Bem-vinda, primavera

ciclovia

Setembro foi o mês de redescobrir as ruas, curtir andar a pé, sair para observar os ipês e colher amoras. Descobrimos também que alguns dos caminhos mais bonitos de São Paulo estão nas ciclovias – pelo menos nessas abençoadas pelas árvores! Tanto que a mocinha minha filha pegou o gosto de andar na bici dela por aí. Três coisas para contar.

Das amoras
Esses tempos tentaram cortar nosso barato. Estávamos descendo as escadas para seguir em direção ao metrô e paramos para comer amoras. Eis que um senhor de terno parou atrás de nós só esperando para falar comigo.
A árvore era dele, fiquei pensando? Ele estava fumando e queria me alertar para não oferecer amoras para minha filha pois o ar é muito poluído, passam carros e ônibus na rua. Eu retruquei que essa sujeira também entra pela minha janela, inclusive da cozinha, e que eu preferia isso a comprar frutas com agrotóxicos e que, além disso, ele estava contribuindo para aquela poluição fumando.
Tenho amigos saudáveis, inteligentes, queridos e crescidos que cresceram se pendurando em amoreiras nas calçadas e praças em Porto Alegre, onde também passam ônibus. Por que ele, com aquele cigarro apontado, teria que se meter na criação da minha filha? Me tirou do sério, escutou muito.
Infelizmente, quando passamos de novo nesse mesmo caminho, realmente cortaram nosso barato: podaram os galhos mais acessíveis dessa amoreira, levaram embora mesmo. Menos mal que ainda existem muitas amoreiras por aí (perto do asfalto) para manter esse delicioso sabor de infância.

A bici
Já havia contado das balance bikes, bicicletas de equilíbrio. Minha filha tem uma de madeira, que, na época dos posts, era ainda triciclo. Ela usou por muito tempo como um andador, empurrando, mal sentava. Sempre dizia pra ela dar um impulso e soltar os pés, andar mais rápido, mas nada. Não estava acreditando muito que ela fosse se aventurar a usar.
Quando parei de falar, aos 3 anos e 4 meses, ela mesma pediu para andar e começou a experimentar. Sentiu o gostinho da velocidade, aprendeu a descer (e gostar de descer) rampas. Experimentou a autonomia, como se a bici fosse o “carro” dela. Já andou até em ciclovias.
Assim, para alguns caminhos a pé pudemos abandonar o carrinho. Conseguimos ir de casa ao metrô ou ao supermercado (mais próximo) com ela “dirigindo”. Nossa ciclista pede diariamente por um passeio de bike agora.

O carrinho
Adoro os amiguinhos da minha filha. Um dia desses, um deles fez a ela uma pergunta que nenhum amigo meu ousou fazer pra mim quando eu era pequena. Por que ela não tinha levado um carrinho pra eles brincarem no parque?
Esse é desses meninos que também brincam de boneca, leva um bonequinho pra tomar banho no balde, brincadeira de criança, ora. Tem um outro menino que já se fantasiou de princesa, de príncipe, de fantasma, sim, de princesa, enquanto brincavam com panos no Sesc.
Ela até tem alguns carrinhos. Não pensei em levar para o parque porque um deles pode enferrujar e os outros dois são de madeira, também não podem ser molhados. Mas minha filha fez outra interpretação da pergunta e teve a brilhante ideia de levar carrinho de boneca ao parque. Passou uma semana inteira pedindo. Até que foi numa tarde de sexta empurrando seu carrinho. Meia hora (nos seus passinhos) sem pedir colo. Parou apenas para tomar um gole d’água ou colocar/tirar casaco.
Depois dessa experiência, estava pronta para fazer o mesmo trajeto de bicicleta! Deu certo. Foi e voltou, mas com um intervalo maior para descansar.

foto_ciclovia_v

Leia mais:
Como ensinar a andar de bicicleta?
Brincadeira de criança – não existe brinquedo de menino ou de menina, ou existe?
Amora – um poema para refletir
Amora, fruta gostosa que só faz bem
Um pai, um pé de amora e o tempo
Leituras primaveris

Piquenique de aniversário

piquenique

Cada ano que passa, estamos ficando mais minimalistas em relação ao aniversário. E vocês?

Atualmente a melhor festa, ao meu ver, é um piquenique. O custo-benefício é ótimo, como coincidentemente destaca o pai do blog Paizinho, Vírgula, que fez um vídeo bacana sobre essas festinhas. É uma festa mais simples de organizar, que nem pode ter muita decoração ou atrativos (ou a administração do parque pode até impedir sua realização), nem precisa de muito (o entorno já costuma ser perfeito, ao ar livre, no meio do verde), a duração pode ser até mais curta (principalmente entre montagem e desmontagem) e, com certeza, cada minuto será muito bem aproveitado.

