Sebastião

Sebastiao
Não existe felicidade maior para quem escreve do que ter retorno de um leitor. No meu caso, ainda mais feliz ao ter recebido o contato da mamãe sustentável Luciana Portella, de Santa Maria/RS, que acompanha o blog desde o começo da gravidez e decidiu utilizar fraldas de pano no seu filho. Quando estava com 28 semanas, ela me mandou um e-mail para tirar algumas dúvidas. Recentemente, me escreveu de novo.

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Sebastião já está com 4 meses. E vejam que corajosa: em pleno inverno gaúcho, que, além de frio, é úmido, ela encarou usar fraldas de pano direto. Antes disso, o pitoco tinha 10 fraldas de pano modernas – então, até lavar e secar (lembrando que com umidade no ar, demora mais; nos primeiros meses, se troca mais seguido), era pouco. “Agora comprei mais. Está sendo ótimo, elas são gostosas e lindas”, me contou Luciana.

Sebastião

Sebastião em suas fraldinhas lindas e ecológicas

Ele está usando principalmente fraldas Dipano. Segundo sua mamãe, “são bem boas, parecem durar bastante”. Como todas, o único cuidado é com a impermeabilização. “Mas sempre faço um enxágüe extra e uso pouco sabão”, aconselha. Eles também gostaram bastante da Nós e o Davi. Das biodegradáveis, usaram no começo bastante as Wiona: “Muito boas, só são meio caras, mas achei bem melhor que as comuns da Pampers que experimentei junto”.

Luciana, esqueci de comentar. Se notar que impermeabilizou, não precisa esperar lavar mais uma vez. Usa assim mesmo, mas com um absorvente de algodão por cima (não dentro do bolso). Funciona superbem. Mesmo com uma fraldinha de pano Cremer bem dobradinha como absorvente. Depois lava de novo com pouco sabão!

LUCIANA

Mamãe Luciana

Quando a consultei para compartilhar a experiência dela com vocês, Luciana não hesitou. “O efeito que causa nas pessoas quando vêem as fraldas vale tanto quanto a economia de recursos que elas proporcionam.” Já podemos ver que ela está se saindo muito bem como mãe, mamãe sustentável e corajosa. Nas palavras dela, “a maternidade é uma vivência única, cheia de novas experiências”.

 

Saiba mais:
O que motivou este blog
Meus 5 motivos para usar fralda de pano
Um guia bem bacana pra quem tá começando

Desfralde noturno

Socorro bem-vindo: trio da Fralda Bonita

Socorro bem-vindo: trio da Fralda Bonita

Não imaginava que minha filha desfraldaria à noite também. Mas pouco depois de desfraldar, passou a pedir para não colocar fraldas para dormir. Acordava sequinha mesmo. E assim passamos meses sem xixi na cama em casa.

Se a gente morasse um pouquinho mais ao Sul, não teria feito o desfralde noturno ainda este ano. No frio, com umidade ou depois de passar um pouco de frio durante o dia (acostumada a tirar sapatos e casaco dentro de casa), os acidentes podem ser mais frequentes à noite. Pelo menos foi a nossa experiência neste inverno, visitando a família em Porto Alegre e passeando na Serra Gaúcha, em Gramado.

Confesso que estava com saudades de ver aquele bumbum fofinho protegido por uma fralda de pano linda. Tanto tempo sem usar, que já tinha esquecido de colocar fraldas na mala. E é sempre assim, não é? Esquece um item na mala, é desse que a gente mais precisa.

Na verdade dessa vez eu tinha levado. Uma. Só uma capa, mas nenhum absorvente extra para o bolso da fralda.

Que desespero! Nem lembro exatamente como fiz pra me virar nos dias seguintes. Passei praticamente a não dormir mais à noite. Estávamos dividindo quarto, então eu ficava esperta. A qualquer movimento dela para acordar e querer vir para minha cama, eu a chamaria para ir ao banheiro. E ela ía, bem zumbi. Se bem me recordo, a noite do acidente foi intercalada com uma noite seca e talvez mais uma noite molhada, algo assim.

