Amamentação: pulando obstáculos

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Foto: HoboMama

Não gosto de ressaltar o lado negativo das coisas, parece mais difícil do que de fato é. Muitas mães têm dificuldade em amamentar, principalmente no comecinho. Então resolvi dividir aqui minha experiência para vocês entenderem que são pequenos obstáculos que conseguimos superar.

A Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde do Brasil e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e o aleitamento materno complementado pelo menos até os dois anos – inicialmente complementado pela introdução de alimentos e, após, complementando a alimentação. Essa continuidade é importante, de acordo com os pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria, porque “protege contra doenças e contém nutrientes e calorias necessários para o bom crescimento e desenvolvimento” (pág. 194 do livro “Filhos – da gravidez aos dois anos de idade”). O leite materno previne obesidade, hipertensão, diabetes, alergias, infecções respiratórias e de ouvido (pág. 192) – segundo eles, o leite humano contém 250 substâncias de proteção para o bebê. É uma vacina poderosa que não se encontra em postos de saúde.

Sem contar sobre o vínculo mãe-bebê que o aleitamento materno proporciona… Além da facilidade em perder o peso acumulado na gravidez. E da amamentação fazer o útero se contrair e voltar ao tamanho anterior.

Leite fraco ou insuficiente não existe
Tá em todos os livros, mas vou repetir aqui: não existe leite fraco ou pouco leite. E o leite pode levar uns dias para “descer” – para quem fez parto normal, até três dias; parto cesárea, estima-se até cinco dias. E o bebê tem uma reserva calórica para esse comecinho. Nos primeiros dias pode parecer pouco leite, mas é suficiente para o bebê. Ainda citando o livro “Filhos”: “todo leite materno é forte e bom” (p. 195). Quanto mais amamentar, mais irá produzir.

Primeiro vem o colostro, altamente nutritivo. Ele é transparente e pode ser amarelado. Depois de alguns dias, o leite, off-white. No decorrer da mamada, varia a composição do leite materno, por isso é importante deixar o bebê mamar bastante, para receber todas as propriedades. Segundo o livro, se o bebê tomar apenas o leite do início da mamada, pode sentir fome mais vezes – um motivo para você não limitar o tempo de cada mamada.

Fissuras no bico
No hospital, as enfermeiras perguntavam “ainda não rachou?”, como se estivesse por vir esse momento. Alguns dias depois, em casa, numa madrugada dando de mamá, senti as fissuras nos dois bicos. Amamentar assim era como se sentisse um choque elétrico em cada mama. Foi uma única noite com essa dor. Na manhã seguinte, fui assim que possível para o sol.

Como já falei, o melhor remédio e a melhor prevenção é pegar sol direto no peito. Pelo menos desde a metade da gravidez e durante o primeiro mês do bebê. Se estiver nublado e com vento, pode expor que já ajuda a deixar os bicos mais resistentes. Não lavar com sabonete desde a gravidez também protege.

Para “remediar”, passe o próprio leite materno sobre os bicos. E deixe o bebê continuar a mamar. Experimente posições diferentes, como a posição invertida ou deitar na cama e deixar o bebê mamar de lado.

Produção em excesso
Quando a quantidade de leite não está regulada ainda, o que pode levar mais de um mês para ajustar, há produção em excesso. Por isso se aconselha doar. Com tanto leite, eu pelo menos não sabia quando a mama esvaziava. E ela pode entumecer e provocar mastite.

Nesse caso, recomenda-se não espaçar muito as mamadas. Pra tirar o excesso, fazer massagem e tirar manualmente o que restar logo após as mamadas. Se tiver em excesso, evitar deixar cair água morna ou quente do banho sobre o seio (vira de costas, coloca a cabeça bem pra trás, etc) – mas pode tomar sol. A concha de silicone ajuda também a tirar o excesso e a deixar o bico respirar, sem roçar no tecido e machucar.

Caso tenha febre, fale com seu médico. A princípio, a febre também não é empecilho para amamentar.