Simplificando a festa
Primeiro aninho é aquela festa tão esperada, quando queremos apresentar o bebê pra todo mundo, um grande evento, mesmo que seja em grandes ou pequenas proporções. Nós escolhemos comemorar na casa dos avós, fizemos boa parte da decoração à mão, uma função, mas foi delicioso e bem aproveitado. No segundo ano foi a vez de realizar tudo o que não foi possível fazer na festa de um ano, mas para um grupo menor de pessoas, salão pequeno, fazendo grande parte da festa nós mesmos, exceto detalhes da decoração (estrelinhas de origami) que deixamos para artesãs mais experientes. Era pra ser menor, mas parece que deu mais trabalho que o primeiro aniversário. No terceiro, estávamos já exaustos, hehe. Com passagens caras, nem tivemos a chance de pensar em organizar uma grande festa com a família no Sul. Aqui em SP, não pensamos em outra coisa senão um piquenique! Ou seja, o mais simples possível.

No primeiro ano a gente também fez piquenique aqui, só que não foi a festa oficial. Foi bem informal, para um grupo de amigos próximos. Cada um naturalmente levou uma coisa, nós trouxemos “docinhos” da festa de Porto Alegre, mais algumas coisinhas, e assim foi.

Dessa vez, era a festa oficial, então avisamos que ninguém precisava levar nada. Mas reduzimos as opções do cardápio para conseguirmos preparar tudo em tempo. Fiquei na dúvida se iam gostar do que levamos, pois era no geral tudo natural, caseiro, orgânico, vegano ou sem lactose. Imagina, sucesso principalmente com as crianças!

Festa ecológica
Num parque, temos que ter ainda mais cuidados com a festa do que num ambiente fechado, pois você vai querer deixá-lo exatamente como estava. Ou seja, zero lixo. Isso quer dizer: zero copinhos plásticos, zero colheres plásticas, zero balões. Tenho pavor de encontrar em caixas de areia traços de festinhas, vocês não têm?

O ideal é saber se o parque tem coleta de lixo seletivo e lixeiras separadas para lixo reciclável. Na dúvida (ou mesmo na dúvida se o destino do lixo reciclável é a reciclagem), evite gerar lixo. Você pode levar pra casa seu lixo, mas imagino que já terá outras coisas para carregar.

Por isso, melhor evitar coisas prontas com muita embalagem, preferir levar coisas reutilizáveis que voltem pra casa (como pratos, sousplats, copos, talheres) ou biodegradáveis (utensílios de papel, bambu, madeira).

Decoração
Balões de látex são biodegradáveis, mas eles não desaparecem de um dia para o outro se estourados na grama ou na areia. Aqueles metalizados podem ser reutilizados, entretanto ainda provocam lixo e podem voar longe… No primeiro ano, abolimos balões, só de papel. No segundo, decoramos com balões de látex transparentes recheados com as tais estrelinhas de origami de papel, mas em ambiente privado. No parque, defini que decoração = lembrancinha, de preferência algo bem lúdico, tradicional e ecologicamente correto.

Do que lembramos? Cataventos! Lindos, artesanais, feitos com papel e palito de bambu. Pode até fazer você mesmo, mas preferi procurar no Elo7 um fornecedor próximo que fizesse como eu queria (materiais e cores) e com perfeição. O frete não sai caro, pois são leves e chegaram bem inteiros!

catavento

Se você não puder fazer ou não conhecer quem faça, em sites como Elo7 sempre tem gente talentosa

Toalhas e guardanapos reaproveitamos (do nosso casamento). Alguns pratos e copinhos levamos de casa. Outros comprei numa lojinha de bairro de festas. Impressionante como os produtos de papel e madeira estão se popularizando finalmente! Essa lojinha da Vila Mariana, em São Paulo, localizada na rua José Antônio Coelho, vende, por exemplo, garfinhos de madeira importados com um preço realmente acessível.

No mais, levamos alguns brinquedos para dividir e decorar, como uma cestinha de piquenique de faz-de-conta. E a diversão estava garantida com os brinquedos públicos do parquinho!