Quem nos salvou foi a Bettina, da Fralda Bonita. Na manhã seguinte ao acidente, um sábado, liguei pra ela. Por sorte, minha sobrinha, que já não é mais bebê (temos 8 anos de diferença), estava em Gramado. Seria difícil pronta-entrega de tamanho grande, muito menos já lavada (temos que lavar cinco vezes pra tirar a goma do tecido antes de começar a usar). Casualmente, ela tinha algumas fraldinhas usadas e fez a gentileza de nos dar.

Como se não bastasse nos socorrer em pleno final de semana, ainda nos mandou um mimo. Um pinguim de pano fofíssimo, que a Dora amou, não largou e dormiu agarrada já naquela noite. Muita gratidão, Bettina!

Foi só voltar pra São Paulo, que ela já voltou a dormir sem fraldas. Para uma visita à família no RS em outubro, quando ainda tem feito frio (depois de um inverno quente lá também), estamos levando mais algumas fraldinhas de pano. E o presente da Bettina (exceto o brinquedo) está nos esperando na casa da vovó, por garantia!

Leia mais:
Os primeiros passeios sem fralda
Como lavar as fraldas de pano
Fraldas impermeabilizadas ou vazando? Veja o que fazer

Desfralde: primeiros passeios sem fraldas

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agora o saquinho de troca de fralda virou o saco de roupa suja (sempre levando uma troca de roupa e calcinhas)

Estou aprendendo (começando a aprender), finalmente, a andar com menos peso. Já conseguimos fazer passeios sem a bolsa do bebê: sem fraldas para trocar! Agora algumas calcinhas e pelo menos uma troca de roupa completa ocupam o lugar das fraldas na bolsa.

Nas primeiras semanas, saía com fraldas e levava fraldas comigo. Depois ainda deixei pelo menos uma fralda na bolsa. Logo a substituí pelo redutor de assento, que carrego às vezes no cesto do carrinho. Ultimamente até cocô em banheiro público já saiu sem levar o redutor!

Achava que o processo de desfralde de meninas era mais difícil na rua, ao ver tantos pais de menino oferecendo qualquer lugar público para fazer xixi. Depois muitas mães me contaram que acham o desfralde dos meninos mais difícil. Por enquanto, estou agradecendo que tenho uma filha menina e por hora não precisei pensar sobre incentivar o xixi em espaços abertos urbanos – pensando um pouco, talvez seja por essa tradição que nossas cidades latinas fedem a mijo.

Pelo menos aprendi que todo lugar tem banheiro. Não são todos os estabelecimentos que têm banheiro público, mas grande parte abre as portas para um bebê em desfralde. Principalmente quando o vendedor tem criança na família na mesma fase! Pelo menos nós tivemos essa sorte.

Alguns lugares, como no aeroporto de Congonhas, há vaso sanitário para estatura reduzida. Em outros lugares mais voltados para a família, como no Sesc Belenzinho ou alguns shoppings, há banheiro infantil. E podemos levar na bolsa um óleo de tea tree, álcool gel, lenços umedecidos ou usar o papel para assento ou forrar o assento de papel higiênico. Em parques sem banheiro, mesmo as meninas podem ter direito a fazer xixi na grama – só cuidem com os formigueiros e se atentem a não incentivar muito essa prática pensando se não querem que isso seja um hábito.

Tivemos um “acidente” numa pracinha na primeira semana sem fraldas. Outra vez, numa tarde, ela acordou da soneca no carrinho e não me viu na loja – catástrofe! Com dois anos e poucos dias (ou até antes), ela já conseguia realmente esperar para ir ao banheiro. Se lá em dezembro eu observava um intervalo de até 1h30 entre xixis em casa, desde desfraldada (já em abril), ela fica mais de 3h sem precisar ir ao banheiro.


Leia mais:

Nossa experiência com o desfralde
Tudo já publicado sobre fraldas
Mais usos do oléo essencial de malaleuca e dos saquinhos de roupa suja

 

Desfralde

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penico na casa da vovó

Já fazia tempo que minha filha dava sinais de desfralde (nem tão óbvios assim, como saber e tirar sozinha fraldas, avisar quando tinha feito xixi ou cocô e mostrar interesse pela rotina de ir ao banheiro), mas não achava que ainda neste verão passado deixaria as fraldas. De uma hora para a outra, estava pronta! Foi tudo muito rápido depois do Carnaval.

