Carrinho de cara nova

empurrando

Sabia que podemos deixar o carrinho novinho e limpinho? Sim, existe assistência técnica especializada em carrinhos! Nem pensar comprar carrinho novo ou mudar a logística tão cedo.

Eu tinha certeza de que assim que levasse o carrinho no conserto, minha filha pararia de andar. Não parou, mas está dependendo menos dele, como já contei. Pelo menos por enquanto, ele continua nos ajudando a poupar tempo nos trajetos mais longos.

Não podíamos mais levar o carrinho no metrô, pois os freios não estavam mais funcionando. Desde 2015, de um lado. No último ano, de repente, dos dois. Mas foram mais de três anos de muito uso.

calota

Havia um outro problema que há muito nos incomodava. Comecei a levar choque ao empurrar o carrinho. Era só mudar de superfície, como andar na rua em dia bem seco e entrar num shopping. Ou de repente parar e apertar o botão do elevador do metrô. Ui! Fiquei traumatizada com esses elevadores, hehe. Depois de levar muito choque (e também para evitar calos nas mãos), comecei a usar luvas de ciclista para empurrar o carrinho. E comecei a sonhar em revestir as alças com aquela fita para guidom de bicicleta.

Então, com o Zezinho dos Carrinhos, a assistência técnica que encontrei em São Paulo, descobri que o problema eram metade das rodinhas que estavam carecas. E desde que trocamos essas rodinhas (que eram quatro, pois nosso carrinho é o Maclaren Techno XT), nunca mais levei choque. Acredito que as rodinhas traseiras gastaram mais de tanto forçar subindo e descendo guias de calçada sem rampa.

Comecei a desacreditar na promessa de que o modelo escolhido era um carrinho para toda a família, que passa de criança para criança, antes de conhecer a assistência técnica. Estava ciente de que rodamos provavelmente mais que a média, pois já foram muitos quilômetros nesses mais de três anos, enfrentando as magníficas calçadas brasileiras. Mas é verdade que esse carrinho atende crianças desde bem bebês (o encosto deita) até ficarem grandinhos (aos 3, nossa filha já vestia 6 e pesava quase 18kg, apostava que por 6 meses no mínimo ainda usaria muito).

O carrinho ficou bem limpinho, não perdeu a cor, como eu temia, prometeram não utilizar produtos agressivos. Os freios voltaram a funcionar perfeitamente! A calota nova foi a única coisa que não deu muito certo: em uma semana caiu, por sorte, na frente de casa – preciso voltar lá pra arrumar. O legal é que trabalham com peças originais.

sentada

Empolgada com o resultado, até esqueci que a menina estava crescendo! Somos altos, a pequena não é tão pequena assim. Com 3 anos e 8 meses, tem 110cm de altura e 19kg! Grande parte dos carrinhos têm o limite de 15kg, fiquei preocupada. Então lembrei que escolhi o Maclaren Techno XT por ser apropriado para famílias altas (os “puxadores” sobem, inclusive) e para acompanhar a criança no seu crescimento. Checando no site oficial, esse carrinho suporta até 55lb, ou seja, 24,900kg ou mais, ufa.

Claro que não é tão barato consertar, como qualquer mão-de-obra. Ainda assim, é muito menos do que um bom carrinho novo. E valeu a pena contratar o serviço de lavagem, pois tiram todo o tecido, desmontam para lavar e depois te entregam montadinho – bem mais eficiente do que nossa limpeza de aspirador e paninho, éramos salvos pelo forrinho do assento que colocávamos na máquina. Não sei os preços atuais, o serviço com as peças custava a partir de R$ 70 e não chegava a R$ 200. Com a possibilidade de conserto, o carrinho ganhou mais anos de vida!

Alguns endereços de assistências técnicas no Brasil:

São Paulo/SP
Zezinho dos Carrinhos (onde nós fomos)
Rua Tanabi, 47 – próximo ao Parque da Água Branca
11 3673-7357

Rio de Janeiro/RJ
Babytec (mais de um endereço, atendem Maclaren, respondem pelo Facebook, não experimentei)

Porto Alegre/RS
Casa Catraca (não sei as marcas que atendem, mas consertam carrinhos e bicicletas)
Rua Visconde do Herval, 1383
51 3217-0359

E você pode entrar em contato com o SAC do fabricante ou checar listas como estaesta ou esta.