Cardápio
Sabe o que as crianças mais amaram? Morangos orgânicos e mix de castanhas e frutas secas! Além de potinhos com essas frutas e castanhas, preparamos:

  • Pão “sem queijo” vegano (receita já divulgada aqui);
  • Varinhas de frutas (palitos de bambu com uvas sem sementes, morangos, cubinhos de abacaxi ou melancia, blueberry e carambola, não exatamente nessa ordem, mas quando finalizamos com estrelinhas de carambola ou frutas cortadas em formato de estrela, parece uma varinha mágica, como a da Holly, do desenho do estúdio da Peppa, Ben & Holly);
  • Bolo preguiçoso de maçã, bem caseiro, preparado pela titia, que fica baixinho na forma, então decoramos com os cataventos;
  • Brigadeiros de grão de bico (em função da possível alergia à proteína do leite de vaca ou intolerância, nossa filha ainda não provou um brigadeiro tradicional e este foi seu primeiro aniversário com brigadeiro!), ficam bem gostosos e foram bem aceitos – passo a receita em breve (tenho que pedir ao maridão, sim, foi o papai que fez!).

Pra beber, água, chá gelado de erva cidreira ou suco integral de uva orgânico. Basta!

potinho

Reaproveitando o potinho, você pode servir porções individuais da salada e cobrir a tampa com um guardanapo de tecido

Se fosse uma festa ainda mais minimalista e comemorássemos só com a família ou meia dúzia de pessoas no total, sugiro um almoço piquenique – como já fizemos num final de semana de “hanami”, festival das cerejeiras. Em potinhos de geléia individuais, montei uma salada estilo Rita Lobo, com camadas de molho, macarrão frio, legumes raladinhos e verduras. Nesse caso, se for aniversário, bolo de sobremesa, claro. Que delícia!

Acessório indispensável
Ganhei de uma amiga no meu aniversário e pude aproveitar no aniver da minha filha esta esteira dobrável impermeável, própria pra piquenique. Vem com alça para carregar, muito prática. A estampa é linda, mas, com pena de sujar, cobri com as toalhas.

Ano que vem
Diferente do primeiro ano, que mal terminou a festa eu estava planejando o ano seguinte, agora é a pequeninha que já está tendo ideias para seu aniversário de 4 anos. Ela tem ideias sobre um tema (viu numa padaria um bolo que a encantou), o que comer, sobre o parque… Pois curtiu muito a comemoração singela deste ano, cada detalhe. Por ela, repetiria os cataventos, mas de outras cores!

Vamos ver como vai ser. Adorei ler este artigo sobre o aniversário das crianças na Alemanha! Realmente não precisa de muito, o legal é celebrar, deixar o dia especial.

 

Saiba mais:
Artigo muito interessante sobre a comemoração dos aniversários na Alemanha
Receitinhas saudáveis para aniversário
Como fazer uma festa ecológica

Técnicas para mudar de posição

Pediatras sempre me orientavam alternar as mamas e a posição que a minha filha fosse mamar. Assim evitaria dores, fissuras no bico (principalmente se a pega não estiver correta e forçar sempre a mesma região) e mamas empedradas ou ingurgitadas. Mudando o bebê de lado e de posição, esvazia bem as mamas, retirando o leite de todos os segmentos mamários.

Pois bem, as posições isoladas parecem fáceis. E como mudar o bebê de posição? O bebê vai ganhando peso, ficando comprido, haja braço para fazer tanta manobra. Precisa fazer tanto esforço?

Eu sempre fui muito atrapalhada e fiz excesso de esforço. Algumas técnicas eu usava quando amamentava usando o sling, mas nunca sem ele. E aí a Dora começou a brincar de amamentar as bonecas e me ensinou o óbvio! Sim, ela me ensinou.

Olha só:

Você pode começar a amamentar na posição que prefere de um dos lados. Por exemplo, na posição clássica na mama direita. Bebê mama no peito esquerdo da mãe e está deitado de lado, com os pés para o lado direito da mãe.

brincando de mamar, me ensinou a amamentar com praticidade

mama esquerda, posição clássica

Esvaziou esse lado ou cansou (você sentiu um desconforto no seio ou na postura ou o bebê parou de mamar, por exemplo). Então ofereça a outra mama.

Para mudar de lado, deixe o bebê na mesma posição, só puxe-o para o lado, posicionando a boca dele na outra auréola. Ou seja, não precisa levar a criança e deitá-la de novo. Se estava na posição clássica, agora está na posição invertida para o lado direito. Agora o bebê continua deitado do mesmo lado, mama no peito direito da mãe, mas seus pés continuam do seu lado direito.

Deslizando

Mamando do lado direito, na posição invertida: só “puxar” pro lado

Terminando, eu anotava em que mama parou. (Hoje, tanto faz, só observo se mamou dos dois lados.)

Passou um tempo, e o bebê quis mamar de novo. (Estima-se que esse intervalo seja de 1h30 a 3h do início da última mamada. Nunca maior do que 4h ou 5h, a não ser que seja madrugada e o pequeno esteja dormindo bem. O ideal é observar a criança e oferecer o peito em livre demanda.)