Sem muita disciplina, deixávamos que ela ficasse bem à vontade nos dias de calor. Na hora de trocar a fralda, oferecíamos que usasse o redutor de assento ou o penico. Sempre que lembrava e estava em casa, a deixava só de calcinha ou peladinha mesmo.

Passamos por alguns acidentes no começo, na soneca da tarde depois de mamar, ainda no meu colo. Nada assustador. Qualquer mãe habituada com fraldas de pano tira de letra!

Logo percebi que as calcinhas que estavam no tamanho certo (nem precisavam ser especiais*) seguravam até cocô. Além de serem fáceis de lavar, secam muito rápido. Bem mais rápido que qualquer fralda de pano. Meu primeiro impulso foi querer aumentar muito a coleção de calcinhas (o que, no comecinho, foi realmente necessário).


Como foi

Depois que ganhou o penico de Natal, começou a se interessar mais pelo desfralde. Mas só na semana que antecedeu o Carnaval começou a pedir para usar o penico com o objetivo de fazer xixi, geralmente na hora do banho, antes ou depois, sempre peladinha. E então eu notei que os pedidos para ir ao banheiro funcionavam quando ela estava pelada ou de calcinha, não com fralda, mesmo que fosse de pano, independente do modelo. De fralda, ela só avisava ou pedia para tirar depois que sujasse.

Depois de uma semana quase inteira fazendo pelo menos um xixi por dia no penico, resolvi levar o redutor de assento na viagem de Carnaval. Na ultima noite, ela pediu umas três vezes para usar o redutor até que fez cocô na patente! E nem estava em casa!

O papai, depois de presenciar esta cena, passou também a incentivar o uso de penico pela manhã, cedinho. E então ela passou as duas semanas seguintes pedindo para usar o penico direitinho, quanto orgulho! Para sair e para dormir, ainda usava fralda (com um ano e 10 meses). Mas aí comecei a achar que estava confundindo a cabeça dela. Que não deveria continuar de fralda depois que acordasse nem usar pra sair. Incentivada por outras mães, tomei coragem e deu supercerto!

Depois, assumindo o desfralde, teve atrasos no horário do cocô ao viajar pra casa da vovó. Às vezes fazia cocô na fralda antes de dormir. Até que acostumou e não suportava mais uma fralda suja – andava de perna aberta se tinha cocô!

Nas primeiras semanas de desfralde, talvez tenha aumentado uma lavagem de máquina por semana. Normalmente, antes de iniciar o processo, lavava fraldas de pano a cada três dias. Agora, usando fraldas de pano apenas para dormir, posso lavar a cada seis!

Algumas mães me disseram que tiraram as fraldas diurnas e noturnas ao mesmo tempo das meninas. Tentador. Várias vezes as fraldas amanhecem sequinhas.

Paramos com as descartáveis (boa hora, em que tudo importado triplicou o preço), porque mal se percebia o xixi nas fraldas. Tivemos alguns acidentes só por atrasar para colocar as fraldas para dormir, mas já teve noite em que esquecemos e deu tudo certo. Mesmo assim, o plano é desfraldar à noite só no próximo verão – ainda que ela às vezes não queira colocar fralda para dormir.

Dora recém fez dois anos – na publicação deste post, está com 26 meses. Desfraldou, mas ainda mama no peito.

 

* Já ouviu falar em fraldas e calcinhas especiais para desfralde?

Embalagem do lixo

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Quando paramos para refletir sobre o lixo, parece não haver solução a não ser mudar de planeta, como me disse uma amiga esses dias. Reduzir é o segredo se estamos preocupados com essa questão. A forma mais eficaz possível para gerar menor impacto ambiental é cortar a fonte e não gerar lixo. Ou seja, em vez de tomar suco de caixinha ou garrafa, fazer o seu suco, aproveitando até a casca ou adubando a terra, fazendo compostagem com o lixo orgânico gerado. Para o lixo da cozinha, a composteira é uma ótima solução. E quando falamos em fraldas?

