximo artigo…

O que podemos deixar de fazer para poder aproveitar mais?

Em 2016 li um artigo muito bacana no Piccolo Universe que refletia sobre esse tempo da criança e a pressa dos adultos. A gente precisa apressar o banho na criança depois da natação só porque queremos que almoce logo e não se atrase para a escola? Temos que amarrar seus tênis para sair de casa logo ou podemos dar a chance da criança tentar amarrar? Não podemos dar esses créditos aos pequenos?

Neste semestre fomos almoçar num restaurante cujo buffet era baixinho o suficiente para estar ao alcance da minha filha. Ela não só pediu pra pegar a bandeja como já começou a se servir. E pegou tudo direitinho (com equilíbrio montou seu prato equilibrado, escolheu bem e comeu bem, que orgulho dessa menina!). Contei pra ela dos alimentos que estavam uma prateleia acima, que ela não enxergava, e só precisei ajudar a se servir de um prato. Ela respondeu, com muita calma e com uma gratidão sincera que me surpreendeu, “Obrigada, mamãe, você sempre me ajuda em tudo”. A gente tem que permitir que eles tenham esse tempo e façam suas conquistas em seu tempo – assim como andar, falar, etc.

Caminhos
Às vezes um trajeto a pé não demora muito mais do que de carro. Não o suficiente para nos atrasar (muito). Poder escolher alguns momentos ou caminhos para andar com mais calma e sentir o tempo, sentir a distância, é uma experiência muito rica para se compartilhar com uma criança. Há muito o que se ver. E melhor se puder ser feito com tempo e respeitando o tempo da criança, que quer parar para observar uma flor ou levar uma folha ou ramo com ela.

Eu cheguei a consultar um professor de educação física se poderia andar 2km com uma criança de 4 anos, e ele confirmou que ela era totalmente capaz. Que a caminhada não substituiria o ganho de força dos exercícios físicos. E deu a dica de tornar aquele momento interessante, prazeroso, de brincadeira, porque se fosse uma obrigação que não fosse divertida poderia… traumatizá-la (não usou essa palavra, mas é isso, para o resto da vida). Além de ir brincando, eu deveria levar água e poderia levar um petisco, uma cenourinha pra comer no caminho.

Na volta da escola, muitas vezes, pelo menos para uma menina taurina e bom garfo, o lanchinho é o mais esperado. Temos vários trajetos a explorar e brincadeiras a fazer (como “pular as sombras dos postes”). Já fizemos uma ida completa à escola sem carrinho nem bicicleta (nem transporte público), com duas ou três paradas (mamãe precisou passar no banco, mas nem tinha banco pra guria sentar) e foi bem tranquilo.

[o u t r o  p a r ê n t e s i s]
Algumas vezes me sinto um ET andando a pé simplesmente ou indo (a algum destino, não brincando) com uma criança numa bicileta de equilíbrio. Mas me dá muito prazer poder respirar ar “puro”, sentir o vento bater e me mexer enquanto vejo aquela fila interminável de carros parados no trânsito no fim do dia. E cada vez mais vejo outras crianças acompanhando seus pais de bicicleta, skate, patinete. Mais carrinhos de bebê nos ônibus! Não somos os únicos.

Perda de tempo?
Me parece que a gente ganha tempo fazendo as coisas devagar. Incluir as caminhadas ou a bicicleta no dia-a-dia, fora da academia, é um caminho oposto ao da perda de tempo, ao meu ver. Há mais vida nesses instantes.

PS 1 – Este assunto foi tema da apresentação de final de ano da escola, sobre o tempo;
PS 2 – Como sempre, o tempo foi um dos grandes desafios a administrar em 2017, tanto que faltou tempo para escrever no blog… Que em 2018 não falte tempo – para todos!

 

Leia mais:
O tempo (natural) das crianças
Uma visão Montessori sobre o tempo da criança
Móveis que podíamos viver sem
Criança precisa andar pela cidade para ser cidadã