Agora você começa lá onde parou. Pega o caderninho ou aplicativo e continua, digamos, do lado direito. Dessa vez, começa na posição clássica do lado direito (se terminou desse lado, amamentando na posição invertida). Então, seguindo o exemplo, boca do bebê no peito direito, pezinhos para o lado esquerdo da mãe.

Posicionando a boneca

Posicionando a boneca

Depois, só leva a criança gentilmente e sem muito esforço para o outro peito. Então ela mama na posição invertida do lado esquerdo – peito esquerdo da mãe, deitado do mesmo lado, pés ainda à sua esquerda (aproveitando bem o apoio dos braços da poltrona de amamentação). E por aí vai, invertendo sempre.

Posição invertida, mama esquerda

Posição invertida, mama esquerda

Fácil, não?

Quando o bebê cresce, nada de fazer malabarismo com 15kg! Quer mudar de lado e tá grande demais pra posição invertida ou não tem onde apoiar? Senta a criança e pede pra mudar as perninhas para o outro lado, e ela deita e mama de novo, mas na outra mama. Aos 2 anos e 4 meses (agora, na edição deste texto, quase aos dois anos e meio), ela ainda pede para mudar de lado, geralmente mama umas duas vezes em cada peito. Cansada de levantá-la para mudar de posição e mudar de novo (ela é bem comprida), oriento que ela sente (coloque as pernas pra frente e pra fora) e então seguimos em frente.

Mudando de posição sozinha

Mudando de posição sozinha

A Dora me observa escolhendo roupas e sempre pergunta: “Tem botão a roupa minha? Tem botão a blusa minha? Abre?”. Fica muito feliz quando tem, que a bebê dela vai poder mamar.

Quando saímos para fotografar o mamá, ela pensou demais no assunto e pediu para mamar antes de brincar. Justo.

Saiba mais:
Sobre duto bloqueado, ver página 58 do manual da Sociedade Brasileira de Pediatria (em pdf)
Para visualizar melhor as posições de amamentação, uma cartilha
Amamentação no segundo ano
Amamentar no sling
Obstáculos da amamentação
O app que eu usei
Aplicativos para amamentação

Rotina

relógio de Vinil - por Rodrigo Terra / flickr
Nos primeiros dias de horário de verão, estou perdida e atrasada! Aos poucos, tento voltar à rotina da Dora. Espero que ainda esta semana a gente fique em paz com o relógio.

Eu achava estranho os pais que se apegavam muito a essa palavra, rotina. Achava exagero. A Dora passou alguns meses sem fazer longas sonecas, mesmo tendo uma certa rotina de atividades (dormia a noite toda na época). Hoje vejo a rotina como sinônimo de disciplina, organização e espaço, liberdade.

Acompanhem nossa rotina dos 2 anos e 4 meses da Dora até poucos dias:

Dorme na cama dela, vem para a cama do casal no meio da noite – talvez 4h ou 5h da manhã. Por volta das 6h mama (amanhecendo) e volta a dormir. Ao acordar, umas 8h, mama de novo, com preguicinha.

Depois que tomamos um café da manhã reforçado (ela come sozinha enquanto eu preparo meu suco), passeamos. Geralmente, vamos a um parque com pracinha. Ela toma água, se der fome no caminho (ou na volta), come castanhas e passas. Atualmente, ama castanha de caju. Compramos orgânica sem sal. Por volta das 11h pede pra mamar um pouco, nem sempre.

Entre 11h30 e 12h30, almoça. Quanto mais cedo, melhor come.

Logo que acorda ou esperando o almoço, fica animada para atividades artísticas, pintar, modelar, desenhar. Sempre é hora de escutar música e dançar ou ler livros.

A partir das 13h30, mama (leitinho materno de sobremesa) e dorme.

Normalmente dorme 50 minutos a 1h e pede pra mamar. Segue dormindo no colo mais 30-90 minutos de sono leve. Boa hora pra sentar na frente do computador e trabalhar um pouco. Às vezes faz uma soneca de 2h direto, geralmente pede pra mamar ao acordar quando é assim. Também faz soneca passeando de carrinho – pelo mesmo tempo (às vezes direto, outras vem pro colo e dorme mais, ou um pouco de mamá e cama). Quanto mais cedo faz a soneca, mais rende o dia – se gastar bastante energia de manhã, fica mais fácil.

O lanche da tarde costuma ser por volta das 15h30, depende um pouco da hora do sono.

Às vezes dá tempo de ir de novo pra pracinha à tarde também. Num dia ideal, seria assim. Geralmente saímos pela manhã e pela tarde.