As fraldas de pano são duráveis e reutilizáveis, solução para gerar menos lixo. Os paninhos também, que podem substituir algodões ou lenços umedecidos. As fraldas descartáveis biodegradáveis, que teoricamente se decompõem em 5 anos, podem ser utilizadas por várias horas num bebê grandinho. No verão e no desfralde, o bebê pode ficar peladinho em casa ou só de calcinha/cuequinha.

O que fazer se gerarmos lixo, como armazenar e descartar esse lixo? Vamos reduzir sacos de lixo também!

Tenho pavor de sacolas dentro de sacolas, dentro de outras sacolas… Parece que aquele lixo está tão protegido que nunca irá se decompor. Perguntei a três ou quatro biólogas e engenheiras químicas, mas não obtive uma resposta definitiva sobre o fato de uma sacola dentro da outra atrasar a decomposição de seu conteúdo. Vamos lembrar que no caminhão de lixo muitos sacos grandes já se abrem, mesmo assim aquele plástico continua lá.

No condomínio onde moramos, há lixeiras com sacos de lixo em todos os andares para lixo orgânico. O lixo ali depositado deve estar embalado, pois eles fazem o possível para reunir os lixos, mantendo aquele saco na lixeira por mais tempo. Como não posso simplesmente pegar o cesto de lixo e despejar diretamente ali, procuro evitar acumular um saco dentro do outro em casa e utilizar uma embalagem de fácil decomposição. Assim, o lixo de fraldas pode ser embalado com o lixo de banheiro, por exemplo.

Para a lixeira das fraldas, fora as sacolas oxi-degradáveis, que são feitas para se desmanchar no meio ambiente (em alguns meses no sol, observe ela se desfazer em pedaços), mas não necessariamente deixam de ser tóxicas para o meio ambiente (elas não deixam de existir), prefiro usar:

– a embalagem das fraldas (as Wiona no Brasil estão vindo em sacos biodegradáveis, feitos de milho);
– o saco de papel da padadria, geralmente pardo (são perfeitos para embalar de uma a três fraldas, depende da capacidade, e no geral não seriam reciclados, porque além de muito amassados às vezes ficam também engordurados);
– uma dobradura com papel jornal, se temos jornal em papel em casa.

Para fazer a dobradura, o passo-a-passo é este aqui. No entanto, com o tamanho do papel dos jornais do Sul do país ou dos distribuídos gratuitamente na rua (tipo tablóide), o embrulho se torna pequeno para mais de uma fralda suja e frágil para uma fralda pesada, bem recheada.

O saco de papel de pão foi, por enquanto, a melhor alternativa para se livrar do cheiro do cocô matinal na fralda noturna no quarto. Já na casa da vovó, quando usamos fralda descartável, ela vai direto para a lixeira grande de lixo orgânico, sem precisar de embalagens menores. Pena que esses sacos grandes dificilmente são ao menos oxi-degradáveis.

Como é o descarte do lixo na sua casa?

Leia mais:
O lixo que não se desfaz – por EcoMaternidade
Sem desperdício – pensando nos mínimos detalhes

Forrinho

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Passear com fraldas de pano é possível, sim. Fica mais fácil com um liner, bioliner, insert ou forrinho biodegradável, uma cobertura descartável que fica em contato direto com a pele do bebê e segura as fezes. Como um pedaço fininho de TNT (tecido-não-tecido), mas feito normalmente de bambu, é biodegradável. É vendido em rolo com aprox. 100 pedaços. Essa é uma dica para facilitar o uso de fralda de pano também no berçário, na creche ou mesmo na casa da tia ou da vó!

Não é garantia de que não passa o cocô para a fralda ou absorvente. Às vezes, se estiver mais líquido, pode “manchar” – ainda assim, uma sujeira muito mais fácil de limpar. Pode acontecer de se deslocar na fralda e deixar passar diretamente a sujeira. Por isso também não adianta experimentar usar em fralda descartável, não dá certo. Nesse caso, a chance de gerar mais lixo só fica maior!