 

Leia mais:
Dicas da mamãe da cabeça aos pés para limpar o carrinho em casa
Como escolher o carrinho do bebê

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Bem-vinda, primavera

ciclovia

Setembro foi o mês de redescobrir as ruas, curtir andar a pé, sair para observar os ipês e colher amoras. Descobrimos também que alguns dos caminhos mais bonitos de São Paulo estão nas ciclovias – pelo menos nessas abençoadas pelas árvores! Tanto que a mocinha minha filha pegou o gosto de andar na bici dela por aí. Três coisas para contar.

Das amoras
Esses tempos tentaram cortar nosso barato. Estávamos descendo as escadas para seguir em direção ao metrô e paramos para comer amoras. Eis que um senhor de terno parou atrás de nós só esperando para falar comigo.
A árvore era dele, fiquei pensando? Ele estava fumando e queria me alertar para não oferecer amoras para minha filha pois o ar é muito poluído, passam carros e ônibus na rua. Eu retruquei que essa sujeira também entra pela minha janela, inclusive da cozinha, e que eu preferia isso a comprar frutas com agrotóxicos e que, além disso, ele estava contribuindo para aquela poluição fumando.
Tenho amigos saudáveis, inteligentes, queridos e crescidos que cresceram se pendurando em amoreiras nas calçadas e praças em Porto Alegre, onde também passam ônibus. Por que ele, com aquele cigarro apontado, teria que se meter na criação da minha filha? Me tirou do sério, escutou muito.
Infelizmente, quando passamos de novo nesse mesmo caminho, realmente cortaram nosso barato: podaram os galhos mais acessíveis dessa amoreira, levaram embora mesmo. Menos mal que ainda existem muitas amoreiras por aí (perto do asfalto) para manter esse delicioso sabor de infância.

A bici
Já havia contado das balance bikes, bicicletas de equilíbrio. Minha filha tem uma de madeira, que, na época dos posts, era ainda triciclo. Ela usou por muito tempo como um andador, empurrando, mal sentava. Sempre dizia pra ela dar um impulso e soltar os pés, andar mais rápido, mas nada. Não estava acreditando muito que ela fosse se aventurar a usar.
Quando parei de falar, aos 3 anos e 4 meses, ela mesma pediu para andar e começou a experimentar. Sentiu o gostinho da velocidade, aprendeu a descer (e gostar de descer) rampas. Experimentou a autonomia, como se a bici fosse o “carro” dela. Já andou até em ciclovias.
Assim, para alguns caminhos a pé pudemos abandonar o carrinho. Conseguimos ir de casa ao metrô ou ao supermercado (mais próximo) com ela “dirigindo”. Nossa ciclista pede diariamente por um passeio de bike agora.

O carrinho
Adoro os amiguinhos da minha filha. Um dia desses, um deles fez a ela uma pergunta que nenhum amigo meu ousou fazer pra mim quando eu era pequena. Por que ela não tinha levado um carrinho pra eles brincarem no parque?
Esse é desses meninos que também brincam de boneca, leva um bonequinho pra tomar banho no balde, brincadeira de criança, ora. Tem um outro menino que já se fantasiou de princesa, de príncipe, de fantasma, sim, de princesa, enquanto brincavam com panos no Sesc.
Ela até tem alguns carrinhos. Não pensei em levar para o parque porque um deles pode enferrujar e os outros dois são de madeira, também não podem ser molhados. Mas minha filha fez outra interpretação da pergunta e teve a brilhante ideia de levar carrinho de boneca ao parque. Passou uma semana inteira pedindo. Até que foi numa tarde de sexta empurrando seu carrinho. Meia hora (nos seus passinhos) sem pedir colo. Parou apenas para tomar um gole d’água ou colocar/tirar casaco.
Depois dessa experiência, estava pronta para fazer o mesmo trajeto de bicicleta! Deu certo. Foi e voltou, mas com um intervalo maior para descansar.