O banho pode ser na volta da pracinha ou no fim do dia. Se atrasamos muito, é depois da janta, o que evitamos, para não dormir de cabelo molhado.

Janta cedo, a partir das 18h. Às vezes depois das 20h. Pelo menos uma vez por semana, até mais cedo, umas 17h30.

Dorme entre 20h30 e 21h30 idealmente. Nos dias mais agitados ou fora da rotina, pega no sono só perto das 22h. Lemos uma história (ou até cinco ou várias vezes) pra ela dormir. O papai adora assistir um desenho de 5 a 10 minutos antes de dormir – como ela chora pedindo mais ou chama a mamãe pra ler história, são raras essas noites. Não mama mais para dormir à noite, mas muitas vezes pede pra mamar antes de escovar os dentes.

Quando seguimos essa rotina, tudo flui, até sobra mais tempo pra gente. Difícil ter birra. Não fazendo a soneca ou mesmo com soneca menor que o habitual (menos de 1h ou depois de dias consecutivos dormindo pouco), já teve terror noturno, um pesadelo para os pais. Dormindo bem durante o dia, dorme bem à noite.

Ah, o relógio no meu pulso sempre ajuda. Quanto mais cedo forem as refeições, melhor se alimenta. E quanto mais cedo fizer a soneca da tarde (brincar na pracinha no sol da manhã colabora pra que isso seja possível), dorme mais cedo e é melhor sua qualidade do sono.

O que vocês me sugerem para não sofrermos com a mudança de horário? O que muda na rotina de vocês?

Leia mais:
Como identificar o choro do bebê de 0 a 29 meses – pode ser sono

foto: Relógio de Vinil, por Rodrigo Terra / flickr

Delícias quentinhas

pêra quentinha
O bebê não quis maçã ou pêra em pedaços ou sobrou meia maçã na geladeira do suco verde da mamãe? Maçã na geladeira cozinha com o frio, o ideal é ir para o forno. Nada de desperdício! Vamos oferecer uma alternativa na hora. Quem sabe com cara de sobremesa, saboroso, mas sem açúcar? Não há bebê que rejeite!


Pêra no forno com suco de uva

_01 pêra cortada em cubos dividida em tigelas de cerâmicas pequenas
_cerca de 01 colher de sopa de suco de uva integral (de preferência sem conservantes e orgânico)
_canela em pó para finalizar
_possibilidade de colocar cravo (que eu tiraria na hora de servir para os bebês)

Maçã no forno com calda de laranja
_meia maçã fuji cortada em cubos pequenos
_meia ou 01 laranja espremida
_canela em pó a gosto

Você pode fazer também com abacaxi (sem casca) em cubos coberto de raspas de limão, que combina com uma calda de pink lemonade, mas nem precisa de suco adicional. Forma ideal de apresentar o abacaxi antes de oferecê-lo “cru”.

Deixe de 15 a 20 minutos no forno (qualquer uma das receitas) e espere esfriar ou coloque um pouco no congelador antes de servir.

E para completar, um chazinho. O que mais você faria com a casca do abacaxi? Nós já experimentamos cozinhá-lo com gengibre e canela em pau, fica delicioso!

Vejam também minha receita de quentão sem álcool para festas juninas no Piccolo Universe.

Sorvete de Cacau

cacau

Fica nessa consistência depois de bater, antes de congelar

 

Na noite anterior à viagem para a praia, recolhi todas as bananas maduras para congelar. Descasquei, cortei em rodelas e guardei em potes separados as orgânicas e as comuns. No dia de viajar, já que era sábado, verão e o início de uma semana diferente, tirei do congelador o equivalente a uma banana para fazer sorvete no café da manhã da bebê que ama cacau, mas não conhece açúcar.

A receita é muito simples, mas é mais fácil de fazer em liquidificadores potentes (de 600v está bom). Não precisa ter máquina de fazer sorvete. Só vai banana congelada e cacau, nem água vai:

Sorvete de cacau
– 1 banana congelada cortada em rodelas
– 1 colher rasa de chá de cacau alcalino

Basta colocar na velocidade máxima do liquidificador e deixar a mistura homogênea. Se o liquidificador não tiver tanta potência (não chegar a ter 5 opções de velocidade, por exemplo), bata aos poucos na potência máxima.

Pode servir na hora se quiser oferecer de forma mais suave, com textura quase de mousse. Ou congele por no mínimo mais 1h para ficar consistente e gelado.