No geral, basta embrulhar o cocô e colocar no lixo como uma fralda descartável – o que passa de sujeira para a fralda de pano sai com pouca água e uma esfregada antes de lavar ou pode ir direto pra máquina. O forrinho é suave ao toque. Como o pedaço é grande e não fica sujo por inteiro, uma parte ainda pode ser usada como lencinho (apesar de não ser umedecido), muito prático. Se tiver cocô, certamente tem uma ponta intacta que você pode usar para tirar o excesso que grudou na pele do bebê. Assim já economiza em algodão, lenço umedecido ou na lavagem de um paninho. Depois de remover o excesso, você faz a limpeza como de costume.

O forrinho também pode ser útil caso precisar passar pomada no bebê, se ele estiver assado. Pomadas não combinam com fraldas de pano, podem deixá-las impermeabilizadas. Se precisar mesmo usar, proteja a fralda de pano com o liner.

Estamos usando os forrinhos que comprei em viagem em março do ano passado. O Windeleinlage (forro de fralda) da Tradeline Handels encontramos na Áustria, vinha de Pucking. Pra quem não entende alemão, o rótulo é incompreensível, mas quem está atenado nos acessórios para fralda de pano, rapidamente identifica – relendo o rótulo, não lembro como tive certeza do que era, mas talvez estivesse captando melhor o idioma inserida na viagem. Fácil de achar, vimos na primeira farmácia que entramos em Viena. Este é feito de celulose, parecendo um papel higiênico mais grosso e macio. É resistente ao rasgo, branqueado com oxigênio e compostável.

forro austríaco de celulose

forro de celulose

Tá certo que economizo, prefiro usar quando viajo, em alguns passeios ou em horário em que é mais provável que a bebê faça cocô. Os pedaços são grandes, algumas fraldas parecem menores que o papel no comprimento e largura, mas se ajusta no corpo da criança. Já vem subdividido, com 100 pedaços apenas! O interessante é que não há suporte dentro do rolo, como no papel higiênico.

Agora, com o racionamento de água em São Paulo, os forrinhos descartáveis são ainda mais úteis, pois muitas vezes equivalem a uma lavagem. Pelo menos economiza aquele jato d’água antes de lavar para retirar o excesso de cocô. Eu certamente o usarei mais no período de “rodízio” de água do prédio, que começa hoje.

No Brasil, sei que a DiPano e as Fraldas de Pano Biolinum vendem rolos de liners para fraldas de pano. Das Fraldas Ecológicas Biolinum, usei e gostei, eram importados e estavam esgotados até eu publicar este texto. A DiPano foi a primeira que vi vender no Brasil e oferece dois modelos: feito de milho ou feito de bambu. Já cortei pedaços de TNT para usar como liner, mas nem sempre o TNT à venda é o ideal pra este fim, fino e absorvente o suficiente, além de ser difícil termos certeza de sua composição – assim ainda vale mais a pena procurar os forrinhos específicos para fraldas de pano.

Leia mais:
Forrinhos Eco-Refil Bambu da Biolinum – resenha
Derrubando mitos e bactérias – fraldas na creche?
Como funcionam as fraldas de pano – montando um kit
5 motivos para usar fraldas de pano

Fraldas impermeabilizadas

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Fraldas de pano modernas costumam vir impermeabilizadas pela goma do tecido. Os fabricantes recomendam lavar pelo menos três ciclos completos da máquina para ter atrito, enxágue e remover a goma. Já em uso, colocar bem pouco sabão e dar duplo enxágue. Depois de um tempo, infelizmente, se mudar o sabão, aumentar a medida do sabão, esquecer do segundo enxágue ou outra pessoa lavar, usar uma pomadinha no bebê, por exemplo, tudo pode voltar a impermeabilizar. E agora?

O que não pode impermeabilizar é a parte interna da fralda, onde deve ser absorvido o xixi. Se essa camada for de algodão, ela não fica impermeável. No entanto, o algodão fica molhado rápido, então você deve trocar logo a fralda do bebê, enquanto o microsoft faz a camada “sempre seca”, deixando passar o xixi e permitindo que a pele do bebê continue seca e em contato com uma superfície seca e por isso dura mais tempo – mas impermeabiliza fácil.