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Leia mais:
Como ensinar a andar de bicicleta?
Brincadeira de criança – não existe brinquedo de menino ou de menina, ou existe?
Amora – um poema para refletir
Amora, fruta gostosa que só faz bem
Um pai, um pé de amora e o tempo
Leituras primaveris

Mobilidade em SP

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Esta semana começou muito bem – e não podia terminá-la sem dividir a experiência com vocês. Na terça-feira, 3 de março, foi inaugurada uma nova travessia para pedestres num dos principais cruzamentos de São Paulo, na Consolação com a Caio Prado (pertinho daquele projeto de parque, o Parque Augusta, que infelizmente tem cada vez menos chances de ser público e real). É uma faixa diagonal para pedestres! Até uma semana atrás, quando passávamos por ali, tínhamos que esperar pelo menos dois demorados sinais para atravessar todo o caminho. Agora podemos ir seguros de uma vez só.

Na segunda-feira, ainda em fase de teste, tive o privilégio de atravessá-la com carrinho de bebê. Um rapaz da CET nos acompanhou no trajeto para garantir que a faixa de pedestre era oficial e segura. Adorei! Espero que siga funcionando bem e que mais cruzamentos assim sejam feitos pela cidade, respeitando o pedestre.

A iniciativa integra o projeto Centro Aberto e segue o modelo de cruzamentos para pedestres em Tóquio, no Japão. Há um “X” pintado de azul com as faixas brancas entre as esquinas com guias rebaixadas. As rampas para caldeirantes nas faixas antigas de pedestre deste cruzamento também foram ampliadas, assim como os sinais ficaram mais longos e sincronizados!

Agora está ainda melhor andar de carrinho por Higienópolis! Adoraria ver uma faixa dessas na Av. Angélica, em frente à Praça Buenos Aires.

Mais informações:
Sobre a faixa
Sobre o projeto Centro Aberto
Transporte público com bebê em SP
Manual de convivência com bebês

No skate com o bebê

longboard baby
Semana passada, quando estava nos visitando, meu sobrinho me surpreendeu andando bastante por São Paulo de uma forma bastante sustentável e inusitada. Pegou metrô e ônibus em alguns momentos, sim, ok. E desbravou a cidade de skate, como meio de transporte.

Ele já não é mais nem adolescente, tem praticamente a minha idade (são quase seis anos de diferença). Mas me deixou pensando como um pai ou mãe podem andar com os filhos sobre essas rodinhas.

Eis que está para ser lançado o seguinte:

Skate sob carrinho
A Quinny, conceituada marca de carrinhos de bebê, está desenvolvendo com a agência de design belga Studio Peter Van Riet um novo conceito em mobilidade urbana – carrinho para mães ou pais skatistas: o longboard stroller. Do mesmo modelo de skate do primo da Dora, long, bem urbano, para longas distâncias ou para andar à beira mar. Há um ano, em fase de teste.

longboard stroller, da Quinny

longboard stroller, da Quinny

 

Para o irmão mais velho
Quando chega o segundo filho e o carrinho passa para o novo bebê, o irmão (ou irmã) mais velho, se já for grandinho, pode “andar de skate” enquanto os pais empurram o carrinho. Já existem opções para adaptar uma plataforma nas rodinhas para a criança ficar de pé. Atenção ao material, há produtos de plástico à venda, mas a escolha mais resistente e ecologicamente correta são os de madeira. Como o Sidekick Stroller Board, da Orbit Baby, que funciona bem até para o terceiro filho (pode ser acoplado um skate em cada rodinha ao lado de quem estiver empurrando o carrinho):

Orbit Baby

Sidekick, da Orbit Baby

Ou como o PiggyBack, da Uppa Baby, que mais se assemelha aos de plástico, mas também é de material natural e eco-friendly, feito de madeira:

PiggyBack, da UPPABaby

PiggyBack, da UPPABaby

 

Em São Paulo
Skate é a cara da cidade. Passear de skate na metrópole é bem possível, sim. No Centro, onde há ruas, viadutos e passarelas de pedestre, não há dúvida e há trajetos interessantes, como da Sé à Luz via São Bento e Viaduto Santa Ifigênia ou no Vale do Anhangabaú. Também em parques – Diego recomenda andar de longboard no lindo Parque do Ipiranga.

