No museu com o bebê

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Leda e o Cisne, de Leonardo da Vinci

Gosto de aproveitar esta fase de exclusividade da amamentação para voltar a fazer minhas atividades e passeios que possa estar acompanhada da Dora. É prático, não preciso temer ficar muito tempo longe de casa, que tem sempre leite pronto pra ela. No máximo, os passeios vão alterar um pouco a rotina e atrapalhar um pouquinho o sono. Até agora, sair para ficar parada e encontrar muita gente por um longo período do dia, sim, interferiu nas horas de sono. Caminhar, passear e mostrar o mundo para o bebê, pelo contrário, traz até qualidade ao sono.

Aos quatro meses (e até um pouco antes), a Dora já estava muito observadora. A primeira experiência dela com obras de arte foi na galeria do restaurante vegetariano Veggie’s na Praça, no Espaço Buenos Ayres, que fica em frente à Praça Buenos Aires, em Higienópolis, em São Paulo. Ali tive segurança de que ela pode me acompanhar numa exposição. Ela ficou vidrada no colorido dos quadros! Assim como já fazemos no cinema, ela vai se acostumando ao ambiente e aprendendo a se comportar nesses lugares.

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Madonna con Bambino, de Carlo Crivelli

Aos cinco meses, levei-a para conhecer um pouco de Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Ticiano, Botticelli, Veronese, Il Bassano, entre outros artistas italianos na exposição Mestres do Renascimento no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Devido à grande procura, a exposição foi prorrogada até 29 de setembro – tanto que no site oficial, até a publicação deste texto, a data não estava atualizada. Supus que no meio da semana, à tarde, o movimento seria tranquilo. Imagine: chegando perto do CCBB, já se via as grades para organizar a entrada dos visitantes. Aí está mais uma vantagem de ir ao museu com criança de colo, você não enfrenta a fila. Procure o segurança na porta principal, e ele te conduz até o caminho do elevador.

São três andares de exposição mais um de cronologia e vídeos no subsolo, tudo gratuito. Uma sala por andar, mais de 50 obras. Só não visitamos o subsolo, porque estava tarde e o elevador mecânico estava quebrado. Para os demais pisos, havia um elevador onde cabem um carrinho e três pessoas bem apertadas além da ascensorista. Começamos passeando com o carrinho (mas a Dora no colo), depois o deixamos estacionado nas entradas das salas, supervisionado pelos seguranças.

Eram várias Madonna con Bambino nas telas enquanto a Dora era o único bebê visitante. No mesmo dia, no entanto, outros cinco bebês haviam aparecido, a maioria filhos de turistas estrangeiros, segundo os funcionários do centro cultural. Logo de cara, a Dora já quebrou o silêncio do 4º andar com suas impressões sobre as obras. Deu gritinhos de alegria, estava mesmo feliz de estar ali. Continuou com seus barulhinhos e teve paciência de ver tudo até o final. A luz das salas era suave, o ar bem forte para a conservação das pinturas. O que chamava mais a atenção do bebê não eram os drapeados, coloridos nem a iluminação dentro ou fora dos quadros; as pessoas eram mais interessantes. Foi simpática, sorriu e gargalhou para seguranças e visitantes, mesmo para quem não fazia gracinha pra ela.

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Madonna con Bambino e Santa Catarina,
de L’Ortolano

Corra pra lá até domingo, que está acabando! Indo ao CCBB-SP, não deixe de fazer uma parada na doçaria portuguesa Casa Mathilde para comer um docinho, sentar e amamentar e aproveitar que estão inaugurando o trocador (não chegamos a experimentar, mas os doces – bem doces e grandes – realmente recomendo). Para quem nunca foi, é mais fácil chegar de metrô, Sé ou São Bento – ali não passa carro. Nós fomos a pé.

Agora estamos planejando visitar a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, que vai até 10 de novembro.

Algumas dicas para levar um bebê no museu:
* Evite dias ou horários muito cheios;
* Prefira museus ou centros culturais com espaços abertos ou de fácil circulação – geralmente há bancos para sentar e observar as obras, além de um café ou restaurante;
* Preste atenção no bebê e faça uma pausa para amamentar se necessário; se a criança estiver muito agitada, dê uma volta e continue a olhar a exposição depois;
* Leve sempre uma mantinha, fraldinha de boca, gorro ou casaco com capuz, pois as salas de exposição (ou as entradas delas) costumam ter ar condicionado forte.

Saiba mais:
Sobre a exposição Mestres do Renascimento no CCBB-SP
A representação das crianças nas obras de arte no artigo A criança nasceu no Renascimento

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4 thoughts on “No museu com o bebê

  1. Que fantástico, Lu! Este post me lembrou o de um blog que adoro http://acaratapa.wordpress.com/2012/11/03/siga-este-bebe/
    Acho a ideia de visitar obras de artes com bebê genial e poder estimulá-los o quanto antes!
    Sobre o trocador, fiquei pasma ao procurar pela internet, aqui em Zagreb,um café “baby friendly” e não encontrar nada. Na segunda, fizemos o primeiro passeio pelo centro e tomamos um café na confeitaria que adoramos. Passeamos pela feira, mercado e almoçamos num restaurante. Em nenhum lugar havia trocador. Como é a situação por aí e como costumas trocar as fraldas na rua?
    bj e saudades,
    Marília

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