O mesmo acontece com os recheios absorventes. Absorventes de algodão ou de microfibra não impermeabilizam. De microfibra, no entanto, não deve ser usado em contato com a pele do bebê, mas em fraldas pocket, dentro do bolso da fralda. Os de algodão costumam ter várias camadas e ter boa absorção, podem ficar em contato com a pele, não impermeabilizam, mas ficam molhadinhos e não são ideais para uso contínuo por muitas horas ou passar a noite. E existem os que são de microsoft ou que têm um lado, uma camada em soft para fazer essa cobertura “seca”, só que esses impermeabilizam. E isso ocorre com várias marcas e modelos, é muito comum.

Faça primeiro o teste. Mesmo ainda molhado, saindo da máquina, você pode checar se a impermeabilização continua. Coloque uma gotinha de água e veja onde ela vai parar. Se aquela gota continuar formada e correr pelo tecido, isso também pode acontecer com o xixi e vazar a fralda – está impermeável. Se ela for absorvida, se desfizer, entrar, está tudo certo.

O que fazer
Não se desespere sem fraldas, colocando tudo na máquina. Tente usar mais uma vez. Se a parte interna da fralda ficou impermeável, não use como fralda pocket, não coloque o absorvente no bolso: coloque-o sobre essa camada que ficou impermeabilizada, de preferência sem as capinhas para absorventes, para evitar mais barreiras e permitir a absorção do xixi. Se o lado de microsoft do recheio estiver impermeável, deixe-o virado pra baixo, colocando o lado de algodão mais próximo da pele do bebê.

Na hora de lavar, repita o procedimento lá do começo com as fraldas: dê enxágues extras ou repita várias vezes o ciclo. Lavou muitas vezes, ainda parece não absorver bem? Deixe secar e coloque em uso novamente, usando ainda como fralda capa, com o absorvente por cima, não por dentro. Nas próximas lavagens, a absorção da fralda será recuperada.

Já os absorventes, mesmo com a camada de microsoft, podem ser lavados separadamente. Coloque-os num balde com água fervente e bicarbonato de sódio (uma colher de sopa para 1l d’água, aproximadamente) – isso geralmente é suficiente para recuperar sua capacidade de absorção. (Não fazemos o mesmo com as fraldas, porque costumam ter uma camada plástica dentro do bolso ou seus botões podem não ser resistentes também.)

Leia mais:
A lavagem das fraldas
Como prevenir mal cheiro ou proliferação de bactérias
Tipos de absorventes das fraldas
Como são as fraldas de pano modernas
A causa que motivou este blog

 

Economia de recursos

fraldas no inverno para bebês grandinhos

No inverno, é perfeito colocar fraldas noturnas bem quentinhas mesmo durante o dia

A troca de fraldas do bebê costuma ser recomendada no máximo a cada três horas ou sempre antes de mamar desde recém-nascido. Quando o bebê fica maior, no entanto, você pode espaçar essas trocas sem afetar a pele do bebê. É uma forma de economizar recursos, seja gerando menos lixo ou lavando menos fraldas.

Assim, você pode trocar apenas quando sentir que o bebê já molhou bastante (e sempre que fizer cocô, claro). Depois que o bebê já passa dos 7kg (geralmente depois dos 6 meses), já usa o tamanho Maxi das fraldas Wiona, por exemplo, é seguro fazer o teste. Com a fralda de pano, pode fazer quase a mesma coisa. No inverno, bebês maiores conseguem ficar a tarde toda com uma boa fralda noturna de pano e recheio noturno adequados. Quando a camada de microsoft interna já não parece continuar seca ou o recheio já está “carregado”, troque em seguida. Se limpar bem antes e depois, deixando bem sequinha a criança, não há risco de assar. Com a descartável hipoalergênica biodegradável, por tantas horas, é bom passar um creme de prevenção de assaduras. Nem toda fralda dura tanto tempo, entretanto.

Tem que usar o bom senso. Se a fralda continua segura, seca, tudo bem. Mesmo assim, não recomendo fazer isso todo o tempo por muitos dias seguidos para prevenir assaduras e proteger a pele do bebê. E no verão (quando a fralda noturna de pano não é muito adequada durante o dia), o bebê mesmo bem novinho pode ficar um tempo peladinho, sem qualquer fralda, não há contra-indicação.

