Carnaval é percussão

chocalhos com grãos

Coloque o bebê para fazer barulho nesse Carnaval! Vocês podem confeccionar juntos chocalhos e brincar de percussão.

Você vai precisar de:
– garrafinhas plásticas que tampem bem (potinhos de shampoo de hotel, porta temperos ou garrafinhas de soro fisiológico) – reaproveite;
– grãos (arroz, feijão, lentilha, etc.) ou sementes.

Limpe o potinho e elimine o que tiver de perigoso, como rótulos, restos de lacres. Depois de seco, mostre para o bebê o que você vai pôr ali, deixe a criança sentir a textura, colocar a mãozinha dentro do saco ou pote de feijão sob sua supervisão. Preencha cada potinho com grãos diferentes: um só de feijão, outro só de lentilha. Tampe bem e comecem a brincar.

Bom Carnaval!

Veja mais:
Vídeo sobre os instrumentos de percussão
Brincadeira de sucata

 

Cadeirinha ou cadeirão

cadeirinha de alimentação

A clássica cadeira alta para alimentação do bebê é chamada de “cadeirinha” no Sul do país e “cadeirão” no Sudeste. A verdade é que a Dora tem um cadeirão em Porto Alegre, presente do avô, e uma cadeirinha, bem do tamanho dela, com mesinha, em São Paulo.

É uma escolha. Trazer a criança para comer na mesa com os adultos e a ter a facilidade de olhar nos olhos, estar na nossa altura, participar com a família das refeições. Ou permitir que a criança tenha o prazer de comer à mesa, à própria mesa, como defende o método da Maria Montessori: tudo na altura da criança, com liberdade e autonomia.

Lembro que as primeiras cadeiras que vi em grandes lojas de bebê eram quase todas iguais e o que as diferenciava era a bandeja (que faz as vezes de mesinha) e a quantidade de alturas. Não precisa ter muitas alturas, o mais importante é ficar na altura do olhar dos pais quando sentados. E, se possível, que também possa ser aproveitada como mesa de chão. A que eu usava quando criança podia ser virada e transformada numa mesinha de chão, como as classes antigas em que a cadeira era ligada à mesa. Durou não só para eu usar (era quase uma escrivaninha), mas também meus sobrinhos usaram muito. Esse era o modelo ideal que eu procurava, algo parecido com este da foto:

high chair

Tínhamos também a cadeirinha alta que foi do meu pai (e certamente dos irmãos dele), que meus irmãos, eu e meus sobrinhos usamos, entre outros bebês. Mas era totalmente de madeira e sem qualquer proteção. Se procurar uma dessas num antiquário, veja se tem ou se é possível adaptar uma proteção entre as perninhas para a criança não escorregar ou use um AgarraDini nela (veja mais abaixo).

Modelos que já experimentamos:

table attach
Encaixe na mesa – Usamos num restaurante, foi bem bacana, a Dora participou da mesa da família, mas não aguentou sentada ali muito tempo (talvez por outros motivos). Muito fácil de encaixar, tem boa estabilidade. Era assim, mas tinha umas mãozinhas que se agarravam na mesa. Não usaria em casa, porque aqui, nos avós e na tia que mora mais perto as mesas são de tampo de vidro.

cadeirão (ou cadeirinha?)
Cadeirão convencional – 
Modelos em geral bem parecidos e confortáveis, mudando a estampa e as alturas (como falei, acho desnecessário). São totalmente de plástico e certamente menos duráveis. Segundo o fabricante, o modelo da foto pode ser usado dos 6 aos 36 meses (3 anos).

cadeirão
Cadeirinha de modelo antigo, respeitando o meio ambiente
– Feita de madeira maciça reflorestada, com design holandês, esse modelo da Tulipa Baby não vem com mesinha própria, aproximando ainda mais a criança da mesa dos adultos. Perigo à vista: os pequenos adoram puxar toalhas, pratos, talheres e tudo o que vêem pela frente! Fazem em acabamento em três cores diferentes, são definitivamente menos infantis, combinando com os móveis da casa.

cadeirinha
Mesinha e cadeirinha – 
A cadeirinha pode ser usada desde quando a criança começa a sentar (com supervisão dos pais, sempre) e dura mais ou menos o tempo de uso da cadeira alta. Depois vira brinquedo, mas a mesa continua útil. Mesmo comprando separado o conjunto de mesa e cadeira, não sai tão cara a brincadeira. A mesa, se não continuar a ser usada pelas crianças, pode ser uma boa mesa de centro ou canto da casa.

No geral é mais fácil encontrar mesa e cadeira para o tamanho de crianças de 1 a 4 anos, não menores. E há modelos com cadeirinhas mais altas, para crianças a partir dos 2 anos. A diferença pode ser de 10 a 20cm do chão. (A foto é meramente ilustrativa, pois esse modelo parece ser ainda grandinho para 12 meses, sem apoio de braços laterais, como uma poltrona.)