Você pode variar a proporção do cacau a gosto. Quanto mais, mais escuro. É bem forte e rende bem, prefiro usar pouco nas receitas de bebê. Quanto à banana, há quem congele com casca. No meu caso, estavam tão maduras e pretas, se abrindo, que preferi congelar em pote sem casca.

Estamos curtindo o começo dessa aventura mãe e filha sozinhas na praia, se virando com mar, sol, areia, sinais de desfralde, trabalhando no 3G. Pena que não trouxe o cacau, porque a Dora me lembra todos os dias do sorvete que fiz pra ela! Aliás, ela gosta tanto de “ca-cau”, que é uma de suas palavras preferidas – às vezes se referindo ao leite de amêndoas ou de arroz com avelãs, mesmo sem adição de cacau.

E se… tiver banana madura em casa, faça também os biscoitos de banana com aveia. Receita rápida e fácil, boa para levar nos lanches de passeios.

O bolo

bolo sem açúcar

foto: Liliane Callegari

Como já contei aqui, na festa de primeiro aniversário da Dora, oferecemos várias comidinhas saudáveis e sem açúcar pra ela e outros bebês. Inclusive o bolo do parabéns era para todos. A ideia era oferecer um naked cake, mas ele acabou não ficando tão “nu” assim com a cobertura de coco ralado fresco, que foi colocada soltinha sobre ele (nada de calda, geléia ou creme para grudar).

Ingredientes
4 bananas prata ou nanica bem maduras
1/2 xícara (chá) de passas de uva
3 ovos
1/3 xícara de óleo
2 xícaras de aveia
1 colher (chá) de canela
2 colheres (sopa) fermento
Opcional: adicionar maçã picada à massa antes de assar

Bater as bananas, as passas, os ovos e o óleo no liquidificador. Misturar em uma tigela a aveia, a canela e o fermento. Acrescentar o creme de banana, mexer bem e levar para assar por cerca de 20 minutos.

Essa receita é originalmente para forma pequena. Fizemos duas receitas dessa em forma grande (assando em duas fornadas), assim não cresceu muito e não precisamos cortar ao meio para rechear.

Recheio
Hidratei meia tigela de damascos secos. Quando tinham inflado bem, bati no liquidificador com duas colheres de sopa de coco ralado e suco de 1/2 laranja espremida para amolecer mais um pouco.

Cobertura
Cobertura e decoração a gosto. Como queríamos mantê-lo sem leite e sem açúcar, colocamos apenas coco ralado fresco sobre ele e na sua volta do prato e decoramos, no dia da festa, com cachinhos de groselha, a frutinha vermelha, além de palitinhos das corujas de papel. Na receita da foto, feita mais recentemente, picamos morangos orgânicos e separamos algumas uvas sem semente para decorar.

Em função do recheio e da cobertura, esse bolo deve ser feito no máximo na véspera. Conservado em geladeira. Consumido em poucos dias. O bolo sem recheio dura mais.

bolinho saudável para bebês

Fotos: Liliane Callegari

Saiba mais:
Um bolo com açúcar, mas sem fermento
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Festa de 1 ano, sim
Como fazer uma festa ecológica
Drinks sem álcool para o fim do ano

Experimentei: absorventes biodegradáveis e o tal copinho

natracare brasil

Amamentar é tão sustentável que prolonga o tempo sem menstruar. Minha menstruação só voltou aos quase 1 ano e 2 meses da minha filha, que sigo amamentando. Ou seja, mais de um ano após o período de sangramento do puerpério e, o mais interessante, uns 10 dias depois da feira de sustentabilidade.

Posso afirmar que meu corpo aguardou a Natracare Brasil estar pronta para o lançamento comercial para voltar a sangrar. Saber que já existem absorventes biodegradáveis no Brasil é uma tranquilidade. São vários modelos que estão sendo lançados aqui, mesmo para proteção diária – para todo tipo de calcinha.

Fiquei impressionada com a capacidade de absorção do modelo superfino, que pude experimentar nos primeiros dias, de grande fluxo. Há também noturnos, perfeitos para o pós-parto. E, se sua obstetra liberar, os protetores diários podem ser usados em caso de corrimento no final da gestação. (Pelo menos em situações especiais, se estiver com um corrimento freqüente e precise ir a um evento, por exemplo. Não é recomendado o uso de protetores diários na gravidez para evitar abafar a região, para que não fique propensa à proliferação de fungos ou bactérias.)

A cobertura, no entanto, não é a que estamos acostumadas (“seca” ou “suave”). Eu não curto (e me dá alergia) a cobertura plastificada dos modelos “sempre seca”, prefiro o toque macio do algodão. A Natracare segue um caminho do meio: tem uma cobertura superabsorvente, com trama de algodão, nada plástica, que lembra a cada externa dos absorventes tipo “sempre seca”, só que com toque suave.