Unhas de menina

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A partir de que idade você permitirá (ou permitiu) que sua filha pinte as unhas?

Fui atendida por uma manicure pela primeira vez aos 10 anos e já considero isso um crime – ou pelo menos acho que ninguém deveria tirar a cutícula tão cedo. O uso do esmalte tinha sido liberado desde bem pequena, no entanto. Ia na creche de unhas pintadas de rosa choque e uma das minhas diversões (assim como alguns amam plástico bolha) era roer as unhas arrancando o esmalte. Uma amiga da época da creche, que deu o kit manicure pra Dora no chá de fraldas, comenta que a mãe dela não deixava pintar as unhas como as minhas, mas ela queria tanto…

Dora nasceu com cutícula e unhas elegantes. Até hoje é um sofrimento cortar suas unhas. Não adianta estar dormindo, tem sono leve – já tivemos um pequeno acidente uma vez, ela acordou da sesta depois do almoço e “furei” o dedinho dela com o cortador de unha tipo trim, desesperador. Hoje só uso tesoura de pontas arredondadas ou lixa nas mãozinhas dela.

Ainda não sei quando vou liberar colorir as unhas. Não pretendo proibi-la. Talvez aguardar seu interesse despertar e que ela tenha consciência para esperar o esmalte secar. Esse esmalte deverá ser o menos tóxico possível.

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Existem esmaltes solúveis em água como esses da La Femme. Fiz o teste (em mim). Além de não conter substâncias alergênicas, dispensa acetona ou removedor de esmalte para remoção. Se esperar secar o esmalte, pode lavar as mãos à vontade que não sai tão fácil assim – se usar água fria, tem que esfregar um pouquinho, com ajuda de um pedacinho de algodão. O melhor é colocar de molho em água morna por alguns instantes que fica muito fácil de tirar. Sai muito rápido se não chegou a secar na unha, aí um esfregão de leve debaixo d’água tira.

Neste kit, vem dois esmaltes coloridos (rosa e amarelo, que ficam foscos ao secar), um branco para carimbo e um top coat (base ou cobertura extrabrilho), todos à base d’água. É uma segurança saber que há opção atóxica para essas mocinhas charmosas.

Participe da pesquisa. As respostas serão aceitas por uma semana. Aguardo tua opinião!

 

Leia mais:
Mãos de mãe – os produtos mais indicados para mães de bebês

Manual de convivência com bebês

Manual de Convivência com Bebês
Mães ficam um pouco neuróticas para proteger suas crias, principalmente se estão na rua passeando com o bebê. Ou se vem alguém da rua. Num mundo ideal, todo mundo deveria saber como interagir (ou não interagir) com seu bebê. Fiz uma listinha básica de cuidados que todos deveriam ter:

1. Não pegue suas mãozinhas
Não importa o tamanho do bebê, elas vão direto pra boca. Evite pegá-las. Ao visitar um bebê, lembre de lavar as mãos ao chegar.

2. Não pegue no seu pé!
Os pés dos bebês são tão fofinhos, macios, irresistíveis… Até pra eles! Sim, também vão para a boca. Bebês são flexíveis e adoram morder um dedão do pé.

Deixe o bebê dormir (e outras 6 regras para a vida social do bebê)

3. Deixe o bebê dormir
Bebês precisam tirar suas sonecas ao longo do dia. Às vezes a melhor maneira é levando-os pra passear. Se você vê que um bebê pegou no sono ou acordou e quiser avisar a mãe ou o pai, seja discreto. Você não sabe o quanto eles precisaram andar pra que o bebê pudesse nanar. Seja no colo, no carrinho, no sling, na cadeirinha do carro – não fale com o bebê!

Tem gente que não pode ver um bebê dormindo que enfia a cabeça no carrinho pra ter certeza disso e fala, em alto e bom tom, com a boca virada e na altura do bebê: “Olha, ela dormiu!”, “Ela tá acordando!” ou “Olha, ela dormiu de novo!”. Shhshhhhhh! Deixe o bebê dormir!