 

Leia mais:
Desafio: três vezes ao dia – usando as noturnas durante o dia, mais fácil fazer valer o desafio

Fraldas na Europa

fraldas ecológicas na Itália

Wiona, Moltex e Nature Babycare: fraldas que já experimentamos

Tiramos alguns dias de férias, aproveitamos uma promoção e fomos encontrar uns amigos na Europa. Ainda mais viajando para o frio, decidimos usar apenas fraldas descartáveis biodegradáveis. Levamos a quantidade necessária para a primeira semana. “Depois a gente compra mais lá.” Como mudaríamos muito de cidade, nem pensamos em levar fraldas de pano para lavar.

Na nossa experiência, não foi tão simples assim. Nem todo lugar vende e nem sempre se encontra do tamanho certo. Onde é mais seguro encontrar é em empórios ou mercados de orgânicos. Pesquise onde há mercadinhos perto de onde for ficar, mas peça dicas quando chegar lá – muitos desses lugares funcionam em horários alternativos e podem estar fechados aos finais de semana, de manhã cedo ou às segundas. Ainda assim, o preço costuma ser salgado e nem sempre você vai encontrar a marca que procura.

Na Itália, queria experimentar a marca italiana NaturaÈ. Quando precisei comprar, não encontrei. Havia fraldas biodegradáveis em promoção por 5€ num supermercado em Roma logo que chegamos, mas ficava muito afastado do centro. Não tivemos tempo de ir até lá.

Nature Babycare e o vexame na loja de departamentos
Acabamos pagando caro por um pacote de Nature Babycare (fabricado pela Naty) em Milão, que encontramos no Centro Botânico, um supermercado grandinho de produtos orgânicos e ecológicos bem bacana mas um pouco caro – foi quase o preço da Wiona no Brasil, mas por um pacote com umas 10 fraldas a menos. Já tinha experimentado a fralda uma vez, é legal porque não tem nada de plástico, parece bem natural, mas quando já estamos acostumados com outro modelo, usar um novo direto pode causar estranheza (tínhamos a sensação que a fralda se “desmanchava” com muito xixi, mas era, até então, confiável). A Nature Babycare foi fundada por uma mãe sueca – vem até a foto da Marlene Sandberg com seus filhos na embalagem, bem simpático.

Naty fralda biodegradável

Num dos últimos dias de viagem, quando estávamos na rua por muitas horas sem encontrar trocador, um acidente. Estava numa grande loja de departamento quando sinto um calorzinho. Minha filha estava no colo. Olho pelo espelho e, de fato, vazou o xixi. Um vendedor chamou um segurança, que pediu a chave do banheiro de funcionários para outro segurança. Descemos um andar. Era um banheiro acessível, mas não tinha trocador, claro. Pelo menos estava limpo para colocar o trocador portátil no chão. Ela precisou trocar a roupa também, inaugurar uma calça nova. Tudo pronto pra sair, número dois! Tive que começar tudo de novo. Os seguranças já batiam na porta para entender o que estava acontecendo.

Nem foram tantas horas na rua como seria numa madrugada. Por sorte, tínhamos guardado algumas Wiona para colocar à noite, que estávamos usando. Mas não teríamos fraldas suficientes para enfrentar a viagem de volta ao Brasil.

NaturaÈ
Em Florença encontrei a NaturaÈ, italiana, em uma loja de bebê, mas era o último pacote da loja e não era do tamanho certo (o preço era tentador: o mesmo de uma convencional, uns 7€). Continuamos a saga. Não encontrei outras marcas italianas, referências desse guia bem completo (em italiano).