Foi um conjunto de mesa e cadeira de madeira que escolhemos pra Dora, um presente da tia Tata. Nosso modelo é indicado de 1 a 4 anos. Aos 9 meses, ela é um bebê comprido. Apesar dos pés não alcançarem o chão, sentou confortavelmente na poltroninha (tem braços) e ficou muito feliz em ter a própria mesa. A mesinha encaixa sobre a cadeira, a cadeira tem os apoios laterais e é mais funda “no fundo” (atrás), então é difícil a criança escorregar.

É lindo acompanhar o desenvolvimento da criança e incentivar a sua independência.

AgarraDini
AgarraDini – Um acessório bem legal e útil. É uma faixa larguinha para agarrar bem o bebê, fofinho para não machucar e que fecha atrás com velcro, então se encaixa em vários modelos de cadeira. Interessante deixar na bolsa para levar para sair, pois nem todas as cadeiras de restaurantes têm cinto de segurança. É uma ideia parecida com esta, mas não sei se o My Little Seat se adapta a quase qualquer cadeira.

Como comentei acima, pode ser interessante usar a AgarraDini para dar mais segurança à criança ao usar os antigos modelos de cadeirão. Também uso na poltrona baixinha da Dora, porque ela anda muito bagunceira e já se jogou de barriga no chão outro dia. Ela aceita colocar o cintinho numa boa. No entanto, recomendo mais o AgarraDini para deixar na bolsa, pois não é tão resistente para usar quatro vezes ao dia em casa.

Já experimentei usar numa cadeira de adulto, funciona bem nos modelos com encosto de ripas de madeira verticais. Mas atenção: existe o perigo da cadeira cair pra trás. Diferente das cadeiras próprias para bebês, as cadeiras de adulto não são à prova de tombamento, então tem que ficar junto. A altura da criança não é ideal, não fica exatamente na altura dos nossos olhos, mas se vê a boquinha; e na nossa mesinha da cozinha, que é mais baixa, ela fica pouco abaixo da altura da mesa.


Veja mais:
Modelos de cadeiras de alimentação aqui, aqui e aqui
Indispensáveis e dispensáveis – revendo os itens do enxoval do bebê

Banho de aveia

Aveia no banho do bebê
Nesse verão, mesmo peladinhos os bebês passam muito calor e ficam cheios de brotoejas nas costas. O banho com leite de aveia é um aliado para recuperar a pele do bebê. É muito simples, basta ter aveia (grão médio, farinha de aveia, qualquer tipo funciona), água morna e um paninho em casa.

Coloque duas colheres de sopa de aveia em uma fraldinha de boca. Enrole a fraldinha, fazendo uma trouxinha. Molhe o pacotinho de aveia na água do banho e faça compressas no bebê, especialmente onde estiver com as bolinhas de brotoeja. É só apertar o pacotinho molhado e deixar escorrer um líquido esbranquiçado, que é o leite de aveia, sobre o bebê. Toda a água do banho ficará branquinha.

Você pode dar esse banho no ofurô. Não recomendo colocar os flocos de aveia diretamente na água, porque eles decantam e não se misturam, enquanto no sachê feito com a fralda de pano, como tenho usado, funciona muito bem. O banho de leite de aveia sem interferência de sabonetes é mais eficaz. Recomenda-se evitar o uso de sabonetes ou shampoos com glicerina, que ressecam a pele, quando o bebê está com brotoeja. É um hidratante natural, mas não sei se pode ser indicado a crianças com alergia a glúten.

Leia mais:
Este blog recomenda um banho com amido de milho

Ofurô

Se me perguntarem qual a forma de reduzir o consumo de água no banho do bebê, a resposta é ofurô. Com menos da metade da quantidade de água de um banho razoável das banheirinhas tradicionais, você garante uma imersão confortável e relaxante para o bebê. Pra quem não conhece, o ofurô é um balde sem alças, próprio para o banho do nenê.

A primeira experiência da Dora no ofurô foi inesquecível. Pais de primeira viagem, colocávamos pouca água na banheirinha e, na maioria das vezes, ela não curtia nada o banho. Numa noite de choro, com 42 dias, resolvemos dar um segundo banho, sem lavar a cabeça. Assim que ela ficou sentadinha no ofurô, o choro parou imediatamente. Como se fosse uma experiência de corpo inteiro que te renovasse, um mergulho, como dar CTRL+ALT+DEL no bonequinho (e reiniciasse bem mais rápido que um computador). Nas palavras da época: “Chorou pra entrar no balde. Lá, emudeceu. Ficou boquiaberta, perplexa de tão satisfeita e relaxada”. Pena que não registramos o escândalo que ela tinha feito.

Modo de usar
A temperatura indicada da água para o ofurô é de 35 a 37 graus. A medida de água é menos da metade do balde ou até começar a cobrir os ombros do bebê (lembre-se que a água sobe quando o bebê entra). É possível dar banho mesmo em bebês muito pequenos (dá um pouco de trabalho para segurar o pescoço). O banho pode durar até 20 minutos (o tempo que a água se mantém quentinha).