Seus absorventes femininos são fabricados a partir de algodão 100% orgânico certificado, são livres de cloro, de materiais sintéticos, de plástico, de látex ou de fragrâncias. Além da questão ecológica, os produtos orgânicos e naturais beneficiam a saúde e o bem-estar da mulher. Os materiais sintéticos, os aditivos químicos ou o branqueamento com cloro nos produtos íntimos podem provocar alergias, irritação ou coceiras, candidíase e até mesmo prolongar o tempo ou aumentar o volume do sangramento.

Há quem defenda que o tradicional O.B., que seria apenas um tampão de algodão, seja degradável. Mas testes comprovam que não são tão seguros assim para o corpo feminino, até porque não são puro algodão. O produto da Natracare não solta fibras no corpo da mulher. E o que também é legal: vem embalado em plástico biodegradável, que você pode descartar no lixo comum sem culpa.

coletor menstrual

Coletor menstrual
Preocupada em gerar ainda menos lixo, passei a usar nos últimos meses o Inciclo, a experiência mais sustentável em absorventes que já tive. É um absorvente interno em forma de copo, feito de silicone médico. Prático, lavável com água e sabão, reutilizável e durável.

Não pode ser usado no puerpério. Existem dois tamanhos, A e B, um deles um pouco maior, para mulheres acima dos 30 anos e/ou que passaram pela experiência do parto (mesmo que não tenha sido natural). Uso esse maior. Realmente a menstruação mudou depois do parto, agora parece vir bem mais volume em menos dias.

Não sei se pela minha experiência com absorventes internos descartáveis, minha inexperiência ou com a pressa para colocar – é muita dificuldade se esconder da minha filha, já que passo o dia com ela, e o banheiro geralmente fica de porta aberta -, muitas vezes vaza bem pouquinho na calcinha. Dizem que pode cortar ou lixar o cabinho, que me incomoda nos primeiros dias de ciclo (depois acostumo). Ainda não consegui usar somente este tipo de absorvente, muitas vezes prefiro usar o noturno lavável pois não curto dormir todas as noites com absorvente interno.

A vantagem do coletor é que, além de ser inserido não muito profundamente, é feito de silicone medicinal hipoalergênico. Entretanto, todo o absorvente interno, independente do material, por ser inserido no corpo da mulher e lá permanecer um período, pode provocar infecções. Por isso, deve-se cuidar da higiene e, ao final de cada ciclo, recomenda-se esterilizar em água fervente. Apesar de tudo, totalmente aprovado e recomendado!

Uma forma de evitar o uso de absorventes é “cortar o mal pela raiz”, evitando a menstruação com o uso de anticoncepcionais. O que não é natural – nem natural ao corpo, nem sua composição é natural. Não se pode negar que pára o sangramento e que não trazem bactérias. Mas essa é outra discussão e seria mais indicado conversar com uma ginecologista.

Outras opções ecológicas:
– absorventes de tecido laváveis;
– absorventes de tecido para fazer em casa.

Saiba mais:
Tira dúvidas sobre o coletor menstrual
– Nossa promoção com a loja Enquanto Eles Dormem, que vende o Inciclo.

Crescimento de vegetariana

crescimento

Dora a longo de 2014


Diferente do que dizem sobre crianças vegetarianas, a Dora surpreende com seu tamanho e desenvolvimento. Tem alimentação vegetariana desde a introdução alimentar – na verdade, desde a barriga. Come ovos caipira, mas por enquanto não consome leite e derivados, nem açúcar. Ainda é amamentada no peito.

Seus 19 meses (1 ano e 7 meses), 92cm, 12,600kg com saúde me deixam segura de que fizemos boas escolhas. Nossa decisão foi oferecer à nossa filha alimentos saudáveis, muitos legumes e frutas orgânicos, apresentando a dieta familiar. A pediatra recomendou uma nutricionista infantil, o que nos fez deixar nossas refeições mais incrementadas e saudáveis.

Não consigo me imaginar cozinhando uma carne vermelha ou branca só pra ela “por recomendação médica”. Ela deveria se adaptar e conhecer o que já comemos casa, nossa cultura. Garantimos ômega 3, 6 e 9 usando também o óleo de linhaça, não precisa de peixe.