Moltex fraldas biodegradáveis

Moltex
De volta a Roma, fomos ao mercado orgânico do Trastevere que nos recomendaram (o da minha pesquisa estava sempre fechado). Encontramos outra fralda ecológica que também não era italiana. A Moltex, de fabricação alemã, que diz ser “a primeira fralda ecológica do mundo”. Cerca de 45% de sua matéria-prima provém de fontes renováveis, não contém cloro nem látex ou fragrâncias, permite que a pele respire e 40% do TNT da capa da fralda, seu lado externo, é de matérias-primas renováveis. Ela é branquinha como a Wiona (a Nature Babycare tem desenhos de folhinhas no corpo da fralda), mas o tamanho Maxi é um pouco maior. Custou um pouco menos (16€) e vem com mais fraldas (37) que a Nature Babycare (32 peças) – ainda menos unidades que o pacote do tamanho equivalente da Wiona. Funcionou bem, conseguimos voltar com segurança.


Resumo da ópera
: por mais que você queira experimentar produtos locais, quando se trata de bebê, mais seguro levar com vocês os produtos de necessidade básica da sua confiança. Um pacotão de fraldas pesa, mas com o uso o volume vai diminuindo e até abrindo espaço na mala para trazer outros achados.

PS – Engraçado que no aeroporto de Munique, onde acabamos fazendo conexão na volta (ainda bem que tínhamos garantido mais fraldas, porque o vôo original foi cancelado), vimos outros produtos orgânicos para bebês na farmácia, mas nada das ótimas fraldas biodegradáveis alemãs.

Experimentei: Biolinum

Fraldas Biolinum

Contar sobre fralda de pano logo no primeiro dia de uso é arriscado, pois ela precisa ser lavada pelo menos duas vezes (dois ciclos na máquina, não necessariamente com sabão) para ficar mais absorvente. Estava ansiosa para experimentar na minha filha as Fraldas Ecológicas Biolinum, que é uma nova marca brasileira de fraldas de pano, produzidas em Campinas. Escrevo depois da segunda experiência com a fralda, o absorvente de algodão, o absorvente de microfibra e o forrinho de bambu.

Usamos com o absorvente interno de algodão reforçado com o forro de microfibra e com o Eco-Refil, forrinho biodegradável – tudo junto. Os absorventes podem ser usados separadamente, mas a troca da fralda deve ser mais frequente. O forrinho é descartável.

Características marcantes:
Adorei o fechamento em velcro e em botão da fraldas de pano Biolinum. Usei os botões para regular a altura, mas é muito prático fechar na cintura com o velcro, sem se preocupar em encaixar os botões.

A camada externa é macia e fosca, de um algodão impermeabilizado, quase uma camurça – eles chamam de Fashion Peach Skin (pele de pêssego). O forro interno, de microsoft, que não fica molhado de xixi, bom para a pele do bebê. Aparentemente, a largura da fralda é um pouco maior (cerca de 1cm mais larga) que as já experimentadas, mas é tamanho único.

Recomendo começar a usar a partir da quinta lavagem. Pode colocar na máquina com as outras roupinhas do bebê. Não demora muito a secar, não vai demorar a usar.

ferrinho de bambu

Segredinhos:
Se usar o forro de fibra de bambu, corte um pedaço do rolo que cubra de ponta a ponta da fralda, assim garante que as fezes fiquem sob o paninho. O material é como um TNT bem fino, biodegradável. Muito fácil de descartar o cocô com esse paninho, o que facilita as saídas com fralda de pano. Ele retém as fezes, mas deixa a fralda absorver o xixi e pode ficar suja, manchada – ou seja, você não vai reaproveitar a fralda, mas a sujeira será fácil de remover na lavagem à máquina.

O ajuste nas pernas do bebê pode ser feito puxando o elástico, que é caseado e pode ser preso com um botão. O teste que eu faço para saber se a fralda tá bem ajustada nas pernas é amamentar na posição clássica – cuidado que, se a fralda estiver larga, pode vazar. Nessa experiência, tudo OK. Outras fraldas da Dora têm o elástico ajustável, mas confesso que não sabia que era possível ajustar. Nessa, o botãozinho é bem acessível caso precise apertar ou alargar.

Um diferencial bem interessante: nas laterais da fralda é possível prender reforços opcionais em velcro para evitar que a fralda se abra acidentalmente (depois que a criança já está caminhando).

Fralda e absorventes gentilmente cedidos pela Fralda Ecológica Linum Bebê e Natureza

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Sobre fraldas