O Renascimento do Parto

O Renascimento do Parto - foto Carol Dias

O Renascimento do Parto
foto: Carol Dias

Estreia nesta sexta um documentário essencial para gestantes e para a sociedade brasileira, O Renascimento do Parto, de Eduardo Chauvet. O filme traça um panorama da obstetrícia hoje no Brasil e no mundo, apontando um caminho para o parto humanizado. O projeto é um modelo de produção sustentável: através de crowdfunding, foi viabilizado o dinheiro para seu lançamento nos cinemas.

Uma gestante de primeira viagem pode ficar assustada ao conversar com uma mãe que pariu naturalmente, porque elas são todas “ativistas” do parto natural. Observe, entretanto, que a maioria delas não consegue conter o choro ao falar sobre parto. Porque é um momento especial.

O filme não é pedante nem panfletário. Foi conduzido com delicadeza e respeito. Mostra, sim, cenas apavorantes de parto cesárea.

O Renascimento do Parto_Heloisa Lessa – Enfermeira Obstetra - crédito da foto Rafael Morbeck

Heloísa Lessa – enfermeira obstetriz
foto: Rafael Morbeck

Entre os entrevistados, a antropóloga Robbie Davis-Floyd expõe por que não é admissível que o índice de cesáreas seja maior do que 17%. O rico depoimento de Michel Odent, com vários livros publicados sobre parto, traz o ponto de vista científico do amor. O ator Márcio Garcia é a voz dos pais, além de mães, uma representante do Ministério da Saúde, ginecologistas, obstetrizes, parteiras.

Infelizmente, o parto tido como “normal” não é mais o comum. A idade gestacional do bebê é facilmente escondida – muitas mulheres são operadas sem terem entrado em trabalho de parto, porque não se espera o tempo do bebê. Assim nasce um número alarmante de prematuros.

Não podemos esquecer que o parto normal também é um procedimento cirúrgico. Intervenções como episiotomia podem ser bem dolorosas nos três primeiros dias e um incômodo quando os pontos começam a secar. Mais perturbadora do que o corte é a anestesia peridural – não pela agulha, mais no pós-operatório. Morfina pode dar muita coceira. A posição de “galinha morta”, sem sensibilidade nas pernas, pode pressionar algum nervo e provocar muita dor por longo tempo depois. O trauma da injeção nas costas não vai permitir que você volte a dormir de costas e continue talvez semanas deitando de lado mesmo sem barriga. Sem falar em quando é injetada ocitocina, que, na tentativa de indução do trabalho de parto, acelera repentinamente as contrações e pode prejudicar o batimento cardíaco do bebê, sendo mais uma desculpa para uma cesárea.

O acompanhamento de uma doula pode não ser fundamental. Mas é básico o direito a um acompanhante e maravilhosa a companhia do pai. Conhecer e confiar na sua GO faz parte da preparação ao nascimento, bem como conversar livremente com ela sobre todos os procedimentos. Se possível também com o pediatra, sobre como o bebê será recebido. Assim é uma parturiente consciente.

Tenho a sorte de poder afirmar que minha filha nasceu quando ela quis – e ela esperou o primeiro dia para que pudesse ser taurina (três dias depois de completar 40 semanas). Não sei o que é intervalo de uma contração a outra. Acordei com contrações entre três ou dois minutos. Cada mulher tem uma sensibilidade diferente e uma relação com a dor. A dor da contração, pra mim, é mais forte que a pior das cólicas – não sei dizer se alivia dentro ou fora d’água, parada ou se mexendo. Por outro lado, é totalmente suportável e cada contração é sinônimo de que o corpo está se abrindo para a chegada do bebê. Vale a pena se concentrar nela e se sentir presente nesse momento tão iluminado.

Neste sábado, 10 de agosto, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília têm sessões deste filme no CineMaterna, às 11h.

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4 thoughts on “O Renascimento do Parto

  1. Assisti esta semana uma “série” do GNT, Partos pelo Mundo; gostei muito, nos faz refletir muito sobre o parto apresentando dados estatísticos, que eu desconhecia! O Michel Odent também tem uns minutinhos de entrevista em um dos episódios.
    Quando tenho um tempinho dou uma passadinha aqui e leio as publicações, sempre informativas! Parabéns pelo Blog, sucesso, nele e na maternidade sustentável!

  2. Lendo seu comentário lembrei do meu parto. Pra mim as contrações era com intervalos muito curtos entre uma e outra. E quando estava com 5 cm colocaram ocitocina. Consegui ter um parto normal, mas totalmente desumanizado, fiquei sozinha no pre-parto o tempo todo, , só consegui ir para o quarto qd estava com quase dilatação total. Bom,estou fazendo enfermagem obstetrica e descobri que tive taquissistolia uterina e a conduta foi mal indicada(me disseram que era para regularizar minhas contrações). Meu filho nasceu bradicardico, mas tudo correu bem. É um lindo!!

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