Desvantagens
No dia-a-dia, pode não ser prático se abaixar para dar banho no ofurô. Acho arriscado apoiar numa mesa ou superfície mais alta. Para ensaboar o corpinho, todo debaixo d’água, também não é tão prático. Mesmo assim, muitos pais são adeptos do ofurô (e apaixonados pelo banho noturno com ofurô) desde as primeiras semanas do bebê e usam, sim, o ofurô como banho principal.

Vantagens
Apertadinho, dá segurança ao bebê, reproduzindo a sensação de dentro do útero. Repetindo: gasta menos água; relaxa o bebê; é relativamente barato*. Quando não estiver em uso, pode servir para guardar roupas sujas ou lavar as roupinhas do bebê.

ofurôO balde da foto é da Adoleta Bebê e um exemplo de produto livre de BPA com preço acessível

Faixa de preço e modelos
À venda no Brasil de R$ 25 a mais de R$ 100. Teoricamente*, qualquer balde serve, mas os vendidos como banheira têm pelo menos um apoio na base para não virar. Existem ofurôs (mais caros) com um “banquinho” para o bebê sentar – não é necessário. Vale checar se o plástico é atóxico.

Considerações finais
Mesmo que você escolha outra forma para dar banho no bebê, você pode alternar e economizar água dando alguns banhos no ofurô. Pegando o bebê no colo, no chuveiro, sem banheira, talvez você consuma mais água. Além de reduzir o volume, o ofurô é um carinho para a criança.

Leia mais:
Dispensáveis e indispensáveis

Acessibilidade em ano de Copa

acessibilidade: onde fica a rampa?

rampa em Estocolmo
foto: Sam Teigen / 917 press

Onde fica a rampa para cadeirantes? Essa é a pergunta certa a fazer quando precisar entrar em um lugar público com carrinho de bebê. Se perguntar “tem entrada acessível?” ou “como faço para entrar com o carrinho?”, infelizmente é bem provável que ninguém te ajude no Brasil.

No período da Copa, o que me preocupa é que empresas e instituições certamente vão reforçar suas equipes, contratando extra staff. No entanto, assim como no Natal ou durante outros grandes eventos, esses funcionários temporários nem sempre são treinados. De que adianta os prédios se adaptarem às normas de acessibilidade se a entrada ainda não fica acessível ao público?

Sei que alguns lugares são mais fáceis de visitar slingando. Mas como chegar a esses lugares? Ser sustentável é também andar a pé. Andar mesmo, sem pegar transporte público. Gosto de morar no Centro de São Paulo porque posso caminhar até meus destinos. Num raio de 3km, tenho infinitas possibilidades em todas as direções. Para chegar lá, preciso do carrinho – posso levar o sling na cestinha para usar no meio do passeio ou no retorno.

Tenho observado que os centros culturais privados, patrocinados por bancos, no geral, são mais preparados e têm equipe melhor treinada para receber pais com carrinhos ou cadeirantes. No entanto, os bancos (infelizmente inclusive algumas agências bancárias de instituições financeiras que patrocinam cultura) raramente têm estrutura ou equipe prestativa para auxiliar pessoas com crianças de colo, carrinho e cadeirantes. Já os museus públicos oferecem um atendimento vergonhoso.

Esses dias foi um sacrifício entrar num centro cultural – com orientação do funcionário que recepcionava o local. Uma amiga ajudou a subir com o carrinho. Na saída, este mesmo funcionário sugeriu que descesse pela rampa, que ficava escondida, mas era nova e ótima. Ele não tinha me entendido no começo ou achou que subir degraus com carrinho e bebê de quase 10kg era tarefa fácil.

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carrinho no Metropolitan Museum (NYC)
foto: Martha Dear

Em Porto Alegre, durante a Bienal do Mercosul em 2013, passei por uma situação constrangedora dessas e fui impedida de visitar um museu que adoro tanto, o Margs – Museu de Arte do Rio Grande do Sul. O segurança foi grosso e não permitiu minha entrada no prédio com o carrinho – a rampa, do outro lado, era “exclusiva para cadeirantes”. Me senti discriminada. Deixar o carrinho estacionado no guarda-volumes seria até de se entender, mas não poder subir até o guarda-volumes nem entrar no prédio, absurdo.

Publico aqui a carta-resposta que recebi do diretor do museu, através da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Gente, se alguém precisar visitar o Margs ou outro museu com seu filho no carrinho e não for permitido, use esta carta como passaporte. Espero que durante a Copa todas as instituições e seus funcionários – temporários inclusive – estejam preparados para receber famílias e portadores de necessidades especiais. Acessibilidade para todos!

carta do MARGS sobre acessibilidade

Leia mais:
No museu com o bebê