O que escutei de mães e nutricionistas é que crianças veganas e vegetarianas podem ter crescimento lento, mas longo, e atingirem boa estatura até o final da adolescência. Num sábado, dando uma olhada em livros de nutrição numa feira orgânica, uma senhora me viu com a Dora e me confortou: “Ah, nem te preocupa, os meus sempre foram vegetarianos e agora, oh, são bem mais altos do que eu!”. A Dora sempre esteve com o peso e perímetro cefálico dentro da “curva” (entre linha verde e vermelha superior da tabelada caderneta do Ministério da Saúde), adequados para idade. Sua altura foi progressivamente subindo nos escores, estando agora acima do estimado (além da linha preta superior no gráfico).

Crescimento da Dora

crescimento da Dora

Era esperado que ela fosse alta. Na minha família, dos cinco filhos, pelo menos três irmãos (eu, a irmã mais velha e o irmão mais novo) sempre estiveram acima da média de altura. O pai e o tio também são altos. Certamente nada de sua alimentação até agora a impediu de ter esse crescimento sadio.

O mais legal: oferecendo comida feita em casa, fresquinha e quase sempre inteira (sem triturar), permitimos que ela reconheça os alimentos e se encante por eles. Agora, de vez em quando, se fazemos sopa, ela come (e adora) sopa – mas não a confunde com uma “papinha”. Adora uma berinjela al dente, feijão, frutas! A não ser quando está muito incomodada com os dentes ou com nariz entupido, ela normalmente tem bom apetite. E o que ajuda também é manter um intervalo de pelo menos 2h30 entre as refeições (independente da amamentação, que segue em livre demanda).

Seja qual for a escolha da sua família, vegetariana ou não, se estiver pensando numa introdução alimentar segura e saudável, recomendo para todos, sem restrições: a orientação de uma nutricionista especializada em crianças; permitir que o bebê pegue os alimentos com as mãos (método baby led weaning); o aleitamento materno.

para entenderem a escala da parede

para entenderem a escala da parede

Ah, as tentações!
Somos gaúchos vegetarianos que moram em São Paulo, mas nossos parentes em Porto Alegre, que visitamos com frequência, não são vegetarianos e respeitam nossa escolha. Já fizemos muitas refeições juntos e por enquanto a curiosidade da Dora é maior pelo que está no prato ou no copo dos pais. Fiquei impressionada que ela não se interessou por docinhos que estavam na altura dela na festa de aniversário do primo – mas pediu para repetir o milho que estava na barraquinha do cachorro quente.

Será que vai ser uma dificuldade lidar com essas “tentações”? Pela experiência de uma colega de Pilates, criança criada com alimentação saudável rejeita o que não é saudável e sabe diferenciar o natural do industrializado.

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5 utensílios para alimentação

Esses cinco itens se tornaram peças importantes da introdução de alimentos da Dora. Recomendo muito:

1. Prato de fibra vegetal
Ganhamos no aniversário de 1 ano da Dora e ficamos fãs. Parece um prato de cerâmica, lindinho. Mas não quebra e é feito de matéria-prima de origem vegetal. Da marca Green Sprouts.

green-sprouts-plate

2. Copo de metal
Feito no Brasil, existe há décadas com o mesmo desenho. Mantém a bebida geladinha. Não quebra. Não tem BPA, é de inox. É reciclável. Da linha infantil da Hercules. Dora aprendeu cedo a tomar sozinha água ou suco no copo.

copo_infantil_hercules

3. Pote térmico para viagem
Os potes da Thermos parecem para líquidos ou cremes. Sempre levei comidinhas sólidas ali. Conserva até 7h quentinho – pode guardar do almoço para a janta ou levar para almoçar fora. Também mantém gelado – perfeito para guardar um cachinho de uva, ela continua intacta e fresquinha na hora do lanche.

O nosso é o Dora funtainer food jar, compramos esse da Dora Aventureira com desconto. Pela minha pesquisa, está mais caro, mas existem modelos lisos ou de outros personagens, como o da Minnie Mouse.

Dora_funtainer_food_jar

4. Talheres BPA free
Esse conjunto de talheres First Steps a Dora ganhou de presente e foram os mais usados. A cabeça da colher é de um tamanho médio, não tão pequeno como algumas colheres de silicone, não tão grande como algumas colheres de sobremesa. Eles são muito leves e curtinhos, então a criança consegue pegar sozinha com precisão. O garfo-colher é delicado, e é incrível como logo cedo o bebê pode começar a fincar os alimentos e comer com o garfo sozinho.

first_steps

5. Babeiro com papa-migalhas
Compramos viajando esse da Chicco, que só fabrica nessa cor. Tendo um babeiro assim, não precisa de mais nenhum outro, diferente do que já falei por aqui. Fácil de limpar, muito prático para viagem. No Brasil, por enquanto, infelizmente, a marca só vende babeiros descartáveis, mas não é difícil encontrar outros babadores impermeáveis com bolso (de outras marcas).

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