4. Deixe o carrinho passar
Atravessar a rua é uma gincana. As calçadas no Brasil não são lá essas coisas (em São Paulo, então…), quanto mais a duração do sinal para o pedestre atravessar. Com filho, você não vai querer mais arriscar e atravessar fora da faixa de pedestre e com sinal de pedestre fechado. Mas aí vem um problema universal (já observei em todas as cidades que andamos): todo mundo quer atravessar na rampa da faixa de pedestre. Todos sabemos que a rampa foi feita para cadeiras de rodas e carrinhos. Mas parece que todos têm medo de tropeçar. Aliás, não é só na sinaleira. As pessoas acham mais fácil e seguro subir a rampa do que os degraus. Aqui no prédio, quantas vezes os vizinhos não dão “ré” pra gente passar com o carrinho!

Gente, para atravessar a rua, libere a passagem da rampa para cadeirantes, carrinhos de bebês e, ok, vamos ser gentis, bebês de colo, crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com visível dificuldade de locomoção. Se você está dirigindo, pare antes da faixa de pedestre (isso é lei) e dê passagem para pedestres. Cuide para não bloquear uma guia rebaixada ou rampa ao parar e estacionar.

5. Evite buzinar
Você não faz ideia de quantos bebês acabaram de pegar no sono esperando para atravessar a rua, no jardim de um prédio ou no seu bercinho dentro de sua casa a qualquer momento do dia e da noite. Eles estremecem com buzinas ou alarmes, deixando seus pais nervosos! Vamos diminuir a poluição sonora. Por favor, não buzine!

Ah, existe som pior que buzina: motores zunindo, especialmente motos barulhentas, e subwoofers ou aquele tremor grave dos carros.

6. Não fume
Ah, se eu pudesse, com minha sensibilidade de alérgica, proibia todo mundo de fumar, mesmo dentro de suas casas! Como queremos melhorar o convívio em sociedade e esse é um vício difícil de largar, podemos combinar o seguinte. Quer fumar? Escolhe um lugar arejado, mas de preferência que não seja uma área de lazer pública e seja longe de toldos ou janelas, leve um cinzeiro com você e fique parado, ali. De preferência sem se mexer e, se pudesse, sem acender o cigarro! Lembre que as nossas mãos ficam na altura dos carrinhos. Portanto, cuidado!

Se todo mundo respeitasse esses seis pontos, certamente viveríamos numa sociedade melhor e os bebês se sentiriam bem-vindos.

PS – aliás, nesta semana conseguimos finalmente atravessar na faixa de pedestre na Nestor Pestana, em frente à Praça Roosevelt, com tranquilidade: tinha uma moça da CET na esquina, só assim para nos respeitarem – a Dora convenientemente até bateu palmas pra ela quando terminamos de atravessar!

Leia mais:
Acessibilidade em ano de Copa
Rastros na areia
O que diz a lei em proteção ao pedestre, segundo a CET-SP

Acessibilidade em ano de Copa

acessibilidade: onde fica a rampa?

rampa em Estocolmo
foto: Sam Teigen / 917 press

Onde fica a rampa para cadeirantes? Essa é a pergunta certa a fazer quando precisar entrar em um lugar público com carrinho de bebê. Se perguntar “tem entrada acessível?” ou “como faço para entrar com o carrinho?”, infelizmente é bem provável que ninguém te ajude no Brasil.

No período da Copa, o que me preocupa é que empresas e instituições certamente vão reforçar suas equipes, contratando extra staff. No entanto, assim como no Natal ou durante outros grandes eventos, esses funcionários temporários nem sempre são treinados. De que adianta os prédios se adaptarem às normas de acessibilidade se a entrada ainda não fica acessível ao público?

Sei que alguns lugares são mais fáceis de visitar slingando. Mas como chegar a esses lugares? Ser sustentável é também andar a pé. Andar mesmo, sem pegar transporte público. Gosto de morar no Centro de São Paulo porque posso caminhar até meus destinos. Num raio de 3km, tenho infinitas possibilidades em todas as direções. Para chegar lá, preciso do carrinho – posso levar o sling na cestinha para usar no meio do passeio ou no retorno.

