Transporte público com bebê em SP

No Dia Mundial Sem Carro, vamos falar de transporte coletivo. Neste ano, várias manifestações no Brasil foram desencadeadas do protesto estudantil pela tarifa zero do transporte público. Deveria existir uma lei para que mães em licença maternidade não pagassem tarifa de ônibus ou metrô, ao menos as contribuintes individuais do INSS.

Gestantes e portadores de criança de colo não são isentos de cobrança, mas têm prioridade no embarque e nos assentos. Ainda não tive coragem de andar de ônibus com bebê de colo, geralmente prefiro andar a pé no mesmo trajeto. De metrô, já experimentamos duas formas: com babysling e com carrinho.

Com sling, sem dúvida, é mais prático, ainda mais se você não for caminhar muito depois e puder ficar com a criança o tempo todo no colo/no carregador. O que dificulta é que os outros passageiros não vêem (ou fingem que não vêem) que você carrega um bebê – e você vai precisar sentar. O sling é prático até para amamentar dentro do trem se preciso. Infelizmente os assentos prioritários nem sempre são ocupados por passageiros com prioridade e quem costuma se levantar para ceder seu lugar são pessoas que compreendem sua necessidade pois geralmente elas também deveriam estar sentadas (idosos e pessoas com o braço enfaixado foram as mais solícitas quando andamos de metrô).

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Novo elevador na Estação Sumaré

Andando sozinha com a Dora para ir a uma consulta médica, por exemplo, não tenho alternativa a não ser levar o carrinho. Com carrinho no metrô, a gente fica dependente da acessibilidade das estações de embarque, baldeação e desembarque. Siga as indicações de embarque preferencial, mas se informe antes se o elevador está funcionando e em qual andar você deve descer. Em São Paulo, há vários elevadores novos nas estações, mas não estão bem sinalizados em qual plataforma você deve descer para o destino ou linha que for pegar. As filas de espera são concorridas, então um simples erro pode atrasar muito sua viagem.

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Ao entrar no vagão, observe as sinalizações de bicicleta ou cadeirante. Nesses vagões sinalizados há um espaço para estacionar o carrinho – geralmente entre a porta e um assento preferencial. O condutor do carrinho deve ficar de pé, e as rodinhas do carrinho devem ser travadas. A criança, se permanecer sentada, deve ficar presa com o cinto afivelado.

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O carrinho travado pode ficar ao lado da porta, liberando a circulação

A parte mais complicada com carrinho, na minha experiência em São Paulo, foi a interligação das linhas amarela e verde. Para subir da linha amarela até o andar da verde na estação Paulista/Consolação tem elevador, mas ele não te deixa na plataforma, pois seriam duas estações diferentes. Se você sair pelo lado de fora, deverá pagar nova passagem para embarcar. A ligação interna é feita por uma esteira rolante por onde não é seguro andar de carrinho, mesmo que travado. O corredor sem esteira é geralmente ocupado no sentido de quem vem da Paulista ou linha verde e vai para a linha amarela, não no sentido contrário. Andar contra a maré com carrinho é impossível. O único jeito viável seria ter o apoio de um funcionário do metrô nesse trecho, para fechar o carrinho, pegar o bebê no colo e carregar o carrinho fechado. Como são duas concessões diferentes, os funcionários não costumam atravessar de uma estação a outra. Atravessamos com o carrinho aberto na esteira para não mais voltar por esse caminho. Nesse trajeto ou na maioria, sempre que possível, prefira os horários de menos movimento.

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Bilhete especial para gestantes

No ônibus, na Capital, em São Paulo, grávidas a partir do quinto mês de gestação e portadores de criança de colo podem desembarcar pela frente do carro, pagando passagem, em função da dificuldade em atravessar a roleta/catraca. Cobradores que enxergam o barrigão são compreensivos. Em São Paulo, existe um bilhete único para gestantes, que lhes concede o direito do desembarque pela frente do ônibus. Até eu descobrir que isso existia, já estava quase no final da gravidez. Como seria um bilhete igualmente pago, preferi continuar com o meu normalmente. Não foi por isso que deixei de desembarcar pela frente – no final, era impossível fazer diferente.

O primeiro trimestre de gravidez é o mais difícil, pois a barriga ainda não é visível, o embarque e desembarque é normal e a gestante pode até ficar constrangida em sentar na poltrona preferencial. A náusea no começo da manhã fica acentuada com o movimento do ônibus, então aproveite seu direito. Peça licença e sente-se.

O benefício do desembarque pela frente deveria ser estendido ao acompanhante. Para passar o bilhete ou pagar a passagem e para descer do ônibus, o acompanhante ajuda bastante. Esperar o acompanhante desembarcar pra te buscar na porta é bem demorado e não são todos os motoristas que têm paciência de esperar. Descer o degrau desnivelado da calçada com o barrigão é bem difícil. Não vou esquecer um dia em que estava indo fazer yoga para gestantes, e um velhinho me deu a mão para desembarcar do ônibus. Podíamos cair todos! Mesmo assim, foi bonito.

Para viagens longas no Brasil é uma vergonha, não existe uma opção mais sustentável. Produzindo o documentário Magnífica Desolação, de Fernando Coimbra, fiquei apavorada com a diminuição da malha ferroviária e como não há mais trens de passageiros – já são raros os turísticos. Acabamos dependendo dos ônibus ou do avião. Pelo menos são fretados, mas isso pode ser tema de futuros posts.

Saiba mais:
Esta é a Semana da Mobilidade em São Paulo, de 18 a 25 de setembro
As aventuras de outra mãe pelo metrô paulistano no ano passado
São raros os pais que escolhem o metrô, mas eles existem

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