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Nursing Mother (Stephanie Gruenwald) 1917, Egon Schiele

Paciência
Passada a fase, podem surgir novos desafios. Em todas as etapas, é importante uma dose de tranquilidade e paciência da mãe. A criança cresce e presta mais atenção no mundo e se distrai com as coisas ao seu redor. Se muito bebê você tinha que fazer cosquinha no pé para combater o sono, agora o obstáculo pode ser a concentração. Barulho, visitas, objetos podem ser motivos de distração ou incômodo. É bom criar um ambiente calmo para o bebê mamar e, ainda mais importante, que a mãe esteja relaxada e descansada.

Quando minha filha parece que está “brigando” com o peito, aprendi que:
– ela estava esvaziando aquela mama e pedindo para mamar do outro lado;
– ela estava pedindo para fazer um rápido intervalo para arrotar e depois voltar a mamar;
– ela estava cansada e precisava mamar em um ambiente mais calmo, mais silencioso ou com menos luz;
– estava com sono, em pouco tempo dorme.

Já aconteceu também, mesmo que tenha trocado a fralda antes de mamar, ela pedir para parar de mamar por ter feito cocô. Nesse caso, não chego esperar os 30 minutos para arrotar, mas ainda tento esperar um pouco. Posiciono uma almofada no trocador para ela não ficar totalmente deitada – algumas mãe conseguem trocar com o bebê deitado de lado (menino parece mais fácil). Às vezes volta a mamar em seguida, muitas vezes vai fazer um intervalo normal, continuando na próxima mamada.

Se ela fica impaciente, geralmente experimentamos mudar de lado (mama), parar um pouco (em posição de arrotar), mudar de posição (posicionada invertida para mamar) ou dar uma voltinha no colo para acalmar. No auge do refluxo, aprendi a amamentar de pé, balançando para acalmá-la enquanto mamava – mas foi um dia só assim. No blog Amamentar é tudo de bom, há um artigo sobre esses “bebês brigões”.

Dentes
Com a vinda dos dentinhos, não precisam ter medo. Os únicos comentários assustadores que escutei eram de pessoas que nunca amamentaram, por que precisaria considerá-los? O bebê coloca a língua sobre os dentes, você nem sente a “serrinha”. Nesse período, o bebê pode ficar também mais irritadiço, entre outros sintomas. É natural que coincida com o aumento do interesse pelas coisas que você come ou toma e também aí o início da introdução de alimentos.

Se informe mais:
Recomendo muito os cursos específicos sobre amamentação a partir do sexto mês de gravidez.
Um vídeo do Amamentar é sobre a pega correta
Este livro que comentei também é muito bom na preparação para a chegada do bebê e traz o passo-a-passo da amamentação (a boca de peixe, o queixo quase encostando na mama… e muitos textos interessantes): Filhos: da gravidez aos dois anos de idade – dos pediatras da Associação Brasileira de Pediatria, da editora Manole, organizado por Fabio Ancona Lopez e Dioclécio Campos Jr.

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2 thoughts on “Amamentação: pulando obstáculos

  1. Lu,
    muito legal e esclarecedero este post, parabéns por compartilhar!
    Sou totalmente a favor da amamentação no peito, aqui em casa é só livre demanda e a Maíra está cada dia maior e super saudável!
    Creio que cada mãe passa por dificuldades, mas pouca gente compartilha. O meu caso foi que a MAíra tinha pego infecção urinária ainda no hospital, por esta razão não tinha força pra sugar e acabou não ganhando peso por 18 dias quase. Ela ficava quase 2h no peito, mas não conseguia sugar quase nada e eu não sabia o que ela tinha. Tirei leite de bombinha, dei no copinho, seringa, mamadeira, foi uma confusão no fim por causa das diferentes informações dadas pelas enfermeiras e médicos daqui. Enfim, foi um sufoco, mas graças a deus passou! Hoje está super bem!
    Um bjo grande e saudades,
    Marília

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