Tenho observado que os centros culturais privados, patrocinados por bancos, no geral, são mais preparados e têm equipe melhor treinada para receber pais com carrinhos ou cadeirantes. No entanto, os bancos (infelizmente inclusive algumas agências bancárias de instituições financeiras que patrocinam cultura) raramente têm estrutura ou equipe prestativa para auxiliar pessoas com crianças de colo, carrinho e cadeirantes. Já os museus públicos oferecem um atendimento vergonhoso.

Esses dias foi um sacrifício entrar num centro cultural – com orientação do funcionário que recepcionava o local. Uma amiga ajudou a subir com o carrinho. Na saída, este mesmo funcionário sugeriu que descesse pela rampa, que ficava escondida, mas era nova e ótima. Ele não tinha me entendido no começo ou achou que subir degraus com carrinho e bebê de quase 10kg era tarefa fácil.

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carrinho no Metropolitan Museum (NYC)
foto: Martha Dear

Em Porto Alegre, durante a Bienal do Mercosul em 2013, passei por uma situação constrangedora dessas e fui impedida de visitar um museu que adoro tanto, o Margs – Museu de Arte do Rio Grande do Sul. O segurança foi grosso e não permitiu minha entrada no prédio com o carrinho – a rampa, do outro lado, era “exclusiva para cadeirantes”. Me senti discriminada. Deixar o carrinho estacionado no guarda-volumes seria até de se entender, mas não poder subir até o guarda-volumes nem entrar no prédio, absurdo.

Publico aqui a carta-resposta que recebi do diretor do museu, através da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Gente, se alguém precisar visitar o Margs ou outro museu com seu filho no carrinho e não for permitido, use esta carta como passaporte. Espero que durante a Copa todas as instituições e seus funcionários – temporários inclusive – estejam preparados para receber famílias e portadores de necessidades especiais. Acessibilidade para todos!

carta do MARGS sobre acessibilidade

Leia mais:
No museu com o bebê

Sem limite de colo

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Colo e carinho em excesso não têm efeito colateral – a não ser criar uma criança feliz e segura (e ocupar os braços e forçar a coluna da mãe). A psicoterapeuta Laura Gutman explica que os filhotes de outros animais prontamente nascem independentes, com a habilidade de se locomover. Já os bebês humanos passam por mais 9 meses de gestação extrauterina.

“(…) quando o bebê tem suas necessidades respeitadas, logo cresce e evolui. Se sua segurança interior for forte, terá mais coragem e vontade de explorar o mundo exterior.

Lembremos que ninguém pede aquilo que não precisa.”

Laura Gutman – A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p. 130

Por isso, sou muito fã dos carregadores de tecido, especialmente o babysling e o Mei Tai, que são os que já experimentamos. Afinal, um bebê tão pequeno não aprendeu a fazer manha. Muitas vezes precisa de colo extra, sim. E você vai agradecer por poder ficar juntinho do bebê e ter as mão livres.

O sling ou ring babysling, que é o carregador de argola, é muito prático e pode ser usado desde o nascimento. Há uma variedade de posições para colocar o bebê – que você pode conferir neste manual. É como uma redinha, um ninho bem aconchegante, onde ele pode ficar na posição que estava no útero. Bem pequeninho, ele pode ficar deitado, na altura do peito. E você pode deixar de prontidão, encaixado, e ajustar o tecido ao colocar o bebê – puxa embaixo, de um lado, afasta um pouco o nó… Há várias posições para adotar, mais ou menos de acordo com os diferentes colos (hoje uso mais o apoio lateral, sentadinha).

Na rua, você pode proteger o bebê (do sol, da fumaça, dos olhares e até da garoa) com o que sobrar de tecido do outro lado da argola. Alguns modelos vêm com bolso nesse restante de tecido. Seu tamanho, quando comprado sob encomenda, pode ser ajustado de acordo com a altura da mãe, como já havia comentado. E pode facilitar a amamentação em lugares públicos – além de discreto, é um apoio para segurar o nenê em posição confortável.

