Areia

pracinha em Porto Alegre
Perto de casa, temos poucas pracinhas infantis. Isso que moramos na região central da maior cidade do país, uma das maiores do mundo, São Paulo! Até publiquei sobre isso no Instagram recentemente… Quando há parquinho, raramente há brinquedos próprios para bebês ou, pelo menos, uma caixa de areia.

Na cidade onde nasci e cresci, Porto Alegre (onde há uma grande variedade de praças, parques e áreas verdes), a caixa ou tanque de areia geralmente é o centro da pracinha, onde desemboca o escorregador. Diferente das áreas de lazer em grandes metrópoles, em Porto Alegre, a área de lazer infantil dificilmente é cercada, com acesso barrado aos animais de estimação. Ou seja, a caixa de areia fica exposta aos cachorros e suas fezes. Mesmo assim, as crianças brincam com areia natural e crescem resistentes!

caixa de areia: natural ou sintética?

pracinha em Porto Alegre cercada (sem bichinhos de estimação), com caixa de areia

Finalmente encontrei uma pracinha com caixa de areia, numa distância razoável para ir a pé em São Paulo. Bem legal, com brinquedos inteiros, frequentada por muitas crianças e cercada, exclusiva para os pequenos. Selecionamos brinquedos para moldar e criar, colocamos no carrinho e aproveitamos um dia lindo de sol, ainda que frio. Chegando lá, para minha surpresa, tudo muito moderno: a areia era azul turquesa! Lindo, atrativo, mas artificial. Uma avó, que chegou em seguida com a netinha, comentou: “Dizem que é mais saudável para as crianças”!

O tanque de areia era mesmo a principal atração e um sucesso entre bebês e crianças de idades diversas. Muitas delas, mesmo na sombra e no frio, brincavam descalças ou só de meias. Tudo isso é ainda muito novo pra mim, mãe de primeira viagem, nada acostumada com uma pracinha do lado de casa. (Ou com as de Porto Alegre, onde temos que cuidar, porque às vezes tem até cacos de vidro na grama ou na areia.)

A textura era interessante. As crianças peneiravam, passavam pelo funil, a Dora até provou uns grãozinhos assim que olhei alguns segundos para o lado engatando um papo com a simpática avó da garotinha. Moldar, criar castelos, deixar marcas ou desenhos na areia, no entanto, era um pouco difícil. Essa areia sintética, que parece as dos arranjos de floricultura, não pega forma, muito sem graça.

Se engoliu um grão ou outro, não sei, a Dora passou bem. Não conseguimos deixar marcas na areia, mas o corante marcou as roupas da Dora. Já passei pasta de bicarbonato de sódio e vinagre, os punhos de blusão quentinho e claro continuaram verdes! Estava frio, não tinha como arregaçar as mangas. Até as botas vermelhas – sim, galochas, de borracha, como as da Peppa, para chafurdar na lama (nem tinha barro) – ficaram esverdeadas.

Tudo bem, criança tem que se sujar. Roupa de parquinho pode manchar. Essas logo ficarão pequenas. Mas deixo aqui meu questionamento à afirmação da avó: será mesmo que a areia sintética é mais saudável? Talvez essa areia seja isenta de sílica e “livre de toxinas e bactérias”, mas qual o sentido se limitamos as habilidades motoras e a beleza das formas para brincar? O chão e a sujeira também trazem imunidade.

Leia mais:
Por que não mamãe? Tanque de areia no quintal
Pegadas na areia – sustentabilidade com as crianças na praia

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