As argolas podem atrapalhar em duas situações. Se for fazer longas caminhadas, descer ladeiras, o sling vai escorregando e você sentirá a pressão da argola no seu ombro, no ossinho. Ao passar em detectores de metal, no banco ou no aeroporto, pode apitar o alarme. No aeroporto costumam pedir para você passar no detector segurando a criança afastada do seu corpo, então não vai poder usar o carregador nesse momento. Além das argolas de inox, como eu uso, existem as argolas de nylon, injetadas especificamente para este fim, que são seguras e podem ser uma alternativa nessas situações.

O Mei Tai é o que mais se aproxima do canguru (para quem não conhece, é o desta foto). Foi nosso presente do Dia dos Pais e é um bom recurso de participação paterna. Mesmo que o a papai tenha usado com sucesso (fotos acima para comprovar), é o meu recurso favorito para os colinhos do final da tarde, quando preciso resolver algumas coisas e a Dora já está cansada.

Ainda que seu uso seja lógico (sem precisar quebrar a cabeça com o que fazer com o pano, um impasse para iniciantes no wrap, por exemplo), tive uma preguicinha inicial pra começar a usar. Até assistir ao vídeo abaixo e ficar segura de que poderia amarrar sozinha o Mei Tai em mim. Mas é importante aguardar o bebê estar com o pescoço bem firme e poder afastar as perninhas no seu colo para começar a usar.

Diferente de alguns modelos de canguru, o contato com a criança é direto, com o calorzinho do peito, sem material intermediário. Eu duvidava que o bebê pudesse dormir no colinho de Mei Tai, mas é totalmente possível. Na posição barriga-com-barriga, como demonstra o vídeo, minha filha encosta a cabecinha no meu peito e, já nos primeiros dias de uso, dormiu confortavelmente ali. No colo do papai, também.

Estou quase tão fã do Mei Tai quanto do babysling. Já me deu mais segurança para usar em transporte público ou mesmo em táxi. Com o crescimento do bebê, sua coluna vai agradecer por distribuir melhor o peso. Uso como uma mochila na frente – se preciso tirá-la dali, abaixo as alças e pego por cima, conseguindo posicioná-la novamente sem ter que amarrar tudo do zero.

Aliás, esse modo de carregar (barriga-com-barriga) e sua forma de fechar é bem parecida com a do wrap – que é literalmente um pedaço comprido de pano. Se for escolher um wrap, a dica da brasileira que mora na Croácia é preferir os modelos que têm uma estampa diferente no centro, indicando onde você deve posicionar o bebê.

Apesar de quase todos eles poderem ser usados como mochila, nas costas, acho que só terei coragem de usar dessa forma com criança maior. Até mochila ou bolsa precisamos carregar na frente do corpo no Brasil! Mas no mundo todo, esse é um dos modos mais comuns de carregar o bebê.

Veja como usar o Mei Tai e como amamentar usando o babysling:

amamentar

mudar de lado
(esse sling do vídeo não tem argola, mas no meu, com argola, sentia mais segurança em posicionar a cabecinha no lado da argola, o que ficava mais parecido com a posição que ela demonstra)

Mei Tai

Saiba mais:
Sobre carregadores em passeios
Outro vídeo sobre amamentar com sling

PS.: já aconteceu de eu estar na rua, usando o Mei Tai, e vazar xixi da fralda – ele absorveu e não deixou que me molhasse, ufa!

Lotação em Porto Alegre

Transporte público em Porto Alegre/RS é uma aventura, ainda mais com criança de colo. Não existe metrô, apenas o Trensurb, que é um trem que vai para a região metropolitana. Os ônibus não são muito amigáveis para andar com bebê, pois a roleta é bem na frente e praticamente não tem onde sentar. Para chegar mais rápido e viajar com mais conforto, os porto-alegrenses preferem pegar a lotação.

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carrinho tipo envelope na lotação

A lotação é um veículo com capacidade limitada, regulada pela EPTC – Empresa Pública de Transporte e Circulação – diferente das peruas ilegais de outros grandes municípios brasileiros. Não tem cobrador ou catraca, o controle é feito por um sensor na porta e o pagamento é recolhido pelo próprio motorista. A passagem é um pouco mais cara que a tarifa do ônibus, atualmente custa R$ 4,20.

Crianças menores de 5 anos quando transportadas no colo não pagam passagem, garante o artigo 7 do decreto 5830, assinado em novembro de 1976. Há veículos teoricamente acessíveis, com entrada para cadeirantes. Mesmo nos que não tem esse espaço é possível andar com carrinho, tanto com fechamento guarda-chuva quanto envelope.

lei

a lei fica bem visível

Muita atenção: espere pela gentileza do motorista para embarcar com o carrinho. Porque se você inventar de fazer duas viagens para deixar o bebê e depois pegar o carrinho você mesma, ele se dará o direito de cobrar uma passagem extra por ter passado mais uma vez no sensor. O motorista se abaixa para descer sem passar pelo sensor para pegar pra ti.

Ao menos aconteceu isso conosco. Estava com minha mãe. Dobrei o carrinho com a bebê no colo. Subi para deixá-la no colo da vovó. E avisei o motorista que eu precisava embarcar o carrinho, mas desci para pegá-lo imediatamente, até porque no Brasil tem muito motorista impaciente circulando. Este era também impaciente, só que mais lento e bem malandro. Além de nos cobrar a tarifa extra proibida por lei, transportou passageiros em pé – outra prática proibida.

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onde está o carrinho?

Na volta, não desistimos da lotação. Correu tudo bem, pelo menos.

Passeio de domingo em SP

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Domingo passado experimentamos, apenas eu e Dora, atravessar todo o trajeto do Minhocão, ida e volta, para chegar a pé até a feira de orgânicos do Parque da Água Branca. Quem quiser seguir a dica, aproveite o sol em São Paulo e confira o último dia do Festival de Gastronomia Orgânica. Na programação do evento, tem cursos para crianças.

Para minha surpresa, semana passada, vimos vários carrinhos de bebês pelo caminho. Inclusive um pai correndo com um carrinho de jogging, com um bebê bem feliz. Confesso que a ida foi muito mais tranquila do que a volta. A Dora também cansou. Ir sozinha com o bebê foi um tanto ousado da minha parte, mas foi totalmente possível. Talvez com companhia ou ficando mais tempo no parque no intervalo, facilite o caminho de volta.

Na ida, quase não fizemos paradas. Apenas para checar se ela estava bem e pra eu tomar mais água. Logo na entrada do parque, um pitstop para mamar um pouquinho, no primeiro banco que vimos, em meio às galinhas. Os bichinhos domésticos ainda não chamam a atenção dela, perto dos seis meses, mas as galinhas e os pintinhos, sim – isso que ela nem sabe o que é Galinha Pintadinha. Depois da feira, mamãe fez um “brunch” orgânico, enquanto amamentava a Dora.

Na volta, ela estava mais impaciente. Revesamos entre carrinho, colo e sling. Uma parada pra água de coco no Minhocão. Parada pra trocar fraldas no carrinho. Ela tentou ajudar a empurrar o carrinho do colo, mas estava pesado com o “rancho”. Uma ajudinha para empurrar até chegar em casa seria bem-vinda! Mas deu tudo certo.

Fora essa questão, um ponto bem difícil é o acesso. A saída do elevado na Av. Francisco Matarazzo é bem complicada para passar com carrinho. Precisa ter muito cuidado e, infelizmente, andar pelo meio da rua mesmo para chegar à calçada. No domingo, pelo menos, o movimento de carros nesse horário do final da manhã costuma ser reduzido.

High Line Park

Foto: Kwong Yee Cheng

O ideal seria que o Elevado Costa e Silva, nome completo do Minhocão, esse viaduto de 3.4 km de extensão, fosse mais verde, com áreas de sombra ou mais confortáveis. Sem eliminar a passagem de carros durante a semana, fica difícil transformá-lo, segundo urbanista norte-americana que visitou o local. Em Nova York, o High Line é um parque sob linha de trem aérea desativada e uma ótima inspiração – recém foi eleito um dos dez jardins mais belos do mundo.

Veja também:
Imagens do projeto do Elevado Costa e Silva no Acervo da Folha
Uma sugestão para o domingo em Porto Alegre (hoje ainda)